Fundos de Investimento: entenda o que são e como funcionam

Karin Barros
Jornalista com atuação nos dois principais jornais impressos da Grande Florianópolis por quase 10 anos. Costumo dizer que sou viciada em informação, por isso me encantei com a economia, que une tudo de alguma forma sempre. Atualmente também vivo intensamente o mundo da assessoria de imprensa e do PR.
1

Os fundos de investimento têm atraído cada vez mais investidores que buscam por alternativas mais rentáveis no mercado. Com uma gestão ativa e altamente qualificada, as gestoras conseguem atrelar diversificação, rentabilidade e segurança em seu portfólio. Algumas chegam a entregar rentabilidades acima do CDI e do índice Bovespa.

Mas você sabe como funcionam os fundos de investimento? Neste artigo, você vai aprender o que são os fundos. Além disso, saberá as vantagens, classes e riscos.

Simule seus investimentos com um especialista e confira as melhores opções de acordo com seu perfil

Assim, até o final da leitura, você poderá escolher o fundo que mais se adeque ao seu estilo.

O que são os fundos de investimento?

Fundo de investimento é uma modalidade de investimento coletivo. Em resumo, é uma comunhão de recursos sob forma de um condomínio. Nele, os cotistas têm o mesmo interesse e objetivos ao investir.

Assim, quando você investe em um fundo de investimento, você está comprando cotas do mesmo.

Fazendo uma analogia, é como se você tivesse comprando um apartamento dentro de um condomínio. Este apartamento pode se valorizar e posteriormente você vendê-lo com lucro.

O capital investido por cada investidor (cotista) é somado aos recursos do outro investidor para, em conjunto, ser investido no mercado. Assim, tem todos os benefícios dos ganhos de escala, da diversificação de risco e da liquidez das aplicações.

No momento que você investe em um fundo, você está delegando a gestão e administração dos seus recursos a uma equipe de profissionais qualificados. São eles que alocarão estes valores dentro das regras definidas pelo regulamento do fundo.

A indústria brasileira de fundos fechou 2020 com uma marca histórica de R$ 6 trilhões de patrimônio líquido. Esses dados foram compilados pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades do Mercado Financeiro e de Capitais).

Para você ter uma noção da marca, o montante representa 80% do PIB. Ou seja, o bom desempenho mostra a robustez do segmento e a confiança dos investidores.

Vantagens de fundos de investimento

Acessibilidade

Antigamente, muitos investimentos (CDB, LCI, LCA) com rentabilidade acima de 100% do CDI somente estavam disponíveis para investidores com alto potencial de aporte. Hoje em dia, já é possível achar boas opções com baixo valor inicial.

Ainda assim, os fundos têm longo histórico de acessibilidade. É possível investir em fundos com taxas de rentabilidade acima do CDI com aportes iniciais de R$ 1.

A seguir, alguns exemplos:

Cases da Bolsa

Aprenda análise fundamentalista de ações na prática, com maiores cases já criados na B3

Exemplos de Fundos de Investimentos e suas Rentabilidades

Rentabilidade

Em primeiro lugar, a rentabilidade chama a atenção do investidor. É o principal motivo que move os investidores a alocarem recursos em fundos de investimento.

Para os conservadores, é possível obter retornos próximos a 130% do CDI em fundos de crédito privado com baixa volatilidade.

Já para quem tem um perfil moderado ou agressivo, os fundos conseguem superar o desempenho do índice Bovespa. Claro, se optar por um bom gestor que tenha uma carteira diversificada e com gestão ativa.

Gestão Profissional

Além da rentabilidade, terceirizar a uma equipe especializada a gestão do capital é outra vantagem. Ou seja, os fundos permitem que você tenha os recursos investidos por profissionais com anos de experiência de mercado.

Em resumo, você deve saber o básico do investimento, mas o profissional terá um conhecimento amplo sobre o assunto.

Diversificação

Os gestores conseguem reduzir os riscos através da alocação  de recursos entre vários investimentos e setores.

No caso de um fundo de ações, faz-se uma carteira composta por diversos papéis não correlacionados.

Já no caso de fundos de crédito privado, a equipe seleciona empresas de setores distintos para mitigar o risco específico setorial.

Segurança

O mercado de fundos é regulado e fiscalizado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) que é uma instituição não ligada a nenhuma gestora ou instituição financeira.

Liquidez

É muito comum utilizar alguns tipos de fundos como uma reserva de emergência. Ou seja, um investimento semelhante a tradicional poupança onde você deixa os recursos com resgate imediato.

Transparência

Todos os fundos devem ter em seu regulamento a política de investimento, o grau de risco e a exposição da carteira em determinados ativos.

Este documento é disponibilizado no site da CVM e pode ser consultado por qualquer investidor.

