Ações do BB (BBAS3) em queda após renúncia de André Brandão da presidência

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Divulgação

As ações do Banco do Brasil (BBAS3) oscilam na manhã desta sexta-feira (19), um dia após o pedido de demissão do presidente da instituição, André Brandão.

Elas abriram o pregão com queda de 0,10%, mas migraram para terreno positivo, com 0,53% às 10h30. Agora, 13h05, têm baixa de 0,62%.

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Apesar da renúncia, o banco já tem um novo presidente: Fausto Ribeiro, atual diretor-presidente da BB Administradora de Consórcios.

O Ministério da Economia confirmou a indicação de Ribeiro na noite de ontem. O nome ainda será submetido à análise do Comitê de Pessoas do banco.

Entenda a saída de Brandão

De acordo com o comunicado sobre a saída do executivo do BB, Brandão enviou ao presidente Jair Bolsonaro, ao ministro da Economia Paulo Guedes, e ao presidente do conselho de administração do BB, Hélio Lima Magalhães, um pedido de renúncia, que terá efeito a partir de 1º de abril.

O comunicado foi assinado pelo vice-presidente de Gestão Financeira e Relações com Investidores do BB, Carlos José da Costa.

Brandão deixa o cargo em meio à crescente pressão política do presidente Bolsonaro sobre as estatais brasileiras. No mês passado, o chefe do Executivo trocou o presidente da Petrobras (PETR3; PETR4).

Desde o início de janeiro, já havia rumores de que André Brandão poderia deixar o cargo. Mas, na época, a informação foi desmentida pelo banco.

Neste mês de março, novamente, a possível troca do presidente do BB virou notícia. Ele, inclusive, já havia manifestado o movimento para o presidente do Banco Central, Roberto Campos, e para Paulo Guedes.

A saída de André gera incertezas sobre o avanço do plano de desinvestimentos do Banco do Brasil e o resgate do foco no crédito agrícola na instituição financeira.

“Provoquei por pensar diferente”

Nomeado por Bolsonaro em setembro de 2020, Brandão assumiu o cargo após a exoneração de Rubem Novaes, que pediu demissão e estava na posição desde o início do governo Bolsonaro.

Segundo informação exclusiva do Broadcast/Estadão, na mensagem de despedida aos funcionários do Brandão fala de sua tentativa de modernizar o banco. O executivo afirma, de acordo com o Estadão, ter procurado “desafiar vários paradigmas antigos”, em discussões do conselho diretor. “Provoquei muitos a pensar diferente”, declarou na mensagem o executivo.

“Apesar de saber que sou um breve passageiro nesta bicentenária instituição, eu me senti parte da família, graças ao carinho de vocês”, disse Brandão aos funcionários. “Espero ter deixado algumas sementes de contribuição para ajuda-los no futuro”, Brandão afirmou também, conforme o Broadcast/Estadão.

Comunicado do BB

Eis a íntegra do Fato Relevante do BB que informou a saída de Brandão:

“Em conformidade com o § 4º do art. 157 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e com a Instrução CVM nº 358, de 03 de janeiro de 2002, o Banco do Brasil (BB) comunica que o Sr. André Guilherme Brandão entregou, nesta data, ao Exmo. Sr. Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, ao Exmo. Ministro da Economia, Paulo Roberto Nunes Guedes, e ao Ilmo. Presidente do Conselho de Administração do Banco do Brasil, Hélio Lima Magalhães pedido de renúncia ao cargo de presidente do BB, com efeitos a partir de 01 de abril de 2021.

  1. Sendo aceita a renúncia pelo Presidente da República, a indicação do novo presidente do BB deverá acontecer na forma do artigo 24, inciso I do Estatuto Social do BB.
  2. Fatos adicionais, julgados relevantes, serão prontamente divulgados ao mercado.

Brasília (DF), 18 de março de 2021.

Carlos José da Costa André

Vice-Presidente Gestão Financeira e Relações com Investidores”

Ações do Banco do Brasil sentem o impacto

Logo após o comunicado, a Ativa Investimentos afirmou que a renúncia de Brandão é negativa “e esperamos que as ações do banco devem sentir o impacto da notícia no pregão”.

“Os rumores de sua demissão, juntamente com o evento da demissão de Castelo Branco na Petrobras, já corrigiram o valor das ações de BBAS3, mas a recente demora gerou um sentimento de que havia, para parte dos investidores, possibilidades de Brandão permanecer”, diz a análise.

Entrevistado pelo Broadcast, e publicado no serviço do BDM Online, o diretor de renda varável da Eleven Financial, Carlos Daltozo, disse que a renúncia de André Brandão do comando do BB, depois de só seis meses no posto, coloca a instituição em um cenário de “total incerteza”.

