Decisão do Copom: o que a Selic a 4,25% diz ao investidor

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Como amplamente aguardado e precificado pelo mercado, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou em mais 0,75 ponto porcentual a Selic, taxa básica de juros, chegando a 4,25%.

A subida era projetada pela maioria das casas de análise. Isso porque na ata da última reunião, quando o Copom elevou a Selic de 2,75% para 3,5%, o comitê já havia sinalizado que um novo ajuste, de igual magnitude, deveria ser aplicado na sequência.

Só não haveria novo ajuste se o cenário para inflação e teto de gastos mudasse de maneira significativa, o que não ocorreu.

Assim, a Selic, taxa básica de juros, sofreu sua terceira alta consecutiva em seis anos, depois de sete meses mantida em 2% – seu piso histórico.

Evolução da Selic

Selic

Reprodução/BC

Selic em até 7% até dezembro

Para até o final do ano, no entanto, as apostas são de subida ainda mais acentuada: de 6% a até 7%.

Segundo levantamento do jornal Valor divulgado na sexta-feira (11), de 104 instituições consultadas, 74 acreditam que a Selic fique entre 6% e 7% até dezembro.

O BTG Pactual (BPAC11) aposta em alta de 0,75 ponto porcentual para agora. E Selic a 6,5% até dezembro.

Já o Boletim Focus, que semanalmente apresenta as projeções do mercado, aponta Selic a 5,75% até o final do ano e a 6,5% em 2022.

Como investir com Selic a 4,25%?

Com a Selic a 4,25%, quem busca alta rentabilidade ainda deve focar na renda variável.

A renda fixa segue sendo mais indicada para a reserva de emergência e para o investidor conservador, mais interessado em proteger o dinheiro.

Entretanto, com a projeção de alta da Selic para 6% ou até 7% ainda este ano, o investidor passa a novamente olhar com bons olhos a renda fixa.

Para Aline Cardoso, gestora da EQI Asset, a alta desta quarta-feira não impacta em nada o mercado. “Esta subida já estava precificada pelo mercado. Agora, já olhando para o final do ano, com a Selic chegando próxima a 7%, aí começa a surtir algum efeito no fluxo de investimentos da renda variável”, ela diz.

Para Paulo Filipe de Souza,  sócio e assessor da  EQI Investimentos, o investidor deve seguir de olho na inflação. “Mesmo com subida dos juros, ainda podem ser necessárias mais altas adicionais, dado que a inflação não vem dando sinais de arrefecimento”, ele explica.

Neste cenário, o que o investidor pode fazer para se proteger é conseguir boas taxas de Certificado de Depósito Interbancário (CDI), porque com Selic subindo, o CDI sobe junto.

“Bons títulos de inflação e CDBs ou debêntures que pagam IPCA+ são boas opções, tendo em vista que a inflação deve continuar preocupando”, ele recomenda.

Vale lembrar que a rentabilidade dos investimentos deve ser sempre acima da inflação ou atrelada a ela (no caso de títulos e CDBs, por exemplo). Caso contrário, toda a rentabilidade será perdida.

No entanto, é importante entender que uma carteira equilibrada não foca apenas em um tipo de ativo. É preciso “distribuir os ovos em mais cestas”, como estratégia de defesa e diversificação, equilibrando o desempenho dos ativos.

CDB

Certificado de Depósito Bancário (CDB) é um título de renda fixa emitido por bancos, cujo objetivo é captar recursos para o financiamento de suas atividades. Em outras palavras, ao adquirir um CDB, o investidor está “emprestando” dinheiro ao banco, e faz isso mediante uma remuneração predefinida.

Muitos CDBs oferecem liquidez diária, ou seja, é possível contar com o recurso da conta corrente no momento da solicitação do resgate, mesmo antes do vencimento da aplicação.

O CDB híbrido é formada parte por uma taxa fixa e parte por um percentual de um indicador, que pode ser o CDI, a Selic, ou o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor amplo), por exemplo.

Esse tipo de CDB é interessante em momentos de tendência de alta na inflação. Ou seja, ao indexar parte do rendimento ao IPCA, consegue-se proteger o dinheiro da desvalorização causada pelo aumento dos preços.

Os CDBs contam com a proteção do FGC (Fundo Garantidor de Crédito). Esse fundo garante até R$ 250 mil por CPF caso a instituição financeira venha a ter problemas de insolvência.

Debêntures

A debênture também é um empréstimo, mas para uma empresa não-financeira – ou seja, que não é um banco.

Para as empresas, as debêntures são uma forma mais em conta de financiar projetos de médio e longo prazo.

As formas de rentabilidade são bem variadas e dependem muito da empresa que lança as debêntures, assim como os CDBs dependem dos bancos. Normalmente a rentabilidade tem uma parte fixa e outra atrelada a um índice de inflação, como o IPCA.

Atualmente você vai achar debêntures rendendo IPCA + 3% e até empresas que pagam IPCA + 5%. Os prazos normalmente vão de 3 a 5 anos.

As debêntures não tem a garantia do FGC e isto é um ponto desfavorável.

Tesouro Direto IPCA+

Os títulos do Tesouro são simples, seguros e rendem mais que a poupança. É possível investir a partir de R$ 30.

Investir no Tesouro Direto é, resumidamente, emprestar dinheiro para o governo.

E é uma opção muito segura, mesmo sem garantia do FGC. Isso porque a garantia de pagamento está nas mãos do próprio Tesouro Nacional. E é muito difícil que o governo deixe de pagar os investidores.

O Tesouro IPCA+ é pós-fixado, ou seja, indexado a este indicador, que é o índice oficial que mede a inflação no Brasil.

Em outras palavras, você vai receber a taxa definida no dia da compra do título + a variação do IPCA do período. Isso significa que o seu rendimento sempre estará acima da taxa da inflação.

Já o Tesouro IPCA+ com juros semestrais é exatamente a mesma coisa que o Tesouro IPCA+, mas, ao invés de você receber toda a rentabilidade no prazo de vencimento, você receberá em parcelas semestrais.

O que é a Selic e o que ela diz para o investidor?

A taxa é o principal instrumento de política monetária utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação.

Quando o Copom reduz a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato. O que incentiva a produção e o consumo, mas reduz o controle da inflação.

Em sentido contrário, quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, seu objetivo é conter a demanda aquecida. Isso causa reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Saber sobre a taxa Selic é importante para o investidor, porque a taxa funciona como um norte para montar uma boa carteira de investimentos.

A regra é: com a taxa de juros baixa, os rendimentos da renda fixa deixam de ser tão atrativos. Por outro lado, com taxa de juros alta, a renda fixa volta a ganhar destaque.