Tapering deve ser anunciado em novembro, mas você sabe o que ele significa?

Redação EuQueroInvestir
Colaborador do Torcedores
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Crédito: The facade of the Federal Reserve Bank.

Com a retomada da economia norte-americana, o tapering voltou a ser falado (e temido) no mercado de forma geral.

E essa apreensão é perfeitamente compreensível. Afinal, quando aconteceu há alguns anos, o fenômeno causou grandes estragos, principalmente nas economias que recém se recuperavam da crise de 2008.

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A seguir, entenda o que é o tapering e de que forma ele afeta a economia e os seus investimentos.

O que é tapering?

Em momentos de crises financeiras, quando é preciso dar mais suporte à atividade econômica, o Fed (banco central dos EUA) injeta liquidez no mercado. Foi assim durante a crise do subprime, em 2008 e, mais recentemente, a partir do início da pandemia.

O termo tapering, que pode-se traduzir como “estreitamento gradual”, ficou conhecido a partir de 2013, por causa de Ben Bernanke. Na ocasião, o então presidente do Fed utilizou a expressão para avisar que começaria a reduzir as compras de títulos públicos e hipotecas, feitas para mitigar os prejuízos do subprime.

Na ocasião, o fato causou estragos, em especial nas economias emergentes. No caso do Brasil, tivemos uma piora no risco-país e uma desvalorização média do real de 20%.

Já em 2020, devido à Covid, foram mais de US$ 3 trilhões injetados na economia norte-americana. Em 2021, o Fed passou a comprar mensalmente US$ 120 bilhões em títulos públicos, como mais uma forma de ajudar o mercado a lidar com a crise.

Ao que tudo indica, parece que o gigantesco apoio financeiro tem surtido os resultados esperados. De acordo com a ata do comitê de política monetária do Fed divulgada no final de julho, a taxa de desemprego no país caiu de 5,9% para 5,4%. Segundo analistas, o resultado veio acima do esperado, ou seja, a economia está conseguindo manter o ritmo de recuperação.

Além disso, a expectativa de crescimento do PIB americano é de 7% para 2021. Segundo o FMI, este será o “ritmo mais rápido de toda uma geração”. Cabe observar também que a inflação está em alta no país, tudo isso em meio a uma política monetária expansionista.

E até quando vão os estímulos financeiros?

Quando a economia dá mostras de retomada consistente, os estímulos financeiros passam a não ser mais tão necessários. É justamente nesse momento que ocorre o tapering, ou seja, a retirada gradual desses estímulos por parte do governo.

E foi esta a sinalização que ocorreu na quarta-feira (23), após a reunião de dois dias do Federal Reserve, com Jerome Powell afirmando que, muito possivelmente, o tapering deverá ser anunciado em novembro, com um calendário de reduções graduais dos estímulos.

E qual o impacto do tapering na economia?

Com o fim dos estímulos financeiros nos EUA, o mercado teme uma reprise do que aconteceu em 2013. Na época, os efeitos foram desastrosos para a economia dos emergentes. Além da desvalorização cambial, o tapering trouxe inflação e juros altos para quase todos os países fora do círculo do G20.

No entanto, é preciso diferenciar a atual situação do que aconteceu no tapering de 2013. Naquela época, o que havia era uma crise de confiança no mundo, iniciada no mercado financeiro, em pleno subprime. Ou seja, a desconfiança era entre os próprios players, e isso levou o mercado ao pânico quando o Fed começou a sair de cena.

Para Elias Wiggers, assessor da EQI Investimentos, o mercado tem ciência de que, hoje, a situação é bastante diferente. Segundo ele, “diferentemente de 2013, é consenso hoje que não há uma culpa do mercado financeiro pela situação atual. Isso porque temos questões sanitárias ainda barrando a economia”.

Outro ponto importante a considerar é que o momento do Brasil em nada se parece com oito anos atrás. Nesse sentido, Elias observa que, naquela época, a economia brasileira tinha um câmbio supervalorizado e gastos muito maiores do que os atuais. “Por aqui, os riscos político e inflacionário mantêm a moeda desvalorizada. Além disso, os gastos públicos ainda preocupam muito. No entanto, os volumes são bem menores e o país segue para um caminho de busca de equilíbrio fiscal. Isso é reconhecido hoje pelo mercado”.

Na prática, como ficam os investimentos caso o tapering se confirme?

Para a EQI Investimentos, a parada gradual na compra dos títulos públicos norte-americanos acontecerá ainda em 2021. Já no ano que vem, o processo tende a acelerar.

Segundo Elias, a redução dessas compras cria uma expectativa de que diminua o dinheiro disponível para investir na bolsa. Dessa forma, poderá ocorrer um resfriamento do mercado acionário como um todo.

Outro ponto importante é prestar atenção na evolução dos juros após a retirada dos estímulos financeiros. Nesse sentido, se o governo norte-americano entender que será difícil controlar a inflação, provavelmente aumentará os juros.

Apesar de o tapering ser um indicativo de aumento da taxa de juros, não significa que isso necessariamente ocorrerá. O que determinará a evolução dos juros será o andamento da economia do país. No entanto, se de fato ocorrer um aumento (e dependendo da intensidade), isso pode sim ser prejudicial para o mercado financeiro brasileiro.

Para Elias, “com juros externos altos, veremos dinheiro migrando para países com melhores fundamentos econômicos”. Nesse caso, depreciação do real e mais pressão inflacionária são os principais pontos de atenção. “Até o momento, a precificação da Selic se mantém em torno de 7% para o final do ano. No entanto, caso se configure a ‘tempestade perfeita’ depois do tapering (com aumentos seguidos dos juros nos EUA) o cenário pode ficar preocupante por aqui”.

(Por Carla Carvalho)

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