Alibaba Group (BABA34): vale a pena investir neste BDR?

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Divulgação/Alibaba

Aqui no Brasil, o Aliexpress é conhecido como aquele site chinês em que se acha de tudo, a preços muito baixos, mas que leva até três meses ou mais para entregar os produtos.

Por trás do Aliexpress está o Alibaba Group, hoje um dos gigantes mundiais de tecnologia.

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Além de comprar produtos no site da empresa, os brasileiros também podem investir no Alibaba através dos  Brazilian Depositary Receipts (BDRs) negociados na B3 sob o código BABA34.

Até o mês de outubro, esses papéis eram restritos a instituições financeiras e pessoas com mais de R$ 1 milhão em investimentos (os chamados investidores qualificados). Agora, estão disponíveis para qualquer investidor, inclusive pessoas físicas.

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História do Alibaba

A história do Alibaba Group começa em 1999. Foi neste ano que Jack Ma fundou a empresa, apostando no potencial da internet para exportar produtos chineses para o restante do mundo. A aposta não poderia ser mais certeira.

Mas a trajetória até o sucesso não foi fácil. Jack Ma, nascido na província de Hangzhou, era um garoto pobre e nada brilhante nos estudos.

Ele se interessava muito pela língua inglesa. A ponto de todo dia pedalar 70 quilômetros para chegar até um hotel em que se hospedavam estrangeiros. Sua meta: aprender com eles o idioma. Sua estratégia: oferecer-se como guia turístico.

Deu certo. Tanto que ele ficou nove anos na função e realmente aprendeu inglês. Mais adiante em sua história, ele trabalharia como professor. Mas, antes disso, ele repetiu seis vezes na escola, foi rejeitado em uma seleção para trabalhar na KFC de sua cidade – quando havia 24 vagas para 25 candidatos. Sim, ele foi o único que ficou de fora. Além disso, reprovou dez vezes na tentativa de conseguir uma vaga na universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

Alibaba: necessidade de colocar a China na net

Em 1995, Jack Ma foi pela primeira vez aos EUA e lá conheceu a internet. Ficou chocado ao descobrir que toda busca feita na rede excluía a China. E retornou disposto a incluir seu país na net.

Sua primeira empreitada foi um tipo de páginas amarelas sobre a China, onde se achava nome da empresa, endereço e contatos.

Nas palavras do próprio Ma, o começo foi mesmo um desastre.  “As pessoas na China não acreditavam na internet e no e-commerce. Éramos eu, minha esposa e meu amigo de escola. Sem saber nada de internet e nada de negócios”, costuma repetir em suas palestras.

A grande virada viria com um investimento de US$ 20 milhões do Softbank e o lançamento do alibaba.com, site business-to-business para conectar fabricantes chineses com o restante do mundo.

“Ma não tinha um plano de negócios, mas seus olhos eram muito fortes e brilhantes. Ele tinha carisma, tinha liderança. O plano de negócio estava errado, mas ele conseguia atrair os jovens chineses”, contou Masayoshi Son, CEO do Softbank.

Estreia do Alibaba na bolsa levanta US$ 25 bilhões

Son investiu US$ 20 milhões na empresa. Em 2014, na estreia do Alibaba na bolsa de valores, foram levantados US$ 25 bilhões.

Atualmente, o valor da companhia é de US$ 787,18 bilhões. O Alibaba é listado na Nyse, bolsa de Nova York. E a ação valia, em 12 de novembro, US$ 264,32. No ano, a valorização é de 20%.

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Alibaba Nyse

Reprodução/Google

Empresas do grupo

Entre outras empresas, fazem parte do Alibaba o Ant Group, maior plataforma de pagamento digital da China, cuja estreia na bolsa foi cancelada recentemente.  A maior oferta inicial de ações do mundo foi suspensa 48 horas antes da estreia, causando muito estranheza e reclamação dos investidores.

Segundo o Wall Street Journal, foi o próprio presidente da China, Xi Jinping, quem decidiu encerrar a oferta. E o cancelamento veio dias depois de Jack Ma fazer um ataque público aos bancos e reguladores financeiros do país, acusando-os de estarem muito focados na prevenção de riscos financeiros, impedindo a inovação.

Fontes ouvidas pelo jornal afirmam que o presidente chinês e outras autoridades não gostaram nem um pouco da crítica. Vale lembrar que, na China, as empresas são fortemente controladas pelo governo.

Entre as outras empresas do grupo, estão:

  • Alibaba Cloud, de serviço em nuvem
  • Alimama, plataforma de monetização e marketing
  • Ding Talk,  plataforma de trabalho remoto e colaborativo
  • TaoBao, marketplace que atende somente a China.

Alibaba: resultado do terceiro trimestre

O Alibaba teve um lucro líquido de 28,77 bilhões de iuanes (US$ 4,24 bilhões) no terceiro trimestre, uma queda de 60% na comparação com o mesmo período de 2019. A receita da empresa, porém, teve alta de 30% – para 155,06 bilhões de iuanes, ou US$ 22,83 bilhões.

“Nosso negócio continuou crescendo de forma constante durante o ambiente pós-Covid-19 na China por meio de maior frequência de compra e gastos do consumidor”, disse a diretora financeira, Maggie Wu.

A receita de computação em nuvem cresceu 60% ano a ano, impulsionada pela aceleração da digitalização em todos os setores e negócios de todos os tamanhos na China.

BDR do Alibaba

De acordo com relatório da bolsa brasileira, os BDRs do Alibaba ocupam o quinto lugar no ranking dos mais negociados na B3. De 22 de outubro a 5 de novembro, foram negociados 4,323 milhões desses ativos.

A procura pelo Alibaba só é menor do que por Alphabet, empresa mãe do Google; Mercado Livre, Apple e Tesla.

De 2 de janeiro a 12 de novembro, a valorização do BDR do Alibaba é de 61%. Atualmente, ele é negociado a R$ 51,57.

Alibaba BDR

Como investir em BDRs do Alibaba?

Até outubro deste ano, os BDRs eram restritos a instituições financeiras e pessoas com mais de R$ 1 milhão em investimentos – os chamados investidores qualificados. Agora, estão acessíveis a qualquer pessoa física.

Quem adquire um BDR está, indiretamente, participando de uma empresa no exterior, e terá direito aos dividendos distribuídos pela companhia lá fora.

Funciona mais ou menos como um fundo de investimento. O investidor não vira o dono da ação, portanto não é sócio da empresa em questão.

Para comercializar um BDR, a instituição emissora do papel adquire várias ações de empresas estrangeiras. Depois monta um “pacote” e vende partes dele aos investidores. Logo, esses títulos são como cotas.

Para adquirir BDRs, o investidor precisa procurar um banco ou uma corretora de valores autorizados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Quer saber mais sobre como investir em BDRs ou outros ativos correlacionados ao mercado exterior? Preencha o formulário abaixo que um assessor da EQI Investimentos vai entrar em contato!