FII Summit: investimentos em CRI de high yield ganham destaque

Yolanda Fordelone
Colaborador do Torcedores
1

Crédito: Pixabay

Se estiver interessado em Fundos Imobiliários, provavelmente ouvirá falar de CRIs de high yield. Ainda que os juros estejam em trajetória de alta, a realidade do Brasil é uma só: o rendimento da renda fixa tradicional deve seguir em baixos patamares. Em busca de maiores retornos, o investidor pessoa física tem procurado diversificar as aplicações. E nos Fundos Imobiliários, não é diferente.

Atingir um patrimônio de R$ 100 mil é para poucos, o que amplia o desafio de busca pelas melhores aplicações para multiplicá-lo

Os fundos que aplicam em fundos de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) têm ganhado espaço. Isso porque alguns deles superam a taxa básica de juros (a Selic). Se seguem esta estratégia, são chamados de high yield.

Acesse esse material especial para avaliar resultados, performance e dividendos dos melhores FIIs no mercado.

O investimento em CRI de high yield será tema de um debate no FII Summit, evento organizado pela EQI Investimentos, TD e Clube FII, que acontece entre os dias 13 e 15 de abril.

O que é um CRI de high yield e como reconhecer um?

Além de superarem a taxa básica de juros Selic, os CRIs de high yield têm outra característica. Tais papeis possuem um indicador de correção, que pode ser um índice de inflação ou mesmo o CDI (Certificado de Depósito Bancário).

“Considero um bom parâmetro para avaliar se a taxa de um CRI é high yield a comparação com um título do Tesouro, a NTN-B, com prazo semelhante”, diz o estrategista imobiliário da NCH Capital, Álvaro Soares.

O especialista é um dos participantes do painel do FII Summit que irá discutir o investimento.

Em resumo, a NTN-B ou Nota do Tesouro Nacional Série B tem por característica oferecer um retorno com juro fixo mais correção do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). Atualmente, a NTN-B, com pagamento de juros semestrais e vencimento em 2030 (quase 10 anos de prazo), rende IPCA mais 3,90% ao ano de juros.

“Se um CRI oferecer uma remuneração de IPCA mais 7,80% a.a., podemos classificá-lo como um high yield, já que pagaria um cupom de juros equivalente ao dobro do oferecido por uma NTN-B”, compara Soares.

Por que investir em CRIs de high yield?

Dentro da estratégia de diversificação, os Fundos Imobiliários que aplicam em CRIs high yield são uma boa opção para aumentar o retorno mensal.

Ao apresentar altas taxas de remuneração, esses FIIs geralmente pagam dividendos mensais mais elevados.

Segundo Soares, a diferença fica clara mesmo quando comparamos o investimento a FIIs de CRIs high grade (operações de baixo risco de crédito) ou a FIIs que têm sua fonte de receita no recebimento de aluguéis de imóveis (os chamados “fundos de tijolo”).

“O ideal para um investidor é ter um mix de produtos, desde fundos high yield a fundos high grade. Desta maneira ele consegue um equilíbrio entre risco e retorno”, sugere a sócia da Habitat Capital Partners, Camila Almeida, que também irá participar do evento.

Mitos da aplicação

O evento FII Summit abordará os mitos e verdades sobre a aplicação. Mas já podemos adiantar um mito comum: o risco ser maior.

Muitos acreditam que os CRIs high yield apresentam maior risco quando comparados a outros com taxas mais baixas, os high grade. Assim, criou-se a falsa percepção que, se um ativo pagar uma taxa de remuneração maior do que outro, ele é mais arriscado.

Em resumo, o CRI é uma operação de crédito estruturada, com garantias reais e financeiras diferentes em cada tipo de operação. Assim, uma boa estrutura de garantias, modifica completamente essa avaliação subjetiva de risco.

Por exemplo, vamos imaginar dois CRIs. Um deles possui como lastro uma carteira de crédito pulverizada em centenas de contratos de pessoas físicas, que estão financiando a compra de um imóvel. Por isso, conta com muitos contratos de crédito além do valor do saldo devedor. Também conta com vários imóveis com maior liquidez para venda.

Já o outro papel possui apenas um devedor e um único imóvel em garantia, de menor liquidez para venda. Então, qual você acha que pode ser mais arriscado?

O primeiro CRI deve apresentar um menor risco, independentemente do retorno.

“Apesar da taxa de remuneração ser mais elevada, um CRI high yield pode apresentar um ótimo risco de crédito, de acordo com sua estrutura de garantias”, pondera Soares, da NCH Capital.

Camila concorda sobre o mito e complementa: “Eventos de default em crédito podem ocorrer tanto em operações com devedores maiores (com rating e bem estabelecidos no mercado) ou menores”. Por isso, ela diz que o ideal é estruturar as operações com excesso de garantias de maneira que em possível evento de crédito seja o suficiente para evitar qualquer prejuízo ao investidor. “Além disso, ter uma equipe robusta para controle e monitoramento é essencial”, afirma.

O que você vai ver também no FII Summit