Bolsa perde 0,14%, após muita volatilidade, na contramão de Nova York

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Arte / EQI

A bolsa de valores recuou mais um pouco nesta quinta-feira (5): perdeu 0,14%, ficando com 121.632,92 pontos. O índice nacional foi no sentido inverso de Wall Street, cujos principais índices comemoraram um dia de ganhos, com todos azul.

O Ibovespa hoje começou no azul, passou a despencar e, então, fechou perto do zero a zero. De pano de fundo, para o desempenho da bolsa, estão os ruídos em Brasília – entre o Palácio do Planalto, o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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Em meio a tudo isso, houve a sinalização do Comitê de Política Monetária (Copom) de que uma nova alta da taxa Selic deverá ocorrer na próxima reunião, o que ampliou as curva de juros e fez o dólar avançar.

No mais, na Câmara dos Deputados, os parlamentares aprovaram o texto-base do projeto de privatização dos Correios, por 286 votos a 173 – na realidade, dos serviços postais, que é o que resta de monopólio estatal na companhia. A proposta agora vai para apreciação do Senado Federal.

Dessa forma, o Ibovespa apresentou na mínima 121.128,39 pontos (-0,55%); e na máxima, 123.540,76 pontos (+0,008%).

O volume financeiro negociado foi de R$ 38,200 bilhões.

Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:

  • segunda-feira (2): +0,59% (122.515,74 pontos)
  • terça-feira (3): +0,87% (123.576,56 pontos)
  • quarta-feira (4): -1,44% (121.801,21 pontos)
  • quinta-feira (5): -0,14% (121.632,92 pontos)
  • semana: -0,14%
  • agosto: -0,14%
  • 2021: +2,19%

Juros

  • D1F22: +0,12 p.p. para 6,49%
  • D1F23: +0,27 p.p. para 8,20%
  • D1F24: +0,29 p.p. para 8,84%
  • D1F25: -0,30 p.p. para 9,12%
  • D1F26: +0,33 p.p. para 9,29%
  • D1F27: +0,35 p.p. para 9,46%
  • D1F28: +0,27 p.p. para 9,50%
  • D1F29: +0,37 p.p. para 9,68%
  • D1F30: -0,03 p.p. para 9,42%
  • D1F31: +0,38 p.p. para 9,85%

Dólar

O dólar avançou nesta quinta. A moeda norte-americana ganhou 0,57% e passou a valer R$ 5,2156.

  • segunda-feira (2): -0,86% a R$ 5,1653
  • terça-feira (3): +0,53% a R$ 5,1927
  • quarta-feira (4): -0,13% a R$ 5,1858
  • quinta-feira (5): +0,57% a R$ 5,2156
  • semana: +0,24%

Euro

  • segunda-feira (2): -0,75% a R$ 6,1408
  • terça-feira (3): +0,37% a R$ 6,1633
  • quarta-feira (4): -0,76% a R$ 6,1163
  • quinta-feira (5): +0,94% a R$ 6,1740
  • semana: -0,20%

Criptomoedas*

  • Bitcoin: +4,77% a R$ 213.870,57
  • Ethereum: +5,24% a R$ 14.601,25
  • Tether: +1,89% a R$ 5,22
  • Cardano: +1,72% a R$ 7,24
  • Binance: +2,71% a R$ 1.762,48

*(variação nas últimas 24h – corte: 17h)

Bolsa em Nova York e cenário mundial

Os principais índices de ações dos EUA subiram, com os dados positivos do seguro-desemprego no país.

Os novos pedidos de seguro-desemprego nos EUA ficaram em 385 mil na semana finalizada em 31 de julho. A projeção do mercado era por 384 mil reivindicações, ante 399 mil da semana passada (revisado de 400 mil).

O dado ganha relevância à medida que o Federal Reserve (Fed) considera os dados sobre emprego fundamentais para promover o tapering (retirada de estímulos econômicos).

O banco central norte-americano vem afirmando que o pleno emprego só será alcançado em 2022 e, até lá, a economia demanda estímulos. No entanto, cresce entre os membros do Fed o discurso de que o tapering pode ser anunciado já em setembro, começando a partir de outubro.

Ontem (4), a pesquisa ADP, considerada uma prévia do payroll (folha de pagamentos oficial norte-americana), decepcionou, apontando a criação de 330 mil vagas no setor privado, quando o mercado aguardava por muito mais. O payroll sai na sexta (6) e a expectativa gira em 900 mil novos postos de trabalho.

