Home
Notícias
Ações
WEG (WEGE3) tem trimestre fraco em receita e margens, mas BTG vê salto em transmissão e distribuição

WEG (WEGE3) tem trimestre fraco em receita e margens, mas BTG vê salto em transmissão e distribuição

Fabricante de motores tem receita líquida 6% menor e margem bruta 240 pontos-base abaixo no trimestre, mas BTG Pactual mantém recomendação de compra

O resultado da WEG (WEGE3) no primeiro trimestre de 2026 acendeu sinal amarelo no curto prazo, mas o BTG Pactual (BPAC11) mantém a aposta na fabricante catarinense.

O banco reiterou recomendação de compra com preço-alvo de R$ 65 em 12 meses, potencial de valorização de 37,4% sobre os R$ 47,29 da cotação atual. A tese se sustenta no salto de receita esperado para a divisão de transmissão e distribuição (T&D) a partir do segundo semestre de 2026.

Os analistas destacam que o trimestre foi a mais difícil dos últimos meses. Nos terceiro e quarto trimestres de 2025, havia conflito entre margens melhores e crescimento de receita abaixo do esperado, o que os próprios analistas resumiam como “mixed feelings”.

“Este primeiro trimestre é um pouco mais claro, já que as duas variáveis críticas que o mercado costuma observar nos resultados — crescimento de receita e margens — vieram ligeiramente abaixo do esperado”, afirmaram Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmim, analistas do BTG Pactual responsáveis pela cobertura.

Publicidade
Publicidade

Câmbio pressiona margens da WEG

O real forte é o principal vilão do trimestre. A moeda brasileira acumula valorização de cerca de 10% ante o dólar no ano, o que afeta diretamente a tradução das receitas externas, responsáveis por mais da metade do faturamento da WEG.

A margem bruta encolheu 240 pontos-base no comparativo trimestral, e a margem Ebitda recuou para 22,2%, contra estimativa de 22,5%.

Em teste de cenário com câmbio a R$ 5 por dólar, o BTG estima que o lucro líquido projetado para 2026 cairia de R$ 6,8 bilhões para R$ 6,5 bilhões, corte de 3% a 4% nas estimativas atuais.

Soma-se a isso uma base de comparação desfavorável. O primeiro trimestre de 2025 concentrou volume atípico de projetos de geração centralizada solar com margens elevadas, em meio a um cenário sem tarifas norte-americanas em vigor.

Sem essa contribuição neste trimestre, a divisão de geração, transmissão e distribuição doméstica recuou 36% ano contra ano, enquanto equipamentos industriais sofreram com a atividade morna e os juros altos no Brasil, que reduzem a demanda por produtos de ciclo curto.

Leia também:

Tese segue intacta

A força da WEG no exterior, porém, sustenta o argumento dos analistas. Ajustada por câmbio e efeitos de aquisições, a receita externa medida em moeda local cresceu 11% ano contra ano. Os destaques foram produtos de ciclo curto voltados a óleo e gás e sistemas de ventilação e refrigeração para data centers, somados às entregas de equipamentos de T&D para projetos de infraestrutura nos Estados Unidos.

Os transformadores fabricados nas operações dos EUA e do México responderam por cerca de 17% do lucro líquido no período.

“À medida que nos aproximamos de um novo ciclo de crescimento impulsionado por capacidade adicional de T&D, a partir do segundo semestre de 2026, o mercado deve gradualmente recuperar a tração no nome — tanto pela ótica de crescimento de volume quanto de margem, à medida que esperamos um mix de produtos mais favorável adiante”, escreveram os analistas do BTG.

A geração de caixa reforça o argumento. O caixa líquido subiu para R$ 3,3 bilhões, ante R$ 2,7 bilhões no quarto trimestre de 2025. O retorno sobre o capital investido (ROIC) ficou em 33%, mesmo patamar dos últimos trimestres. São indicadores que, na visão do banco, mantêm intacta a história de crescimento composto de longo prazo, mesmo com o trimestre decepcionante.

O alerta dos analistas é para o curto prazo.

“Não ficaríamos surpresos se o mercado decidir realizar parte do lucro na ação hoje”, afirmou o trio do BTG, citando o ciclo de crescimento mais lento, a perspectiva de real forte por mais tempo e o valuation ainda acima da média histórica.

Mesmo assim, no entendimento da casa, eventuais correções dificilmente devem se prolongar num papel com a atratividade estrutural da WEG.