Tudo sobre LCIs e LCAs em tempos de juros baixos

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.
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Assim como outros investimentos em renda fixa, as letras de crédito imobiliário (LCIs) e agrícolas (LCAs) viram sua demanda reduzida no atual cenário de juros baixos.

Segundo relatório Focus de 8 de setembro, a inflação projetada para 2020 é de 1,78%. Ou seja, isso é quase a Selic, que atualmente está em 2%.

Com isso, muitos investidores acabaram assumindo riscos e correram para investimentos mais rentáveis este ano. Entretanto, após meses de perda de espaço para a renda variável, a renda fixa voltou a despertar interesse. E, dentre esses investimentos, as LCIs e LCAs são opções que podem proporcionar ganhos acima dos CDBs.

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Vídeo publicado em março de 2018

Características das LCIs e LCAs

Do ponto de vista de quem investe, as LCIs e LCAs são idênticas, o que muda é o lastro do papel.

Isso porque as letras de crédito imobiliário têm lastro na carteira de créditos do setor imobiliário mantida pela instituição emissora. Por outro lado, as letras de crédito do agronegócio são utilizadas para captar recursos para a cadeia do agronegócio.

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As LCIs e LCAs são muito semelhantes aos CDBs.  Nesse sentido, o investidor que adquire esses papéis também “empresta” dinheiro para o banco, em troca de uma remuneração.

Assim como os CDBs, as LCIs e LCAs têm a garantia do fundo garantidor de crédito (FGC) e podem ser pós ou prefixadas.

Entretanto, existem alguns pontos que as diferenciam dos CDBs:

Liquidez

Normalmente, as LCIs e LCAs possuem liquidez inferior à de outros produtos de renda fixa. Isso significa que o investidor não consegue sacar os recursos a qualquer momento.

Carência mínima de 90 dias

Nesses títulos, via de regra, o prazo mínimo para o resgate é de 90 dias. Todavia, ele pode ser bem maior quando a renumeração estiver atrelada a um índice de preços. Nesse caso, o prazo poderá ser de 12 meses, se a atualização do título for anual, ou 36 meses se for mensal.

Tributação

Nesse ponto está um dos maiores atrativo das letras de crédito. Diferentemente dos CDBs e de outros títulos de renda fixa, As LCIs e LCAs não possuem imposto de renda. Logo, mesmo que tenham uma taxa mais baixa do que um CDB, a rentabilidade desses títulos pode acabar sendo mais vantajosa.

Expectativa atual para os juros

O receio de que o governo gaste acima do previsto e fure o teto de gastos tem gerado incertezas sobre a economia. Além disso, a indefinição da política fiscal e as discordâncias entre o presidente e o ministro da Economia também vêm assustando o mercado financeiro.

Consequentemente, o que ocorre nesses momentos é uma alta na curva de juros de longo prazo. Ou seja, essas incertezas geram riscos para a economia local, que se refletem na expectativa de alta dos juros futuros.

Para o mercado, no curto prazo os juros deverão continuar reduzidos. Por causa da forte crise econômica, os preços continuarão controlados e a taxa básica não deverá subir tão cedo.

Por outro lado, os juros longos são relacionados ao risco-país. Por isso, foram bastante afetados devido ao aumento da percepção de risco fiscal. Ou seja, o mercado passou a cobrar mais caro para financiar um governo que gasta acima do teto.

Segundo o Morgan Stanley, a curva de juros brasileira deve continuar bastante inclinada diante de risco fiscal. Para os analistas do banco, embora as necessidades de financiamento do Brasil se mostrem  administráveis em 2020, a perspectiva para 2021 é mais incerta.

Diante desse cenário, alguns já estão avaliando se é hora de sair de investimentos de prazos mais curtos. Em contrapartida, surgem dúvidas se vale a pena aproveitar as taxas mais altas para comprar papéis mais longos.

As LCIs e LCAs podem ser boas opções em tempos de juros baixos?

Pelos motivos já vistos, alguns analistas acreditam que essa é uma boa hora para comprar títulos de longo prazo.

Em recente reportagem do site Seu Dinheiro, Camilo Cavalcanti, superintendente de investimentos da Infinity Asset, afirma que é interessante ter hoje títulos de longo prazo. Principalmente os indexados à inflação.

Segundo Cavalcanti, existem taxas bem atrativas no mercado. Além disso, na sua opinião, as coisas precisariam piorar muito para essas taxas subirem novamente. Por isso, acredita que o momento é propcio para adquirir esses papéis.

Nesse sentido, as LCIs e LCAs podem ser hoje uma boa opção de ganhos no longo prazo para quem não deseja correr os riscos da renda variável.

Segundo Alexandre Marques, especialista da Ágora Investimentos, “sempre será interessante ter esses investimentos nas carteiras. Entretanto, a baixa liquidez e a carência mínima de 90 dias são pontos importantes a serem avaliados pelo investidor.”

Como já vimos, as LCIs e LCAs são mais interessantes do que o CDB caso o investidor tenha mais tempo para deixar o dinheiro aplicado. Além da rentabilidade normalmente ser maior, a isenção de IR contribui para o maior ganho nessas modalidades.

Além disso, Marques ressalta que há LCIs e LCAs que não são atreladas ao CDI, mas sim ao IPCA. Dessa maneira, o investidor garante um ganho real em relação à inflação. Por fim, observa que alguns investimentos em renda fixa já apresentam retorno real negativo (remuneração abaixo da inflação), como a poupança.