CRI e CRA: Entenda como funcionam os certificados de recebíveis

Natalia Gómez
Editora, é jornalista especializada no mercado de investimentos há 17 anos. Formada pela PUC-SP, teve experiências em veículos como Agência Estado, Valor Econômico e Revista Você SA; e na área de comunicação corporativa e relações públicas para instituições financeiras.

Você já deve ter ouvido falar de investimentos chamados CRI e CRA, mas chegou a hora de entender exatamente como estes funcionam e se são adequados para o seu perfil de investidor.

Primeiramente, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e os Certificados de Recebíveis Agrícolas (CRA) são títulos de renda fixa emitidos por companhias securitizadoras. O objetivo é financiar, como os próprios nomes já dizem: os mercados imobiliário e agrícola.

Estes títulos podem ser pré ou pós-fixados.

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Detalharemos mais especificamente cada item ao longo do artigo, mas em resumo:

Ao investir em um CRI ou CRA, você não tem um banco como intermediário.

É justamente por isso que estes investimentos oferecem melhores taxas de rentabilidade.

Cabe ressaltar também que muitos dos emissores destes certificados são consideravelmente maiores que os grandes bancos e maiores até mesmo que o Fundo Garantidor de Crédito.

O que são CRAs?

Vamos imaginar uma empresa que trabalha no ramo do agronegócio: uma produtora de milho, por exemplo.

Digamos que ela resolva renovar todo o seu maquinário de campo, como

colheitadeiras, tratores, etc.

Ela procura um banco ou uma cooperativa de crédito e faz os seus financiamentos a uma taxa média de 14% ao ano com um prazo de 60 meses.

O banco (ou cooperativa), para não ter que esperar até o final do prazo para receber o seu dinheiro de volta, emite um CRA e vende para investidores os seus créditos. Então, estes investidores receberão os juros do período.

Entendendo os CRI

Vamos novamente imaginar uma empresa do ramo imobiliário, como uma construtora por exemplo.

Suponhamos que ela construiu um prédio de 20 andares com um total de 40 apartamentos.
Vamos dizer que a construtora vendeu todos os apartamentos financiados ao preço de 1 milhão de reais cada.

Vamos considerar um prazo médio de 60 meses nos financiamentos à taxa de IGPM+1% ao mês.

Se a construtora aguardar todo esse tempo para receber os pagamentos, ela demorará 60 meses para ter todos os 40 milhões, mais os juros do período, para reaver o dinheiro dela investido e assim ter o seu lucro final do empreendimento que fez.

Para que ela tenha este dinheiro antecipadamente e consiga continuar os seus negócios, até mesmo para lançar outro empreendimento, ela emite um CRI e vende os seus créditos para investidores que ganharão os juros do período.

Os CRIs são ativos que costumam ser comprados por Fundos Imobiliários (FII).

O que é uma securitizadora?

Securitizadoras são empresas que compram créditos e securitizam. Ou seja, transformam estes créditos em títulos para serem vendidos posteriormente a investidores.

As securitizadoras são as únicas empresas autorizadas a emitir os CRI e CRA,

Quanto rende um CRI e CRA?

Os CRI´s e CRA´s podem ter todos os tipos de remuneração:

Prefixada: 12% ao ano por exemplo;
Pós-fixada: 110% do CDI por exemplo;
Pós-fixada + taxa fixa: CDI+1,2 ou CDI – 0,8 por exemplo;
Inflação + taxa fixa: IPCA+8% ou IGPM+7% por exemplo.

CRI E CRA- Opções de rendimento

Cada emissão de CRI ou CRA tem sua própria rentabilidade.

Esta depende muito da qualidade do emissor do título, da sua capacidade de honrar o pagamento, das garantias que o emissor oferece, etc.

O rendimento para o investidor de CRI e CRA é isento de impostos de renda e IOF.

Mas atenção: o ganho de capital, caso o investidor venda o titulo antecipadamente no mercado secundário, não é isento.

Entenda o que é mercado secundário

Quando é o banco (ou empresa, securitizadora, etc) que emite um título para venda, isto é o mercado primário.

Mercado secundário é quando os primeiros compradores destes títulos revendem para terceiros. Assim, eles passam a ser comercializados diretamente entre os demais compradores.

