Como ficam os investimentos com Selic a 9,25%?

Felipe Moreira
Editor na EuQueroInvestir, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional.
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Crédito: studiogstock/ Freepik

Com a elevação da taxa básica de juros (Selic) para 9,25% ao ano e a previsão de outro ajuste de 1,5 ponto percentual, o mercado deve continuar olhando com bons olhos a renda fixa. Neste cenário, o que investidor pode fazer para se proteger é conseguir boas taxas de CDI, porque Selic subindo, CDI sobe junto.

Bons títulos de inflação e CDBs ou debêntures que pagam IPCA+ são boas opções, tendo em vista que a inflação deve continuar preocupando.

Vale lembrar que a rentabilidade dos investimentos deve ser sempre acima da inflação ou atrelada a ela (no caso de títulos e CDBs, por exemplo). Caso contrário, toda a rentabilidade será perdida.

No entanto, é importante entender que uma carteira equilibrada não foca apenas em um tipo de ativo. É preciso “distribuir os ovos em mais cestas”, como estratégia de defesa e diversificação, equilibrando o desempenho dos ativos.

Para ajudar você na escolha do investimento correto, apresentamos este artigo. Nele, você encontrará a definição das diferentes aplicações disponíveis na renda fixa. Dessa forma, poderá montar um portfólio convergente com seus objetivos e perfil.

Quais são as modalidades de investimento em renda fixa?

Existem pelo menos três modos de rentabilidade ao contratar um investimento em renda fixa. Acompanhe a seguir uma melhor explicação de cada um deles.

Pré-fixado

Nesse tipo de investimento em renda fixa, a rentabilidade já é conhecida no momento que se faz a aplicação. Sendo assim, não há variações ou ganhos adicionais. Um título que é adquirido com uma taxa pré-fixada de 10% ao ano entregará exatamente isso ao final do período contratado.

Pós-fixado

Já em uma aplicação pós-fixada, o rendimento final não é totalmente conhecido. Isso acontece quando o título em questão está atrelado a algum indicador financeiro, como o CDI ou a taxa Selic. Sendo assim, haverá variações “no meio do caminho” até que ocorra o vencimento do título. Se a taxa referenciada subir, o rendimento sobe. Se descer, o rendimento diminui.

Híbrido

Por fim, temos o modelo híbrido. Nessa modalidade, parte da rentabilidade é previamente conhecida, enquanto a outra parte é atrelada a algum índice de referência. Títulos desse tipo costumam expressar seu rendimento na forma IPCA + 5%, por exemplo. Isso indica que lucro auferido será de 5% somado à variação do IPCA, que representa a inflação.

Quais são os principais tipos de investimento em renda fixa?

Existem diversos títulos no mercado de renda fixa. Cada um deles tem as suas próprias características e atende a objetivos diversos. Acompanhe a seguir uma melhor explanação a respeito das principais opções existentes para investir em renda fixa.

Poupança

Com a elevação da Selic, a poupança será diretamente afetada, voltando a valer a regra antiga: 0,5% ao mês, mais a taxa referencial (TR), hoje zerada. Ainda assim, no entanto, ela não vale a pena: isso porque enquanto poupança renderá 6% ao ano, a inflação deverá superar os dois dígitos.

Certificado em depósito bancário

Esse título é mais conhecido por sua sigla: CDB. Trata-se de um papel emitido por instituições bancárias. Nessa modalidade de aplicação, o investidor empresta seu dinheiro a um banco e, como contrapartida, recebe um título que expressa o pagamento futuro da dívida acrescida de juros. Geralmente, a rentabilidade de um CDB é atrelada ao CDI, sendo expressa como um percentual deste.

Essa é uma estratégia de captação de recursos que é permitida aos bancos para financiar a expansão de suas atividades. Quem decide participar disso tem como recompensa o recebimento de um valor maior do que emprestou. Vale observar que normalmente a rentabilidade oferecida nos CDBs de bancos de menor porte costuma ser mais atraente que os bancos já estabelecidos no mercado há muito tempo.

Letra de crédito

As letras de crédito também são títulos emitidos por instituições financeiras, sobretudo os bancos. Tratam-se de papéis voltados a uma aplicação específica. Isso quer dizer que o dinheiro captado pelas instituições precisa obrigatoriamente ser destinado a um fim em especial, a depender do tipo de letra de crédito.

Nesse sentido, podemos destacar as duas modalidades existentes: a primeira delas é a letra de crédito imobiliário, ou LCI. Os recursos captados por ela devem ser aplicados exclusivamente em operações de crédito para a construção de imóveis. Já o segundo tipo é a letra de crédito do agronegócio. Essa modalidade capta recursos para financiar a expansão do agronegócio brasileiro. A aplicação em qualquer tipo de letra de crédito é isenta do pagamento de imposto de renda.

Tesouro Direto

O investimento em Tesouro Direto ganhou muita popularidade nos últimos anos dada sua maior segurança. Isso acontece porque os títulos existentes na plataforma são emitidos pelo Governo Federal. Dessa forma, o risco de inadimplência é muito baixo, fazendo com que essa modalidade ganhasse força frente à poupança.

Essa é uma prática comum nos governos de todos os países. Sempre que há necessidade de captar recursos, o governo pode emitir novos títulos e colocá-los à disposição do público em geral. No Brasil, existem três tipos de papéis que podem ser adquiridos na plataforma: Tesouro Prefixado, Tesouro IPCA+ e Tesouro Selic. O título deve ser escolhido de acordo com o objetivo de cada investidor.

Certificado de recebíveis

Semelhante ao que acontece com as letras de crédito, os certificados de recebíveis também são isentos do pagamento de imposto de renda sobre o lucro auferido. A diferença entre eles fica por conta da instituição emissora: enquanto nas letras quem emite são os bancos, nos certificados o emissor são as securitizadoras (não confunda com seguradoras, pois são diferentes).

Outro ponto em comum com as letras é que os certificados existem em duas modalidades. Os certificados de recebíveis imobiliários ― CRI ― destinam seus recursos captados ao setor imobiliário. Já os certificados de recebíveis do agronegócio ― CRA ― suportam as operações voltadas ao campo.

Fundos de renda fixa

Em se falando de renda fixa, existe também a opção de aplicar via fundo de investimento. Essa modalidade consiste em um condomínio de investidores com um mesmo propósito. Todos investem seu dinheiro no fundo que conta com toda uma estrutura profissional para fazer o gerenciamento do capital. Logicamente, a destinação dos recursos é voltada à títulos de renda fixa, como os que foram explicados ao longo do texto.

Uma grande vantagem de investir via fundo é justamente contar com o aparato de profissionais para fazer a alocação do dinheiro. Entre eles, podemos destacar a administradora do fundo e o gestor profissional. O primeiro faz todo o cálculo de cotas, resgates e aplicações. Já o segundo é responsável por executar a política de investimentos do fundo e buscar o melhor retorno para os cotistas.

Investir em renda fixa é ter previsibilidade de retorno na carteira de investimentos. Ao ter parte dos recursos investidos em títulos dessa modalidade, é possível ter um planejamento mais assertivo. Com a alta recente da Selic, vários papéis se tornaram bem atrativos. Pode ser uma atitude muito inteligente pesquisar as boas ofertas que existem no mercado. Com as opções apresentadas aqui, é possível construir um ótimo portfólio.