Classe de fundos de investimento

A Anbima divide a indústria de fundos em 10 classes. A seguir, colocamos a divisão:

  1. Renda Fixa
  2. Ações
  3. Multimercados
  4. Cambial
  5. Previdência
  6. ETF
  7. FIDC – Fundo de Investimento em Direito Creditório
  8. FIP – Fundo de Investimento em Participações
  9. FII – Fundo de Investimento Imobiliário
  10. Off Shore

Iremos nos aprofundar nos três primeiros que são os mais comumente utilizados para investimentos financeiros. Além deles, os fundos de previdência também são bastante utilizados. Agora, se chegou ao artigo buscando informações sobre Fundos Imobiliários, leia aqui.

Vale lembrar que nas três classes que iremos estudar mais a fundo, existem subdivisões. Mas não se preocupe: também iremos abordá-las.

Fundos de renda fixa

São fundos que investem no mínimo 80% do patrimônio líquido em ativos de renda fixa expostos a variação da taxa de juros (CDI) ou a um índice de preços (IMAB), ou ambos.

Referenciados DI

Os fundos referenciados DI têm uma política de alocação de 95% do patrimônio em ativos que acompanham, direta ou indiretamente, o CDI.

Ou seja, são fundos que terão um retorno próximo dos 100% do CDI.

Pela carteira ser conservadora, em geral a volatilidade é baixa.

Inflação

Também conhecidos como fundos IMA-B, chamados assim pois tomam como referência o índice de renda fixa IMA-B. Este representa o desempenho de uma carteira de títulos públicos federais atrelados à inflação.

Ou seja, estes fundos buscam um rendimento semelhante aos títulos públicos IPCA+ (NTN-B).

Por isso, essa subclasse de fundos é muito mais arriscada que os fundos Referenciados DI. Assim, possuem maior volatilidade.

Crédito privado

Por fim, temos os fundos de Crédito Privado, os quais investem em direitos de crédito de empresas com alto grau de investimento.

Os fundos podem diversificar entre títulos públicos e títulos de empresas. Além disso, a diversificação ocorre também na exposição setorial

Deste modo, o fundo consegue obter um retorno consistente.

Fundos multimercados

É a categoria dos fundos de investimento que tem como política de investimento a não necessidade de concentração do patrimônio em determinado ativo.

A equipe de gestão do fundo pode alocar os recursos tanto em ativos de renda-fixa, ações, moedas, entre outros, desde que respeitando o regulamento.

Macro

São fundos que tem como estratégia a alocação de recursos com base em fundamentos macroeconômicos. São eles: bolsa de valores, taxa de juros, câmbio, investimento internacional, entre outros.

São investimentos que vão almejar um retorno muito acima do CDI, porém com maior volatilidade na carteira.

Crédito estruturado

São muito semelhantes aos fundos de Crédito Privado apresentados anteriormente, porém tem uma política de alocação mais sofisticada.

Eles investem em crédito de empresas tanto diretamente como por meio de FIDCs (Fundo de Investimento de Direito Creditórios).

Por isso, na escolha deste investimento é fundamental analisar a carteira do fundo, verificar a diversificação setorial para mitigar o risco.

Investimento no exterior

A última classe dos fundos multimercados que iremos tratar são os de Investimento Exterior. Estes buscam rentabilizar os investidores com alocações no mercado internacional.

A maioria destes não tem exposição cambial, eles utilizam de estratégias do mercado financeiro para trocar a variação dos índices – Dólar e CDI.

Estes fundos podem ser de renda fixa global ou fundos que buscam replicar a rentabilidade de algum índice internacional, como o S&P 500.

Assim, a volatilidade do fundo pode ser muito semelhante à volatilidade do índice que ele segue.

Fundos de ações

Esta é a classe mais arrojada dos fundos de investimento. Os fundos de ações direcionam no mínimo 67% do seu patrimônio exclusivamente para ações negociadas na bolsa de valores.

Deste modo, o seu rendimento está intimamente ligado a capacidade da equipe de gestão na escolha correta dos ativos.

Aqui é onde podem estar os maiores ganhos e os maiores riscos!

Direcional

São os fundos que tem a carteira comprada em ações de acordo com a estratégia que o gestor utiliza, podendo ser esta uma estratégia com base em uma análise fundamentalista, técnica, de valuation, entre outros.

Estes fundos buscam acompanhar/superar o Índice Bovespa (alta correlação).

Long short

Podem também estar na classe dos Multimercados. Coloco ele na classe de ações pois estes fundos utilizam a estratégia Long Short, a qual busca rentabilizar a operação através de distorções encontradas no mercado acionário.

Long Biased

Também podendo ser encontradas na classe dos Multimercados, esses fundos lançam mão de estratégias que lhes permitem ganhar com a alta e com a queda no preço das ações. Tudo depende da estratégia e qualidade da equipe de gestão do fundo.

Personagens dos fundos de investimento

Existem cinco agentes na estrutura de um fundo de investimento, são eles:

Administrador

Administrador

Responsável legal pelo funcionamento do fundo.