“Esse será o grande evento da semana, pois tem muitas implicações diretas sobre o que o Fed fará. A leitura de amanhã (do relatório oficial de emprego) e a de setembro são críticas para os formuladores de políticas decidirem sobre a redução, o momento e o ritmo disso”, disse Angelo Kourkafas, estrategista de investimentos da Edward Jones, à CNBC.

As ações da Ásia-Pacífico ficaram sem direção definida, em meio à incerteza sobre a política chinesa e ao rápido crescimento das infecções por Covid-19 na região. A Indonésia virou o epicentro da pandemia, com uma média de 1,5 mil mortos diários recorrentes, há mais de uma semana.

Na Europa, o Banco da Inglaterra deixou sua política monetária inalterada hoje, mas alertou sobre a inflação mais pronunciada no curto prazo.

Os formuladores de políticas votaram por unanimidade para manter a principal taxa de empréstimo em uma baixa histórica de 0,1%, onde tem estado desde março de 2020, e dividiram os votos em 7-1 a favor da manutenção do programa de flexibilização quantitativa em £ 895 bilhões.

O banco central também elevou suas projeções de inflação, o que era esperado por economistas.

Nova York

  • S&P: +0,60%
  • Nasdaq: +0,78%
  • Dow Jones: +0,78%

Europa

  • Euro Stoxx 600 (Europa): +0,39%
  • DAX (Alemanha): +0,33%
  • FTSE 100 (Reino Unido): -0,05%
  • CAC (França): +0,52%
  • IBEX 35 (Espanha): +0,50%
  • FTSE MIB (Itália): +0,69%

Ásia e Oceania

  • Shanghai (China): -0,31%
  • SZSE Component (China): -0,79%
  • China A50 (China): -0,71%
  • DJ Shanghai (China): -0,38%
  • Hang Seng HSI (Hong Kong): -0,84%
  • SET (Tailândia): -1,18%
  • Nikkei (Japão): +0,52%
  • ASX 200 (Austrália): +0,11%
  • Kospi (Coreia do Sul): -0,13%

Brasil: ambiente político e econômico

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) anunciou ontem (4) a elevação da taxa Selic de 4,25% para 5,25% ao ano.

Em meio ao aumento da inflação, o BC subiu novamente os juros básicos da economia.

O mercado já aguardava pelo aumento da Selic. Dessa forma, a decisão de hoje não surpreendeu os analistas financeiros. Esperava-se em média uma elevação para 5,25% ao ano justamente pelo cenário de aumento de inflação.

Como justificativa para a decisão, o Copom citou, além da pressão inflacionária, sinais de recuperação da economia — mas alertou para o risco fiscal e incertezas em relação aos rumos da pandemia.

Ou seja, ficou tudo dentro do esperado.

“A alta já era esperada diante da perspectiva do avanço da inflação no Brasil”, disse Paloma Brum, economista e Analista de investimentos na Toro. “Enquanto observamos que o IPCA (inflação oficial do país) acumula um salto de 8,35% nos últimos 12 meses até junho, estima-se que o indicador deve chegar a 6,79% no final de 2021, segundo a mediana do Relatório Focus. Dessa forma, o Copom está relativamente atrasado (ou seja, está atrás da curva) para manter a inflação sob controle e, por isso, precisa realizar uma normalização mais acelerada da Selic, o que já começou após a última reunião e deve se estender nas próximas decisões, fazendo com que a Selic suba para um patamar próximo de 8%”.

Ela também ressalta que, “no comunicado oficial, os membros do Comitê reiteraram que o ajuste também abrange a percepção de que a piora em componentes dos índices de preços, impulsionada pela reabertura do setor de serviços e mais à frente potencialmente pela elevação nas tarifas de energia, poderia causar mais deterioração das expectativas de inflação”.

Se o Copom tratou de deixar os agentes de mercado tranquilos, sem surpresas, o mesmo não se pode dizer do âmbito político nacional.

O presidente Bolsonaro fez mais uma ameaça à ordem democrática brasileira. Sim, o presidente da República do Brasil está tornando corriqueiras ameaças à democracia do seu próprio país.

Hoje, ele voltou a criticar o presidente do TSE. Barroso é acusado pelo mandatário de estar “ultrapassando limites”. Bolsonaro também acusou o ministro do STF Alexandre de Moraes de atuar fora dos limites da Constituição, ao permitir que ele seja investigado no inquérito das fake news.

