Mercado Livre (MELI34): vale a pena investir neste BDR?

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.

Uma empresa latino-americana faz sucesso junto às big techs da Nasdaq. E vem se destacando também entre os Brazilian Depositary Receipts (BDRs) negociados na bolsa de valores brasileira. Trata-se da argentina Mercado Livre. Seu negócio é oferecer soluções para compra e venda online.

Os BDRs são ativos que representam ações de empresas estrangeiras na B3. Desde outubro, eles estão disponíveis para todo investidor pessoa física.

Entre os BDRs listados na bolsa brasileira, os do Mercado Livre ocupam o segundo lugar no ranking dos mais negociados no período de 22 de outubro a 5 de novembro.

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A data de 22 de outubro marca o dia em que os BDRs foram liberados. Até então, eles eram destinados apenas para os investidores qualificados (com investimentos acima de R$ 1 milhão).

Na B3, os papéis que espelham as ações do Mercado Livre têm o código de MELI34. E só perdem em quantidade de ativos negociados para a Alphabet, empresa “mãe” do Google. Está à frente de outras gigantes, como Apple, Tesla, Alibaba e Microsoft.

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Crescimento durante a pandemia

Como as demais empresas de e-commerce, o Mercado Livre também cresceu de maneira surpreendente durante a pandemia de coronavírus, com vendas impulsionadas pelo “fique em casa” necessário para a contenção do vírus.

Confirmando-se como o maior portal de comércio eletrônico da América Latina, o Mercado Livre teve lucro líquido de US$ 15 milhões no terceiro trimestre. O lucro líquido por ação foi de US$ 0,28. Os analistas projetavam um lucro de US$ 10,5 milhões, ou US$ 0,17 por ação. O volume de vendas (GMV) chegou a US$ 5,9 bilhões entre julho e setembro, avanço de 62,1% em dólar.

O volume de pagamentos em seu braço financeiro Mercado Pago saltou 91,7% em dólar, chegando a US$ 14,5 bilhões.

A operação no Brasil cresceu 57% no terceiro trimestre, na comparação com o mesmo período de 2019. Na Argentina, o crescimento foi de 145%. E no México, 111%.

Autorização para atuar como instituição financeira

O Mercado Livre recebeu na última segunda-feira (9) a autorização do Banco Central (BC) para operar como uma instituição financeira.

O aval do BC abre espaço para o Mercado Livre expandir sua atuação na oferta de crédito. Desde 2017, a empresa tem o Mercado Crédito, com empréstimos para quem tem conta no Mercado Pago, fintech de pagamentos do Mercado Livre.

E ocorre um mês depois de o Mercado Livre ter anunciado que recebeu do Goldman Sachs um aporte de R$ 400 milhões, destinados justamente à ampliação do serviço de crédito.

“Ter um rol de instrumentos de financiamento mais completo beneficiará de forma estrutural toda a área de fintech e trará maior solidez, além de resiliência para o negócio”, explicou Pedro de Paula, diretor do Mercado Crédito no Brasil.

Frota de aviões no Brasil

Outro avanço recente no Brasil foi o lançamento de uma companhia com frota própria, formada por quatro aviões. Ela servirá para acelerar as entregas feitas em até 24 horas.

“Queremos ter a melhor logística do Brasil e aumentar o número de entregas no dia seguinte. A ampliação consistente e robusta da nossa malha logística é decisiva para a manutenção da excelência do atendimento e satisfação do consumidor final”, afirmou Leandro Bassoi, vice-presidente de Mercado Envios, a parte de logística da empresa.

Outro tema a que o investidor deve ficar atento é nas sinalizações de privatização dos Correios. Em setembro, o ministro das Comunicações do Brasil, Fábio Faria, afirmou que o governo quer privatizar a estatal e que gigantes do varejo já haviam demonstrado interesse. Um desses gigantes seria, justamente, o Mercado Livre.

Valorização dos BDRs

De 2 janeiro a 11 de novembro, os BDRs do Mercado Livre tiveram uma valorização de 189%, indo de R$ 20,47 para R$ 59,25.

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Mercado Livre

Reprodução/Google

Na Nasdaq onde a empresa é listada, a valorização foi de 115% no mesmo período.

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Como investir no Mercado Livre?

Os investidores brasileiros podem ter acesso aos chamados BDRs do Mercado Livre.

Eles são ativos que representam ações de empresas estrangeiras. Quem adquire um BDR está, indiretamente, participando de uma empresa no exterior, e terá direito aos dividendos distribuídos pela companhia lá fora.

Funciona mais ou menos como um fundo de investimento. O investidor não vira o dono da ação, portanto não é sócio da empresa em questão.

Para comercializar um BDR, a instituição emissora do papel adquire várias ações de empresas estrangeiras. Depois monta um “pacote” e vende partes dele aos investidores. Logo, esses títulos são como cotas.

O que é preciso fazer para investir?

Para adquirir BDRs do Mercado Livre, o investidor precisa procurar um banco ou uma corretora de valores autorizados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

História do Mercado Livre

O Mercado Livre foi fundado em 1999, pelo empresário argentino Marcos Galperín. Ele desenhou o plano de negócios da empresa durante seu MBA na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos.

No mesmo ano, a plataforma de vendas online passou a funcionar na Argentina. E também no Uruguai, no México e no Brasil. Em 2000, mais quatro países foram incorporados: Equador, Chile, Venezuela e Colômbia.

Diversos grupos financeiros fizeram aportes na empresa, que superaram os US$ 46 milhões. Em 2000, porém, veio a “bolha da internet”, quando diversas empresas online foram à ruína. O Mercado Livre sobreviveu, mas sentiu a crise.

Em 2001, o eBay, empresa americana de comércio eletrônico, comprou parte do Mercado Livre. Por cinco anos, as empresas foram parceiras na América Latina.

Dois anos depois, surgiu o Mercado Pago, meio de pagamento oferecido pelo Mercado Livre. Em 2007, o Mercado Livre abriu capital na Nasdaq, com ação sendo negociada a US$ 18 – hoje, supera os US$ 1,3 mil.

“Somos a única empresa de tecnologia da Argentina listada na Nasdaq. O valor de transação do Mercado Livre é três vezes maior do que toda a bolsa de Buenos Aires”, afirmou Galperín, fundador e CEO da empresa.

A empresa é avaliada em US$ 72,15 bilhões e está presente em 18 países entre os quais Argentina, Brasil, México, Colômbia, Chile, Venezuela e Peru.

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