Copom eleva taxa Selic para 5,25% ao ano

Felipe Moreira
Editor na EuQueroInvestir, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional.
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Crédito: Reprodução/BC

Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) anunciou nesta quarta (4) que irá elevar a a taxa Selic de 4,25% para 5,25% ao ano.

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Em meio ao aumento da inflação , o BC subiu novamente os juros básicos da economia.

O mercado aguardava pelo aumento da Selic. Dessa forma, a decisão de hoje não surpreendeu os analistas financeiros. Esperava-se em média uma elevação para 5,25% ao ano justamente pelo cenário de aumento de inflação.

Como justificativa para a decisão, o Copom citou, além da pressão inflacionária, sinais de recuperação da economia — mas alertou para o risco fiscal e incertezas em relação aos rumos da pandemia.

A decisão do comitê foi unânime. De acordo com Comitê, essa decisão reflete seu cenário básico e um balanço de riscos de variância maior do que a usual para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para as metas no horizonte relevante, que inclui o ano-calendário de 2022 e, em grau menor, o de 2023.

Além disso, o ajuste reflete a percepção do Comitê de que a piora recente em componentes inerciais dos índices de preços, em meio à reabertura do setor de serviços, poderia provocar uma deterioração adicional das expectativas de inflação.

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Para a próxima reunião, o Copom antevê outro ajuste de 1 ponto percentual. O Comitê enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar o cumprimento da meta de inflação e dependerão da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação para o horizonte relevante da política monetária.

Novos estímulos

Segundo o BC, novos estímulos em países desenvolvidos e vacinação devem levar a uma recuperação mais robusta na economia.

“No cenário externo, novos estímulos fiscais em alguns países desenvolvidos, unidos ao avanço da implementação dos programas de imunização contra a Covid-19, devem promover uma recuperação mais robusta da atividade ao longo do ano”, diz o comunicado do Copom.

“A presença de ociosidade, assim como a comunicação dos principais bancos centrais, sugere que os estímulos monetários terão longa duração.”

O comitê pondera: “Questionamentos dos mercados a respeito de riscos inflacionários nessas economias têm produzido uma reprecificação nos ativos financeiros, o que pode tornar o ambiente desafiador para economias emergentes.”

Estratégia

De acordo com o BC, a estratégia de ajuste mais célere reduz probabilidade de não cumprir meta em 2021 e mantém ancoragem de expectativas para horizontes mais longos.

As informações sugerem que estratégia é compatível com cumprimento de meta em 2022, mesmo se houver alta temporária de isolamento social.

O Copom diz ainda que indicadores recentes continuam indicando recuperação consistente da economia brasileira.

“Em relação à atividade econômica brasileira, indicadores recentes, em particular a divulgação do PIB do quarto trimestre, continuaram indicando recuperação consistente da economia, a despeito da redução dos programas de recomposição de renda”, reforça o comunicado.

“Essas leituras, entretanto, ainda não contemplam os possíveis efeitos do recente aumento no número de casos de Covid-19. Prospectivamente, a incerteza sobre o ritmo de crescimento da economia permanece acima da usual, sobretudo para o primeiro e segundo trimestres deste ano.”

Mercado também prevê mais altas da Selic

A aposta do mercado era por um aumento de 4,25% para 5,00% e até 5,25% De todo o modo, espera-se que o BC acelere o passo nas próximas reuniões.

Para até o final de 2021, as previsões podem ultrapassar os 7% e chegar a até 7,75%.

Para o BTG Pactual (BPAC11), a Selic chega a 7,75% até dezembro. Para o banco, em 22 de setembro a Selic deve ter nova alta de 1%, seguida de elevação de 0,75% em 27 de outubro, e de 0,50% em 8 de dezembro.

Boletim Focus, do Banco Central, que reúne as estimativas de diversas instituições financeiras, também prevê Selic a 7%.

Projeções de inflação

O Focus também trouxe alta considerável para a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de 6,56% de uma semana atrás para 6,79% esta semana.

Nas projeções para 2022, o boletim reviu para cima apenas a projeção da inflação. Esta deve chegar a 3,81%. Há quatro semanas, apontava-se para uma inflação em 3,77%. Foram mantidas as projeções para 2023 e 2024, em 3,25% e 3%, respectivamente.

