O que esperar das aplicações de renda fixa em 2021

Felipe Moreira
Especialista em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 7 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Freepik / Freepik

A taxa Selic na mínima histórica, em 2% ao ano, tem gerado grande debate no Brasil. Afinal, depois de muito tempo, já não é mais possível ganhar dinheiro sem correr riscos com aplicações de renda fixa atreladas ao CDI.

Em termos comparativos, em agosto de 2016, a taxa básica era 14,25%. Mas já chegou a 45%, em março de 1999.

A expectativa agora é de que uma nova mudança na Selic só deve acontecer no meio do ano que vem.

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Isso acabou com a distorção que acontecia no mercado financeiro brasileiro, no qual a aplicação em renda fixa atendia às três variáveis do tripé de investimento (liquidez, segurança e rentabilidade).

Por exemplo, bastava investir no Tesouro Selic – título do Tesouro Direto com rendimento atrelado ao CDI – para ter ótima rentabilidade, segurança e liquidez.

Por isso, além de ser usado como reserva de emergência, o dinheiro aplicado em Tesouro Selic era considerado também como investimento de longo prazo.

Juro real negativo

Nessa análise, é preciso levar em conta não apenas o patamar da Selic, mas também a inflação. Como as taxas estão elevadas, o rendimento real cai e se torna até negativo. Por exemplo, para uma inflação de 4,39% em 2020, conforme prevê o mercado financeiro no Boletim Focus do Banco Central, e um juro de 2%, o rendimento real negativo é de aproximadamente 2,39% no ano.

Ou seja, esse tipo de aplicação não será capaz de repor o poder de compra no tempo.

E essa dinâmica deve continuar no próximo ano. O Boletim Focus prevê que a Selic deve encerrar 2021 em 3,00% e a inflação deve ficar em torno de 3,37%.

Caso a inflação continue subindo, será necessário que o Copom eleve o juros para conter uma disparada da inflação. No entanto, a diferença entre o IPCA e a Selic não deve mudar muito. No curto prazo, a renda fixa pós-fixada continuará sem conseguir repor o poder de compra do investidor.

Buscando alternativas

Está claro, portanto, que a situação hoje é totalmente diversa de pouco tempo atrás. A renda fixa brasileira vai se aproximar do que se vê em mercados maduros, como EUA e Europa. Esse tipo de aplicação será apenas para reserva de emergência, sem oferecer grandes retornos.

Dessa forma, se quiser maior rentabilidade, o investidor vai ter que buscar outras modalidades de investimento, assumir maiores riscos ou prazos mais longos.

Embora o CDI seja o principal índice que remunera aplicações em renda fixa, existem investimentos que usam outros, por exemplo o IPCA e o IGP-M. Há ainda os prefixados não atrelados a índices. Essas modalidades devem ser mais utilizadas daqui para frente.

Principais investimentos em renda fixa

O mercado conta com uma série de produtos, dos quais podemos destacar:

Cada um desses produtos conta com características específicas e rendimentos variados que podem atingir valores bem superiores a 100% da CDI.

Além da Selic e do CDI

Existem duas alternativas de rentabilidade ao pós-fixado: o prefixado e o híbrido – exemplo: IPCA+.

O prefixado remunera o investidor por uma taxa predefinida, ou seja, conhecida desde a compra do título. Isso quer dizer que o investidor sabe exatamente quanto seu título renderá caso o mantenha até o vencimento.

Títulos prefixados são recomendados especialmente quando o investidor acredita que a taxa prefixada será maior do que a Selic e a inflação na data do vencimento.

Já títulos mistos como o IPCA+ são perfeitos para quem tem objetivos a longo prazo ou está pensando na aposentadoria.

Ele corrige a inflação pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial do país, o que garante o poder de compra do dinheiro, e ainda gera rentabilidade. Quanto maior o prazo do vencimento, maior a rentabilidade.

Renda fixa continua fundamental

É verdade que o apetite do brasileiro por ações da bolsa tem crescido bastante. Mas a renda fixa não morreu. Na realidade, ela continua a ser fundamental para qualquer carteira de investimentos, atuando como reserva de emergência. Inclusive para os investidores com perfil agressivo.

“Mesmo um investidor agressivo jamais deve ter 100% do seu patrimônio exposto a renda variável”, diz Elias Wiggers, assessor de investimentos da EQI.

“Não faz sentido investir só em ativos com alta volatilidade e com riscos elevados, já que se pode precisar de parte ou da integralidade dos recursos de uma hora para a outra”, afirma Francis Wagner, do App Renda Fixa.

Tendência é a diversificação

Já ficou claro que a renda fixa segue importante. Mas, com o novo cenário de taxa de juros, este segmento vai passar por um processo de diversificação.

Confira algumas das tendências que devem ocorrer neste mercado:

Uma variedade maior

Segundo os especialistas, devem surgir novos tipos de produtos de renda fixa, principalmente no crédito corporativo. Ou seja, títulos emitidos por empresas privadas para financiar suas atividades.

Além do avanço das debêntures, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e Certificados de Recebíveis Agrícolas (CRA), devem ser lançados produtos similares aos que existem no exterior.

Mais emissores de renda fixa

Ao mesmo tempo, a variedade de emissores deve aumentar.

“Teremos acesso a outros produtos que já são realidade em mercados mais desenvolvidos”, destaca Wiggers. Ele cita os Puttable Bonds, que dão ao detentor do título a opção de devolvê-lo a um preço pré-estipulado antes do vencimento.

Os bancos também devem fazer parte desta tendência. Ou seja, é esperado que eles lancem uma variedade maior de produtos de renda fixa. Segundo o especialista da EQI, as letras financeiras também devem ganhar destaque.

Renda fixa para projetos locais

Outros títulos que podem ganhar força são os voltados para financiamento de projetos dos governos municipais ou estaduais.

Atualmente, os fundos de investimento podem acessar estes produtos, mas a pessoa física não tem acesso. “Para construir uma ponte ou aeroporto, por exemplo, os governos locais poderiam emitir títulos públicos de renda fixa”, explica Wiggers.

Fundos DI devem mudar

Além disso, um segmento que precisará se reinventar é o de fundos referenciados DI. Isso porque as taxas administrativas não estão favoráveis para o investidor.

Ou seja, a cobrança de uma pequena taxa pode trazer perdas significativas, em um cenário de rentabilidades mais baixas, fazendo com que os fundos percam para outros ativos com mesmo risco.

 

Se você quer saber mais sobre opções de investimentos, em renda fixa ou variável, e como fazer para investir, preencha o formulário abaixo que um assessor da EQI Investimentos entrará em contato.