Controla todos os prestadores de serviço e deferente os interesses dos cotistas. Fazendo uma analogia, é como se fosse o administrador da empresa.

Custodiante

Custodiante

Responsável pela “guarda” dos ativos do fundo, é onde está guardado do dinheiro do fundo (é o cofre do fundo).

Distribuidor

Distribuidor

Responsável pela venda das cotas do fundo, hoje em dia quem faz esse papel são as corretoras de investimentos.

Gestor

Gestor e gestores

Responsáveis pela compra e venda dos ativos do fundo – geralmente composta por uma equipe de especialista do mercado financeiro. São os profissionais dedicados a rentabilizar os recursos do fundo.

Auditor Independente

Auditor Independente

Profissional responsável por auditar as contas do fundo pelo menos uma vez ao ano.

Risco dos fundos de investimento

Existem três grandes riscos de investimento fundos de investimentos:

Risco de Mercado

Este risco está ligado a capacidade da equipe de gestão na correta escolha dos ativos.

Por exemplo, é a queda das ações escolhidas por um gestor do fundo de ações; a queda dos Juros que rentabiliza os fundos de renda fixa atrelados à inflação, entre outros.

É um risco que pode ser controlado com uma carteira diversificada.

Risco de Crédito

É a capacidade de pagamento dos ativos em que o fundo está aplicando. Ou seja, é a possibilidade de não pagamento das Debêntures, CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários), CRA que os fundos de Crédito Privado alocam os recursos.

Muitos fundos de renda fixa e até multimercados investem o patrimônio em títulos públicos, diz-se que o risco de crédito é baixo pois quem garante o pagamento é o próprio governo.

Risco do custodiante

É o menor risco dos três, pois é a possibilidade do custodiante (cofre) do fundo falir. Por isso, é fundamental o administrador do fundo optar por banco sólidos para guardar os recursos.

Tributação dos fundos de investimento

Como regra geral, a tributação nos fundos de investimento ocorre de acordo com a tabela regressiva de Imposto de Renda, a alíquota vai diminuindo de acordo com o aumento do prazo:

  • Até 6 meses: 22,5% sobre o rendimento
  • De 6 meses a 1 ano: 20% sobre o rendimento
  • De 1 a 2 anos: 17,5% sobre o rendimento
  • Acima de 2 anos: 15% sobre o rendimento

Porém, existem algumas exceções, se o fundo for de curto prazo (deve estar descrito em sua denominação), os quais tem em sua carteira ativos com prazo médio igual ou inferior a 60 dias, a tributação é a seguinte:

  • Até 6 meses: 22,5% sobre o rendimento
  •  Acima de 6 meses: 20% sobre o rendimento

Já se for um fundo de investimento em ações, a alíquota é de 15% e ocorre somente no resgate.

Além disso, o fundo tem uma peculiaridade em sua tributação: o come cotas. Ele funciona como um adiantamento (parcelamento) do Imposto de Renda.

Ao invés do imposto ser cobrado somente no resgate, ele é cobrado de seis em seis meses, sempre no último dia útil de maio e novembro na alíquota de 15% com exceção dos fundos de curto prazo que é de 20%.

Quando ocorre o desconto do imposto, a quantidade de cotas que o investidor tem diminui, por isso do nome come cotas. Os fundos de ações não têm come cotas.

Taxas dos fundos de investimento

Os fundos têm taxas para remunerar os prestadores de serviço citados acima (gestor, administrador, custodiante, entre outros). Porém, vale ressaltar que a rentabilidade divulgada é sempre líquida de taxas.

Por este motivo, na escolha de um fundo de investimento deve-se olhar sempre a rentabilidade e não as taxas cobradas pelo mesmo.

Vale mais a pena pagar 3% de administração e ter um retorno de 130% do CDI do que pagar 0,5% e ter um retorno de 76% do CDI.

Existem duas principais taxas que os fundos cobram.

Taxa de Administração

Percentual pago pelos cotistas de um fundo para remunerar todos os prestadores de serviço. É uma taxa expressa ao ano calculada e deduzida diariamente. Afeta o valor da cota.

Taxa de Performance

Percentual cobrado do cotista quando a rentabilidade do fundo supera a de um indicador de referência.

Para os fundos de renda fixa e multimercados o indicador geralmente é o CDI e para os fundos de ações o índice Bovespa.

A metodologia utilizada para calcular a taxa de performance é chamada Linha d’água e a cobrança é semestralmente.

Conclusão

Agora, munido de todas as informações necessárias, o próximo passo é iniciar as alocações em fundos de investimentos.

Busque a ajuda de um especialista e procure por gestoras independentes. Em geral, elas têm uma gestão ativa de carteira a qual entregará melhores resultados.

Se quer conhecer as opções do mercado, é simples. Basta preencher o formulário abaixo e conversar com um assessor de investimentos.