Taxa Selic: para que serve e como funciona a taxa básica de juros do Brasil

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.
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Crédito: Divulgação

A taxa Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira. Ela é definida pelo Comitê de Política Monetária (COPOM) a cada 45 dias, e serve de referência para todo o mercado financeiro.

Atingir um patrimônio de R$ 100 mil é para poucos, o que amplia o desafio de busca pelas melhores aplicações para multiplicá-lo

Neste artigo, além de entender o que é a Selic, você verá como ela influencia não só os investimentos, mas também toda a sua vida, já que é dela que deriva o custo do dinheiro em nosso país. Acompanhe a leitura!

O que é a taxa Selic?

A taxa Selic é a taxa básica da economia brasileira. Ela serve de referência para os títulos do tesouro, aqueles títulos que são vendidos através do Tesouro Direto.

Ou seja, é a taxa que o governo paga para quem “empresta dinheiro” a ele. Vejamos como isso funciona na prática.

Basicamente, o governo financia as suas atividades por meio da arrecadação fiscal e de empréstimos. Nesse sentido, os títulos públicos são uma das formas de o poder público obter esses empréstimos. E a taxa Selic é a referência de rendimento para esses títulos.

Taxa Selic e CDI

A taxa Selic e o CDI estão diretamente relacionados, e têm valores muito próximos. Veja por que isso acontece.

Por determinação do Banco Central, todas as instituições financeiras são obrigadas a fechar o caixa diário com saldo positivo. No entanto, bancos que realizaram mais empréstimos do que aplicações poderão ter caixa negativo no final do dia.

Nessa situação, os bancos com caixa negativo precisarão recorrer a instituições financeiras com sobra de caixa para cobrir a falta de recursos. Dessa forma, são feitos empréstimos de curtíssimo prazo, somente para evitar que o caixa fique a descoberto. Esses empréstimos entre os bancos são lastreados por títulos públicos que, por sua vez, são remunerados pela Selic.

O nome CDI (Certificado de Depósito Interbancário) vem justamente dessas transações diárias que os bancos fazem. Pelo fato delas serem lastreadas por títulos públicos, que rendem a Selic, o custo dessas transações também reflete a taxa básica.

Em outras palavras, a Selic é calculada a partir dos juros médios cobrados pelos bancos nessas transações. Por isso, CDI e Selic têm valores muito próximos e se movimentam na mesma direção.

Taxa Selic e inflação

Um dos principais instrumentos (se não o principal) que o governo possui para o controle da inflação é a taxa Selic.

Em tempos de desaceleração econômica, para promover a produção e estimular o consumo, o governo baixa a taxa de juros. Com o dinheiro mais barato, as pessoas gastam mais e voltam a movimentar a economia.

Por outro lado, quando há excesso de dinheiro em circulação, pode acontecer que a demanda por consumo se torne superior à oferta de bens e serviços disponíveis. Nessa situação, os preços são pressionados para cima, o que aumenta a inflação.

Quando isso ocorre, uma das ações tomadas pelo governo é o aumento da taxa de juros. Dessa forma, tem-se o oposto da situação anterior. Ou seja, o dinheiro mais caro desestimula os gastos e ajuda a conter a alta dos preços.

No entanto, é importante saber que existem outros fatores que influenciam a inflação. No artigo abaixo, entenda as causas e efeitos da inflação na economia.

Como ganhar mais do que a Selic?

Recentemente, o COPOM interrompeu uma trajetória de quase seis anos de queda da Selic. Isso porque, em março de 2021, a taxa básica de juros subiu 0,75%, passando a 2,75% ao ano. E a expectativa é de que a alta continue, ao menos até o final do ano.

No entanto, por mais que a Selic suba, ainda ficará muito distante do patamar de anos atrás, quando a tínhamos em dois dígitos. Dessa forma, as chances de maiores ganhos ainda estão nos investimentos de renda variável.

Veja no artigo abaixo a opinião de nossos especialistas sobre o efeito da recente alta dos juros na bolsa de valores e no longo prazo.