A fritura de Brandão se arrastava desde fevereiro, quando entrou na mira de Bolsonaro por colocar para andar seu plano de fechar agências.

A renúncia consolida o mais recente capítulo da crise das estatais, aberto pela troca de comando na Petrobras, sob críticas do mercado do “falso véu do liberalismo”.

Quem é Fausto Ribeiro?

O novo presidente do Banco do Brasil (BB) será Fausto Ribeiro, atual diretor-presidente da BB Administradora de Consórcios.

O Ministério da Economia confirmou a indicação de Ribeiro na noite de ontem. Servidor de carreira do Banco do Brasil desde 1988, o futuro presidente assumirá o cargo em 1º de abril. Ele será o terceiro presidente da instituição no atual governo, depois de Rubem Novaes, que ficou no cargo de janeiro de 2019 a setembro de 2020, e de Brandão.

Nome indicado por Guedes

Indicado pelo ministro Paulo Guedes e pelo presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, Fausto Ribeiro tem passagens como gerente executivo em diretorias e em projetos específicos do Banco do Brasil. De maio de 2013 a junho de 2016, foi diretor geral da unidade do BB na Espanha.

Ribeiro ocupou a Gerência Executiva da Unidade de Canais de junho de 2016 a fevereiro de 2019 e a Gerência Executiva da Diretoria de Contadoria de março de 2019 a agosto de 2020.

Desde setembro do ano passado, era diretor-presidente da subsidiária encarregada da área de consórcios.

Graduado em direito e em administração de empresas, o futuro presidente do BB tem MBA Executivo em Finanças no Ibmec e pós-graduação em economia no Programa Minerva, na Universidade George Washington, nos Estados Unidos.

BB divulga comunicado sobre indicação de Ribeiro

O BB anunciou a indicação de Ribeiro por meio da seguinte nota, em fato relevante ao mercado:

“O Banco do Brasil S.A. (BB) comunica que o Ministério da Economia, por meio de Nota à Imprensa, informou nesta data, às 20h30, que em razão da renúncia do Sr. André Guilherme Brandão ao cargo de Presidente do BB, conforme Fato Relevante divulgado nesta data, encaminhará, para análise do Comitê de Pessoas, Remuneração e Elegibilidade do BB (Corem), o nome do Sr. Fausto de Andrade Ribeiro para ocupar o cargo de Presidente do BB e também de Conselheiro de Administração desta Instituição.

Tão logo seja formalizada a indicação do Sr. Fausto de Andrade Ribeiro pelo Acionista Controlador, o Corem do BB avaliará a indicação à luz da Lei n° 13.303/2016 e de seu Estatuto Social, cabendo ao Presidente da República a nomeação do indicado na formado artigo 24, I, do Estatuto Social.

Fatos adicionais, julgados relevantes, serão prontamente divulgados ao mercado.

Brasília (DF), 18 de março de 2021.

Daniel Alves Maria

Gerente Geral de Relações com Investidores”

Banco do Brasil teve queda de 20% no lucro do 4TRI20

Divulgado em fevereiro, o balanço do 4TRI20 do Banco do Brasil mostrou lucro líquido de R$ 3,695 bilhões no período, valor 20,1% menor do que o mesmo trimestre de 2019.

Em 2020, o lucro líquido ajustado totalizou R$ 13,9 bilhões, redução anual de 22%.

Segundo o banco, o resultado foi impactado pela antecipação prudencial de R$ 8,1 bilhões em provisões feita ao longo dos trimestres.

Carteira de crédito

A carteira de crédito ampliada cresceu 9% nos últimos 12 meses e alcançou R$ 742 bilhões, com destaque para desempenhos dos segmentos Pessoa Física, MPME e Rural, que cresceram 6,7%, 25,6% e 6,8% respectivamente.

A carteira Pessoa Física cresceu 3,0%, principalmente devido à performance positiva no crédito consignado (+4,0%) e no cartão de crédito (+15,9%).

Na Pessoa Jurídica, destaque para as operações com as Micro, Pequenas e Médias Empresas (+11,1%).

No Agronegócio, destaque para o crédito rural (+2,7%).

A Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa (PCLD) atingiu R$ 5,157 bilhões no trimestre, elevação de 46,3% em relação ao mesmo período de 2019.

Receitas

As receitas operacionais somaram R$ 23,402 bilhões, redução de 3,9% em relação ao mesmo período de 2019.

As receitas de prestação de serviços do Banco do Brasil caíram 1,6% no trimestre, para R$ 7,389 bilhões.

Já margem financeira bruta atingiu R$ 14,164 bilhões, queda de 0,7% na base anual.

As despesas administrativas totalizaram R$ 8,128 bilhões, baixa de 5,6% na comparação com o quarto trimestre de 2019.

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