“O ministro Alexandre de Moraes abriu um inquérito de mentira, me acusando de mentiroso. É uma acusação gravíssima. Ainda mais num inquérito sem qualquer embasamento jurídico. Não pode começar por ele. Ele abre, apura e pune? Sem comentários. Isso está dentro das quatro linhas da Constituição? Não está. Então, o antídoto não está dentro das quatro linhas da Constituição. Ninguém é mais macho que ninguém”, esbravejou.

E seguiu: “estão se precipitando. Um presidente da República pode ser investigado? Pode. Num inquérito que comece no Ministério Público e não diretamente de alguém interessado. Esse alguém vai abrir o inquérito, como abriu? Vai começar a catar provas e essa mesma pessoa vai julgar? Olha, eu jogo dentro das quatro linhas da Constituição. E jogo, se preciso for, com as armas do outro lado. Nós queremos paz, queremos tranquilidade. O que estamos fazendo aqui é fazer com que tenhamos eleições tranquilas ano que vem”.

No campo dos dados, o Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp), do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) atingiu 89,2 pontos em julho. De acordo com a pesquisa, este é o maior nível desde fevereiro de 2020, ou seja: o maior desde a pré-pandemia.

A alta com relação à sondagem anterior é de 1,6 ponto. No segundo mês do ano passado, esse indicador havia atingido 92 pontos. De acordo com o Ibre/FGV, em médias móveis trimestrais, o IAEmp variou 3,5 pontos, para 86,7 pontos.

Rodolpho Tobler, economista do Ibre/FGV, diz que o indicador mantém a tendência positiva dos últimos meses, retornando aos níveis pré-pandemia.

Bolsa: ações

Das 84 ações negociadas na bolsa, 17 subiram e todas as outras 67 caíram em relação à sessão anterior.

Mais negociadas

  • Petrobras (PETR4): R$ 28,35 (+7,88%)
  • Vale (VALE3): R$ 109,08 (-3,06%)
  • Petrobras (PETR3): R$ 29,27 (+9,63%)
  • Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 30,00 (+0,30%)
  • Bradesco (BBDC4): R$ 23,20 (-1,07%)

Maiores altas

  • Petrobras (PETR3): R$ 29,27 (+9,63%)
  • Petrobras (PETR4): R$ 28,35 (+7,88%)
  • Magazine Luiza (MGLU3): R$ 20,46 (+2,51%)
  • Totvs (TOTS3): R$ 37,53 (+1,82%)
  • Raia Drogasil (RADL3): R$ 25,88 (+1,77%)

Maiores baixas

  • Bradespar (BRAP4): R$ 72,45 (-5,11%)
  • Braskem (BRKM5): R$ 55,41 (-4,17%)
  • CSN (CSNA3): R$ 43,63 (-3,96%)
  • Ecorodovias (ECOR3): R$ 10,20 (-3,41%)
  • MRV (MRVE3): R$ 13,61 (-3,13%)

Outros índices brasileiros

  • IBrX 100: -0,49% (52.601,18 pontos)
  • IBrX 50: -0,37% (20.548,72 pontos)
  • IBrA: -0,49% (4.960,20 pontos)
  • SMLL: -0,93% (2.920,95 pontos)
  • IFIX: -0,42% (2.781,02 pontos)
  • BDRX: +0,91% (13.557,34 pontos)

Commodities

Petróleo Brent (outubro)/barril

  • segunda-feira (2): -3,34% (US$ 72,89)
  • terça-feira (3): -0,66% (US$ 72,41)
  • quarta-feira (4): -2,80% (US$ 70,38)
  • quinta-feira (5): +1,29% (US$ 71,29)
  • semana: -5,52%

Petróleo WTI (setembro)/barril

  • segunda-feira (2): -3,64% (US$ 71,26)
  • terça-feira (3): -0,98% (US$ 70,56)
  • quarta-feira (4): -3,42% (US$ 68,15)
  • quinta-feira (5): +1,38% (US$ 69,09)
  • semana: -6,36%

Ouro (dezembro)/onça-troy

  • segunda-feira (2): +0,05% (US$ 1.818,05)
  • terça-feira (3): -0,48% (US$ 1.813,45)
  • quarta-feira (4): +0,02% (US$ 1.813,70)
  • quinta-feira (5): -0,25% (US$ 1.809,90)
  • semana: -0,66%

Prata (setembro)/onça-troy

  • segunda-feira (2): -0,14% (US$ 25,51)
  • terça-feira (3): +0,18% (US$ 25,62)
  • quarta-feira (4): -0,49% (US$ 25,46)
  • quinta-feira (5): -1,14% (US$ 25,17)
  • semana: -1,59%

Com Wisir Research, BDM e CNBC

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