Dólar: decisão do Copom e risco fiscal no radar do investidor

Alexandre Viotto
Formado em Comunicação pela UEL, MBA em Gestão Empresarial e Banking pela FGV. Com passagem por Banco do Brasil, Itaú Unibanco e Citibank, onde atuou na Mesa de Tesouraria por 10 anos. Atualmente é Head de Câmbio e Comex na EQI.
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Crédito: Reprodução / Pixabay

Mais uma alta na Selic e a dúvida agora está em saber onde o Copom vai parar. Se for pela previsão da Pesquisa Focus, a linha de chegada deve ser mesmo os 7%. Isso, somado ao fato do Federal Reserve (Fed) ainda estar atrás da curva, deve dar uma ajudinha para os importadores até o final do ano.  Traduzindo, o país tenderia a ficar mais atrativo aos “gringos” com o carry trade maior… É… Não sei não.

Dólar e Paulo Guedes…

Com relação aos precatórios a vencer no ano que vem, o ministro foi taxativo: “o sapo vai ter que pular, porque não há capacidade de pagamento”.

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E ainda emendou: “Devo não nego, pagarei assim que puder”. E não para por aí… Existe uma proposta para criar um fundo com a venda de empresas estatais. Fazer do limão uma limonada por assim dizer. Eu só acredito vendo… Na prática, o que deve acontecer mesmo é uma PEC para autorizar o parcelamento disso tudo. E segue o jogo… Apesar de todo o barulho na imprensa.

Dólar: o risco é fiscal, só para variar…

O dólar deveria estar lá nos R$ 4,80, segundo muitos analistas. Porém, a cotação teima em ficar acima dos R$ 5. O motivo está na dúvida que não sai da cabeça dos investidores: o teto dos gastos vai ser respeitado mesmo?

E enquanto essa nuvem preta continuar pairando sobre Brasília, não tem jeito mesmo. Nossa moeda vai seguir pressionada…

Biden abrindo os cofres…

Dívida pública, inflação? Deixa para lá, não é mesmo?  Cabe ao Senado americano a decisão sobre mais um pacote da era Biden. Rodovias, Saneamento e Energia fazem parte dos US$ 550 bilhões em discussão pela Casa. A agenda do democrata segue em frente com uma expectativa de US$ 3,5 trilhões em gastos nos próximos 10 anos. Hora de comprar ouro? Deixo essa para você, querido assessor de investimento…

Sendo assim, e o câmbio?

Deveria seguir o bom humor externo e dar uma acalmada esta semana. Mas você já sabe, não é mesmo?

Com dúvidas no fiscal e a usina de notícias (ruins) funcionando a pleno vapor em Brasília, não tem como garantir isso. Ou seja, por mais que os ventos do exterior ajudem a nossa moeda, as incertezas continuam grandes por aqui.

Dito isso, o nosso call é…

Dólar para cima, minha amiga, meu amigo. E sem ficar em cima do muro, claro. Até o BTG (BPAC11) voltou a subir a expectativa para o final do ano…  De US$ 4,90 para US$ 5,20, segundo o último relatório do nosso parceiro.

Já o Focus da semana aposta em US$ 5,10. Por hora, aqui na mesa de câmbio, começamos a considerar algo na casa de US$ 5,50 para dezembro…

Por Alexandre Viotto, head de câmbio daEQI Investimentos

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