Letra Financeira: o que é e como funciona esse investimento

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.

Crédito: Pixabay

A Letra Financeira é um produto de renda fixa interessante para o investidor que busca ganhos no longo prazo. Nesse sentido, sua rentabilidade se destaca em relação a outros ativos da categoria, como CDBs, LCIs e LCAs.

Se você está pensando em investir no longo prazo, e dispõe de um capital um pouco mais alto, então conheça as peculiaridades da letra financeira. Entenda, também, quais as vantagens e desvantagens desse tipo de aplicação.

O que é letra financeira?

Primeiramente, a letra financeira funciona de forma semelhante aos CDBs. Ou seja, ao adquirir uma LF, o investidor empresta dinheiro ao banco em troca de uma remuneração previamente definida.

Contudo, esse ativo possui algumas características que o diferenciam de outros investimentos em renda fixa. Vejamos quais são elas:

Rentabilidade da Letra Financeira

Como vimos, a LF possui valorização superior à maioria dos outros produtos de renda fixa.

Normalmente, os rendimentos desse título são pós fixados, atrelados ao CDI. Porém, há também algumas prefixadas, com taxa de juros especificada no momento da aplicação.

Existem também as letras financeiras atreladas a um índice, como o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). Nessa situação, a aplicação estará protegida dos efeitos da inflação.

Por fim, quanto aos rendimentos, a LF pode pagar juros semestrais ou ao final do prazo da aplicação. Entretanto, no primeiro caso, o investidor deve estar atento ao desconto do imposto de renda a cada seis meses. Isso porque o tributo reduzirá o principal aplicado e, consequentemente, o ganho final do investimento.

Riscos da Letra Financeira

Em relação aos riscos dessa aplicação, há basicamente dois pontos importantes:

Cláusula de subordinação

A cláusula de subordinação  pode, ou não, fazer parte da LF. Isso significa que, quando o papel contém esse determinante, caso o banco tenha problemas financeiros, o cliente só receberá o valor que investiu depois de a instituição pagar outros credores.

E qual a razão de optar por uma Letra Financeira subordinada?

O motivo é bem simples: quanto maior o risco, maior a rentabilidade que o investimento poderá proporcionar. Assim, se o investidor estiver disposto a expor os seus recursos a maiores riscos, mais chances terá de rentabilizá-los.

Fundo Garantidor de Crédito

A maioria dos títulos de renda fixa conta com a garantia do fundo garantidor de crédito (FGC). Nesse sentido, o fundo funciona como um mecanismo de proteção ao investidor. Isso porque ele garante a cobertura de R$ 250 mil por CPF no caso de falência, intervenção ou liquidação do banco.

Entretanto, as aplicações em letra financeira não possuem essa garantia. Por isso, antes de adquirir esse papel, é fundamental que o investidor avalie a solidez e credibilidade da instituição financeira.

Valor mínimo de aplicação

Os valores mínimos para aplicar em uma LF são:

– R$ 50 mil, para títulos sem cláusula de subordinação;

– R$ 300 mil, quando os papéis tiverem a referida cláusula.

Prazos das letras financeiras

As LFs não subordinadas são emitidas com prazo mínimo de 2 anos. No caso das subordinadas, esse prazo passa a ser de 5 anos.

Ainda em relação ao vencimento, os papéis com prazo superior a 3 anos podem ser emitidos com opção de recompra pelo emissor ou de revenda para o emissor. E isso independentemente das condições de remuneração.

Liquidez dos títulos

Diferentemente do CDB, a letra financeira não permite ao investidor o resgate parcial ou total antes do vencimento. Por isso, esse ativo é um investimento adequado somente para um horizonte de longo prazo.

Tributação

Sobre os rendimentos da letra financeira, incidirá o imposto de renda.

Dessa forma, veja como funciona a tabela regressiva do IR nos investimentos de renda fixa:

Prazo do investimento       Alíquota IR

Até 180 dias                             22,5%

De 181 a 360 dias                   20%

De 361 a 720 dias                   17,5%

Acima de 720 dias                  15%

Uma vez que o prazo mínimo da letra financeira é de 2 anos, ela sempre será tributada pela alíquota mínima de 15%.

Como já vimos, vale lembrar que, se houver recebimento semestral de juros, a cada 6 meses ocorrerá a tributação. Desse modo, em termos de rentabilidade, é mais interessante que o investidor espere 2 anos para resgatar o total dos recursos.

Vantagens e desvantagens das letras financeiras

Devido à sua rentabilidade, a letra financeira é uma excelente opção entre os investimentos de renda fixa. Nesse sentido, as principais vantagens e desvantagens dessa aplicação são as seguintes:

Vantagens

  • Diversificação da carteira de investimentos.
  • Média de valorização superior à de outros títulos de renda fixa.
  • Previsibilidade da rentabilidade no momento do resgate.
  • A opção de juros semestrais é uma forma de o investidor obter entradas regulares de caixa.
  • Incidência da menor faixa de tributação de IR da renda fixa, que é de 15%.

Desvantagens

  • A LF só é interessante para objetivos de longo prazo. Isso porque não podem ser resgatadas antes do prazo mínimo de 2 anos.
  • Além disso, os valores iniciais exigidos para o investimento são altos. Logo, é uma modalidade que não inclui o pequeno investidor.
  • Para finalizar, a LF não possui a garantia do FGC. Isso significa que o patrimônio do investidor fica mais exposto a riscos. Dessa forma, como vimos, é muito importante que o cliente conheça bem o histórico e a solidez da instituição financeira antes de aplicar seus recursos.

Se você ficou interessado em investir em letra financeira, não deixe de conversar com seu assessor de investimentos