FII Summit: escritórios x home office, como investir no novo cenário?

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.

Crédito: Reprodução/Pixabay

Que a pandemia de coronavírus acelerou a adoção do home office é um consenso. O que divide opiniões, agora, é se o modelo deve ou não ser adotado – total ou parcialmente -, no pós-Covid.

Ao mesmo tempo em que mais e mais empresas anunciam que pretendem seguir em um modelo híbrido (parte da semana no escritório, parte em home-office) em busca de mais produtividade e qualidade de vida para os funcionários, algumas vozes se levantam contra o que acreditam que seja apenas um modismo imposto por força das circunstâncias.

David Solomon, CEO do Goldman Sachs, por exemplo, já afirmou que considera que trabalhar de casa “é uma aberração” e que não vê a hora de a pandemia acabar.

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“Para uma empresa como a nossa, que está dentro de uma cultura de aprendizagem colaborativa e inovadora, isso não é o ideal. E não pode ser um novo normal. Vamos corrigir o mais rápido possível”, ele disse.

O Google também vai na contramão do “novo normal”. Recentemente, a empresa anunciou que pretende investir mais de US$ 7 bilhões em escritórios e data centers em 19 estados norte-americanos.

“O tema virou um papo de torcedor, quase um ‘Fla-Flu’”, resume Alexandre Rodrigues, gestor de Fundos Imobiliários e sócio da Rio Bravo. “Tem os que gostam do home office e os que não gostam do home office”, ele diz.

Rodrigues é um dos convidados do FII Summit, evento organizado pela EQI Investimentos, TD e Clube FII, que acontece entre os dias 13 e 15 de abril. E adiantou algumas ideias que estarão em discussão nos painéis apresentados.

Home office é o fim dos escritórios?

Para Rodrigues, o que deve resultar da disputa escritório x home office é um meio termo: o modelo híbrido. E que isto, de maneira alguma, significará o fim dos escritórios.

“A história da IBM para mim é muito ilustrativa. É uma empresa que, muito antes da pandemia, em 2016 e 2017, incentivou o trabalho remoto. Mas, depois, fez o caminho inverso, de trazer as pessoas de volta para o escritório. Por quê? Porque ela percebeu que produtividade não é tudo. Com o home office, o funcionário tem, sim, mais tempo. Mas o escritório permite criatividade, troca livre de ideias, algo que é muito relevante, especialmente para uma empresa de tecnologia”, afirma.

Ele chama a atenção ainda para o cenário de locação de imóveis ao redor do mundo pelo grupo chamado de FAANG – Facebook, Amazon, Apple, Netflix e Google, ou seja, as gigantes de tecnologia.

Por sua relevância, elas são sempre tidas como referência para as demais empresas. E, no pós-Covid, têm planejado um aumento expressivo em suas áreas locadas, como mostra o mapa abaixo. “O escritório, para essas empresas, é o local para fortalecer a marca, criar interações espontâneas entre as áreas, criar um ambiente livre para que as ideias floresçam”, avalia.

home office

Reprodução/Rio Bravo

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Reprodução/Rio Bravo

Oportunidade nos FIIs de lajes corporativas

Isto não quer dizer, no entanto, que os escritórios não sentiram o baque da crise. Sentiram e muito. Tanto que a taxa de vacância em São Paulo subiu de 13% para 17%.

Mas Rodrigues avalia que o impacto é de curto prazo. “Nós olhamos um período de dez anos, em que a demanda deve crescer bastante por lajes corporativas”, afirma. “Particularmente, continuamos bem otimistas”, conclui.

Para os investidores, o momento é de oportunidade. Ele diz que, por conta do ceticismo com as lajes corporativas, os FIIs vêm sendo negociados com descontos de 15% a 20% sobre o valor patrimonial. E isto pode ser uma boa porta de entrada aos interessados na modalidade de investimento.

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