CRI e CRA: renda fixa pode ser mais arriscado do que ações

Felipe Moreira
Especialista em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 7 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.

Com a Selic na minima histórica, o investidor precisa buscar alternativas mais rentáveis para multiplicar o seu capital. Nesse sentido, o CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários) e CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) são opções bem atrativas. Conheça as aplicações que são de renda fixa, pagam mais e são livres de IR. É preciso, porém, atenção, quanto ao risco.

CRI e CRA

Os certificados de recebíveis são títulos emitidos por sociedades securitizadoras oriundos de créditos a receber de empreendimentos imobiliários ou agrícolas. Em outras palavras, as securitizadoras transformam os recebíveis em títulos de renda fixa.

A diferença entre os dois consiste na origem dos créditos. No caso da CRI, são direitos creditórios do setor imobiliários e, na CRA, de empréstimos do agronegócio.

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Rentabilidade

Normalmente são ativos de longo prazo e apresentam rendimentos superiores aos seus pares no setor bancário (LCI-Letra de Crédito Imobiliário e LCA- Letra de Crédito Agronegócio).

A remuneração pode ser indexada ao CDI, IPCA ou ter uma taxa prefixada. A escolha do melhor indexador vai depender da estratégia abordada pelo investidor, projeções macroeconômicas e horizonte de investimento.

A opção pela rentabilidade atrelada ao CDI se beneficia em cenário de alta de juros. Mas, no cenário oposto a melhor estratégia é prefixar a remuneração da aplicação.

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Tanto o CRI quanto o CRA possuem incentivo fiscal. Portanto, são isentos de imposto de renda sobre os rendimentos. Esse benefício coloca o investimento em recebíveis a frente dos demais em termos de rentabilidade.

Riscos

Mesmo sendo aplicações de renda fixa, o CRI e CRA podem ter risco mais elevado do que o investimento em ações. Isso acontece em razão do risco de crédito, ou seja,  de não pagamento por parte do emissor. vale lembrar que não possuem garantia do Fundo Garantidor de Crédito.

Desta forma é fundamental observar o rating de cada instituição, para evitar futuros transtornos. Uma vez que agências como a Fitch e Moodys avaliam a probabilidade de calote da empresa.

O CRI e o CRA são títulos emitidos para longo prazo, o que pode acarretar no risco de mercado caso o investidor decida desfazer do papel antes no vencimento. Em outras palavras, o investidor pode não encontrar comprador para seu título pelo preço justo.

Então, por causa desses motivos, a alocação nesses ativos de renda fixa pode ser mais arriscados do que o investimento em ações.

Investindo em CRI e CRA

Hoje em dia, já é possível realizar aportes com baixo capital nessa modalidade de investimento, antigamente restrita aos grandes investidores. Isso ocorreu por causa da crescente emissão de CRI e CRA.

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