A expectativa para inflação neste ano saiu de 3,23% para 6,79%. O principal responsável pela elevação da projeção foi o preço dos alimentos. Todavia, as expectativas a partir de 2022 apontam convergência da inflação para o centro da meta.

Meta de inflação

A decisão de aumentar a Selic agora atende a um cenário diferente: de baixa produção e de alta inflacionária no país.

O controle da inflação era uma das condicionantes do BC para manter a Selic a 2%. Na última reunião, o Copom definiu pela retirada do forward guidance, justamente porque a inflação não se comportou como esperado pelo comitê.

A outra condição era que o regime fiscal não fosse alterado, o que, até aqui, não aconteceu no país.

Para 2021, a meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3,75% para este ano, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 2,25% e o superior é 5,25%.

Para 2022, a meta é 3,5%, também com intervalo de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Até alguns meses atrás, as instituições financeiras projetavam inflação abaixo do centro de meta. A situação, no entanto, mudou e os analistas consultados no boletim Focus agora projetam que a inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) terminará o ano em 4,6%. Para 2022, a estimativa está em 3,5%.

Selic: ciclo de altas

Desde julho de 2015, a Selic sofreu uma série de reduções, indo de 14,25% para o 2%. As medidas sempre serviram para estimular a economia, já que quanto menor a taxa básica de juros, mais acesso a crédito barato tem as empresas e as famílias, com incentivo ao consumo e à produção.

Mas, na reunião de março de 2021, o Copom promoveu a primeira alta da taxa de juros em seis anos, depois de ela se manter sete meses em 2%, a mais baixa já registrada. Novamente, em maio, veio mais um ajuste de 0,75 ponto porcentual. E em junho, a repetição dos 0,75.

Como ficam os investimentos com Selic em alta?

O Banco Central atua diariamente por meio de operações de mercado aberto – comprando e vendendo títulos públicos federais – para manter a taxa de juros próxima ao valor definido na reunião.

Quando o Copom aumenta a Selic, a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Com a Selic na casa dos 5%, quem busca rentabilidade ainda deve focar na renda variável.

A renda fixa segue sendo indicada para a reserva de emergência e para o investidor altamente conservador, que realmente só quer proteger o dinheiro e não está muito preocupado com o retorno.

No entanto, com as projeções de alta da Selic até 7,5% ainda este ano, o investidor passa a novamente olhar com bons olhos a renda fixa. E ele deve ficar atento a dois aspectos. Os papéis atrelados à Selic ganham destaque. Mas também os ligados ao IPCA, indicador oficial de inflação.

Vale lembrar, no entanto, que uma carteira equilibrada não foca apenas em um tipo de ativo. Os papéis do Tesouro Direto e o CDI voltam a ser atrativos, sim. Mas é preciso “distribuir os ovos em mais cestas”, como estratégia de defesa e diversificação, equilibrando o desempenho dos ativos.

Por que a Selic afeta os investimentos?

A Selic é o principal instrumento de política monetária utilizado pelo BC para controlar a inflação.

Quando o Copom reduz a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato. O que incentiva a produção e o consumo, mas reduz o controle da inflação.

Em sentido contrário, quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, seu objetivo é conter a demanda aquecida. Isso causa reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Saber sobre a taxa Selic é importante porque a taxa funciona como um norte para montar uma boa carteira de investimentos.

A regra é: com a taxa de juros baixa, os rendimentos da renda fixa deixam de ser tão atrativos. Por outro lado, com taxa de juros alta, a renda fixa volta a ganhar destaque.

Crédito mais caro

A elevação da taxa Selic ajuda a controlar a inflação. Isso porque juros maiores encarecem o crédito e desestimulam a produção e o consumo. Por outro lado, taxas mais altas dificultam a recuperação da economia. No último Relatório de Inflação, o Banco Central projetava crescimento de 5,30% para a economia em 2021. A projeção pode ser revisada nos próximos relatórios, que saem no fim de cada trimestre.

O mercado projeta crescimento maior. Segundo a última edição do boletim Focus, os analistas econômicos preveem expansão de 5,30% do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos pelo país) neste ano.

A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Ao reduzir os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação. Para cortar a Selic, a autoridade monetária precisa estar segura de que os preços estão sob controle e não correm risco de subir.

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