Semana teve dados de inflação, cobranças à Petrobras e IOF surpresa

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

A semana termina repleta de dados, mas o investidor está de olho mesmo é na quarta-feira que vem, dia 22, quando Fed e Banco Central fazem seus anúncios sobre taxa de juros.

Por aqui, a expectativa é de Selic a 6,25%, dado o avanço da inflação. Já nos EUA, os juros devem ser mantidos, mas o que se quer são pistas sobre o início do tapering (ou retirada de estímulos).

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Confira o que foi destaque até aqui:

Brasil

Piora na projeção da inflação

A Secretaria de Política Econômica (SPE), do Ministério da Economia, atualizou suas projeções, com piora na expectativa para inflaçãode 5,90% ao ano da última avaliação para 7,90%. Para 2022, o IPCA foi de 3,50% para 3,75%.

No Boletim Focus, que capta a opinião do mercado, a expectativa é que o IPCA chegue a 8% até dezembro deste ano.

Projeções também para o PIB

Também no Boletim Macroeconômico, da SPE, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) foi mantida a 5,3% para este ano. Para 2022, caiu de 2,51% para 2,5%. E foi mantido em 2,5% de 2023 a 2025.

Já segundo o Focus, o PIB deve ficar em 5,04% neste ano.

No mês de julho, o PIB teve alta de 0,6%, segundo o IBC-Br, divulgado pelo Banco Central e considerado uma prévia do dado oficial. A projeção era 0,40%. Na comparação anual, a alta é de 5,53%, quando a previsão era 5%. Em junho, a alta havia sido de 1,14%.

Vale lembrar que o IBC-Br é mensal, divulgado pelo Banco Central, ao passo que o PIB é divulgado trimestralmente pelo IBGE.

Por fim, na sexta-feira (17), o Monitor do PIB, da FGV, também apontou crescimento de 0,6% na atividade econômica em julho, em comparação a junho e crescimento de 0,3% no trimestre móvel finalizado em julho.

IOF pega mercado de surpresa

Na noite de quinta-feira (17), o governo federal publicou decreto aumentando as alíquotas do IOF sobre as operações de crédito para pessoas físicas e jurídicas por um período de três meses.

O aumento de arrecadação deve ser de R$ 2,14 bilhões em 2021, dos quais R$ 1,6 bilhão será usado para custear o Auxílio Brasil, com valor de R$ 300 em média.

Para as pessoas jurídicas, o IOF passa de 1,5% para 2,04% ao ano. Para pessoas físicas, de 3% para 4,08% ao ano.

Responsabilidade da Petrobras (PETR3)?

O presidente da Câmara, Arthur Lira, segue cobrando a Petrobras (PETR3 PETR4) pela alta dos combustíveis.

Presente à Casa, Joaquim Luna e Silva, presidente da petroleira, culpou o ICMS pelo aumento de preços. Mas Lira considerou as explicações insatisfatórias. No Twitter, chegou a dizer que a “Petrobras deve ser lembrada que os brasileiros são seus acionistas”.

Campos Neto “entrega” alta de 1pp da Selic

O mercado já projetava 1,25 pp ou até 1,50 pp de alta da Selic na definição do Copom da próxima quarta-feira (22), considerando o IPCA acima da projeção (0,87% em agosto).

No entanto, em evento do BTG Pactual (BPAC11), um dia antes de iniciar o período de silêncio pré-Copom, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, deu uma declaração que fez todo mundo pisar no freio e voltar a apostar no 1 ponto porcentual prometido desde a última ata do Copom, de agosto.

Ele disse que não poderia “mudar o plano de voo” a cada novo dado de inflação. E que o BC faria tudo o que fosse necessário para manter os preços dentro da meta.

Depois da afirmação, o mercado passou a acreditar que a alta será mesmo de 1 ponto porcentual. Ou seja, a Selic deve ir dos atuais 5,25% para 6,25%.

Setor de serviços tem crescimento

volume de serviços cresceu 1,1% na passagem de junho para julho, sendo a quarta taxa positiva seguida. A projeção era por alta de 1%. Com isso, o setor está 3,9% acima do nível pré-pandemia e também alcança o patamar mais elevado desde março de 2016.

Na comparação com julho de 2020, o volume de serviços avançou 17,8%. Os serviços prestados às famílias (3,8%) e serviços profissionais, administrativos e complementares (0,6%) puxaram o resultado.

Os dados de serviço complementam o panorama do IBGE, que revelou que as vendas no varejo cresceram 1,2% em julho, melhor que a projeção, enquanto a produção industrial recuou 1,3%, resultado abaixo do esperado.

Dividendos da Vale

Finalmente, os dividendos da Vale chegaram – e generosos. O pagamento total será de R$ 40 bilhões, sendo R$ 8,10 por ação.

Exterior

Quando virá o tapering?

O mercado acompanha, ansioso, por informações quanto ao início do tapering (retirada de estímulos), que deve começar no final do ano.

As vendas no varejo surpreendendo positivamente e os pedidos de seguro-desemprego levemente acima do esperado nos EUA aumentam as expectativas para a reunião do Fed, que acontece terça e quarta.

Inflação dos EUA abaixo da projeção

O dado mais importante da semana foi a inflação ao consumidor dos EUA de agosto, que veio abaixo da projeção. A alta mensal foi de 0,3%, quando a expectativa era por 0,4%. Na comparação anual, alta de 5,3%. O núcleo do CPI, que exclui alimentos e combustíveis, subiu 0,1%.

Os preços ao produtor, divulgados na semana anterior, subiram 0,7% em agosto e 8,3% ao ano – maior aumento desde novembro de 2010.