Tesouro IPCA+ é o título público mais procurado: entenda por quê

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

Com a taxa Selic baixa, estacionada em 2%, e o risco fiscal crescente com aumento da dívida pública, os títulos públicos vêm perdendo o interesse por parte dos investidores.

Atingir um patrimônio de R$ 100 mil é para poucos, o que amplia o desafio de busca pelas melhores aplicações para multiplicá-lo

Em outubro, o resgate de títulos do Tesouro Direto registraram mais resgates do que aportes, com resultado líquido negativo em R$ 471,9 milhões.

No entanto, chama a atenção entre os dados divulgados pela Secretaria do Tesouro Nacional a informação de que os títulos com mais demanda pelos investidores têm sido os indexados à inflação.

Tesouro IPCA+ e Tesouro IPCA+ com juros semestrais somaram em vendas R$ 543,67 milhões, o que corresponde a 35,38% do total negociado.

IPCA+ desbanca Tesouro Selic

Esses títulos desbancaram o Tesouro Selic, que sempre foi considerado o favorito do investidor, pela segurança e também pela liquidez que oferece. Estes ficaram com 33,79% das vendas.

Também dentre os títulos resgatados, a maioria foi dos indexados à Selic: 65,56%.

“Isto acontece porque o juro está muito baixo, com Selic remunerando 2%”, explica Walter Manfro, sócio daEQI Investimentos.

O IPCA, Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, indicador oficial de inflação do país, também ficou baixo, ele afirma, com a queda no consumo durante a pandemia. Entretanto, o cenário vem mudando.

“Tínhamos, até então, uma cesta de produtos avaliadas pelo IPCA baixa, com remuneração dos títulos atrelados ao índice também rendendo pouco. Nem Tesouro Selic nem IPCA+ estavam valendo a pena”, diz.

Porém, o IGP-M (Índice Geral de Preços Mercado) – que reajusta aluguel e bens manufaturados e, portanto, é muito afetado pela alta do dólar – deve influenciar na leitura do IPCA. O índice da FGV teve alta de 3,28% em novembro, quando a projeção era de alta de 3,19%, ante 3,23% de outubro.

Com este resultado, o índice acumula alta de 21,97% no ano e de 24,52% em 12 meses. Comparativamente, em novembro de 2019, o índice havia subido 0,30% e acumulava alta de 3,97% em 12 meses. Ou seja, em um ano, houve um disparo da inflação.

“Assim como no IGP-M, a alta da inflação também deve ser confirmada no IPCA, que pode ir até a 6% ou 7%. Mas isso só o tempo dirá”, explica.

Neste cenário, a rentabilidade do Tesouro IPCA+, que remunera a inflação mais um juro fixo, se torna mais atrativa.

Para quem o IPCA+ é indicado?

O Tesouro IPCA+ é mais indicado, hoje, para o perfil conservador de investidor, com metas no médio e longo prazo, e para quem quer se proteger da inflação.

“Ele tem a segurança dos títulos públicos, com risco bastante baixo de inadimplência, e remunera a inflação mais um juro fixo”, diz Manfro.

Já para quem quer mais liquidez, o Tesouro Selic segue como a melhor opção, porque pode ser resgatado a qualquer momento e, historicamente, é menos propenso à marcação a mercado.

A terceira modalidade de títulos públicos disponível, os pré-fixados, não são os mais indicados no momento, porque os juros já estão baixos.

“Os melhores são Selic ou IPCA+ para médio e longo prazo, de 3 anos para cima”, indica Manfro.

IPCA+ com juro semestral

Dentro do IPCA+, o investidor também pode optar pelos juros semestrais, indicado para quem gosta de ter o rendimento de tempos em tempos.

“Nos investimentos, tem a fase de acumulação, quando se coloca dinheiro para fazer crescer o bolo. E tem a fase de aproveitar os rendimentos. No IPCA+, você mantém o montante, mas recebe semestralmente os juros. É muito bom para quem está na fase de aproveitar esses recursos, ele aponta.

Tendência para o IPCA+

De acordo com Manfro, o Tesouro IPCA+ segue na preferência do investidor até que a Selic volte a subir.

“O Tesouro Selic perdeu o interesse por conta da taxa básica de juros baixa. Por isso, o investidor migrou para o IPCA+. À medida que Selic subir, os investidores tendem a retornar”, avalia.

Segundo o Boletim Focus, que semanalmente aponta as projeções do mercado para os principais indicadores econômicos, a Selic deve subir a partir de 2021, com expectativa de que chegue a 3% até o final do ano que vem.

Há quatro semanas, a expectativa era de Selic a 2,75% em 2021. Logo, existe uma tendência de alta no radar das instituições financeiras. Para 2022, a projeção é de Selic a 4,5%. E, em 2023, a 6%.

Já a previsão do mercado para o IPCA passou de 3,45% na semana passada para 3,54% essa semana, na 16ª alta seguida. Há quatro semanas estava em 3,02%. Para 2021, a estimativa para a inflação subiu de 3,40% para 3,47%.

Simulações com IPCA+

Para demonstrar que o Tesouro IPCA+ hoje está valendo mais a pena do que o Tesouro Selic, fizemos uma simulação no site do Tesouro Direto, com base nas projeções atuais para os dois indicadores.

Comparamos o investimento de R$ 5 mil em IPCA+ com vencimento em 2026 e o Tesouro Selic 2025.

O Tesouro IPCA+ 2026 teria um valor bruto de resgate de R$ 7.105,80, com rentabilidade líquida de 5,24% ao ano.

Já o Tesouro Selic 2025, teria valor bruto de resgate de R$ 6.144,91, com rentabilidade líquida de 4,28%.

Ambos ganhariam também da poupança, do CDB, do LCA e do LCI e do Fundo DI. Como demostrado nos gráficos abaixo, confira.

Importante frisar que esses rendimentos consideram a aplicação levada até o vencimento e não resgates antecipados.

Gestor recomenda IPCA+ como proteção

Com vasta experiência de mercado, Alfredo Menezes, CIO e CEO da Armor Capital afirmou durante a Money Week que considera o IPCA+ (NTN-B) o melhor ativo doméstico para se proteger no atual cenário de crise. “Um NTN-B de cinco anos é conservador e é um bom papel”, considera.

Para ele, papéis mais longos podem ser mais interessantes para os mais jovens. Mas ele, particularmente, prefere papéis de três a cinco anos no máximo.

Confira aqui o painel da Money Week que contou com a presença de Alfredo Menezes.

 

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