A flutuação do preço no mercado secundário acontece devido a diversos fatores, principalmente relativo a notícias da empresa emissora, da taxa de juros e do contexto do setor no qual a empresa atua.

CRIs e CRAs podem ter pagamento de juros e amortizações mensalmente, trimestralmente, semestralmente, anualmente ou somente no vencimento.

Cada título tem a sua característica, então antes de investir, consulte os detalhes do título que irá comprar.

Tenho perfil para investir em CRI e CRA?

Antes de continuar aprendendo sobre CRI e CRA, vale lembrar que cada investidor tem um perfil diferente. Para cada perfil e necessidade de investidor há uma forma mais indicada, ou seja, um melhor investimento.

Para conhecer o seu estilo e receber uma sugestão mais adequada, é importante que você faça um teste. 

Um dos grandes atrativos destes investimentos é que eles são livres de Imposto de Renda. Além disso, permitem investir em imóveis e no agronegócio com uma rentabilidade bastante atrativa.

Apesar de não ter a garantia do FGC, isso não significa que o CRI e o CRA sejam investimentos não seguros. Isto porque cada emissor possui um rating, também conhecido como nota de risco.

O rating é a nota atribuída à empresa que representa a sua capacidade de pagar suas dívidas. Esta nota é dada por agências de classificação de risco.

As principais são: Standard & Poor’s, Moody’s e Fitch Ratings. Juntas, elas controlam uma parcela de mais de três quartos do mercado global de avaliações de risco.

Com esta informação é possível escolher um CRI ou CRA de uma emissor confiável e de baixo risco. Em muitos casos, as garantias oferecidas chegam a ser maiores que o banco onde você costuma investir em renda fixa.

Para quem são indicados CRI e CRA?

Geralmente CRI e CRA são indicados para investidores que tenham uma carteira com um aporte maior e que já esgotaram o FGC em bancos que tenham boas taxas ainda disponíveis, ou também para quem procura diversificação em sua carteira.

Os investimentos em CRI e CRA tendem a ter uma rentabilidade mais alta que os investimentos de renda fixa tradicionais (LCI, LCA, CDB, LC, etc.) em virtude do risco maior.

Lembrando novamente que existem diversas emissões com grandes garantias de emissores confiáveis que tornam esse risco muito baixo.

É sempre interessante fazer alguns cálculos para comparar e ver quem rende mais.

Para isso utilize a nossa calculadora: https://www.euqueroinvestir.com/calculadora-melhores-investimentos/

Investidores em geral podem investir em CRI e CRA, porém algumas emissões são disponibilizadas somente para investidores qualificados.

Investidores qualificados

Investidor Qualificado, segundo a norma 409/04 da CVM é quem possui mais de 1 milhão de reais em aplicações financeiras.

Caso você se enquadre nesta condição, basta assinar junto ao banco ou corretora em que você investe, o termo de investidor qualificado, garantindo acesso a todas as emissões do mercado. Isso porque o Estado tenta “proteger” o investidor mais leigo destes investimentos que o governo considera mais arriscados.

Mesmo que você estude e entenda perfeitamente o funcionamento dos CRIs e CRAs, conheça a emissão com todos os detalhes e entenda sobre os riscos envolvidos. Se não for um ‘investidor qualificado’ você é proibido de investir por causa desta norma.

Sobre a segurança

Para que um CRI e um CRA seja originado é preciso ocorrer à securitização.

Para a sua realização é necessário seguir uma série de procedimentos incluindo a constituição do denominado Termo de Securitização, com os seguintes itens:

– Identificação do devedor;
– Valor nominal de cada crédito que lastreie a emissão;
– Indicação das garantias dos títulos, quando houver e;
– Identificação dos títulos emitidos.

Geralmente é instituído um regime fiduciário que garante a separação do risco do emissor, ou seja, se a securitizadora vier a quebrar, o fluxo de pagamentos para os investidores se mantém pois os recebíveis ficam separados do patrimônio da securitizadora.

Porém, mais uma vez vale ressaltar: antes de comprar um CRI ou CRA, observe o Rating (classificação de risco) do emissor dos créditos.

Porque caso os devedores dos recebíveis que compõem o lastro do CRI ou CRA não quitarem suas obrigações junto à securitizadora, o investidor poderá deixar de receber ou ter atrasos no recebimento.

(Texto original de Ricardo Casagrande)