Taxa Selic: como ficam os seus investimentos com a decisão do Copom?

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.

Crédito: Reprodução/Pixabay

Como aguardado pelo mercado, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa básica de juros, Selic, em 2% ao ano. Para o investidor, isto sinaliza que a renda variável segue como principal opção para quem busca rentabilidade.

Além disso, o foco agora deve ser buscar detalhes que indiquem se e quando a Selic vai subir. Portanto, o mercado ficará de olho na divulgação da ata da reunião, na terça-feira (26), e/ou no comunicado da próxima reunião, dias 16 e 17 de março.

Saber sobre a taxa Selic é importante porque a taxa funciona como um norte para montar uma boa carteira de investimentos.

Conheça planilha que irá ajudar nas escolhas, gestão e diversificação de suas ações

A regra é: com a taxa de juros baixa, os rendimentos da renda fixa deixam de ser tão atrativos. Por outro lado, com taxa de juros alta, a renda fixa volta a ganhar destaque.

A questão é que atualmente o mercado se divide entre os acreditam na manutenção da Selic em 2% ao ano por um bom tempo e aqueles que creem que ela ultrapasse os 3% ao ano. Há até quem projete que ela possa chegar a 5% este ano.

Confira também: Calendário de reuniões do Copom em 2021

Parcela do mercado crê em Selic a 2% ao ano em 2021

O educador financeiro André Massaro é um dos que acredita que a Selic deve ficar em 2% ainda por boa parte do ano, se não o ano todo. “Eu acho improvável um aumento da Selic com a economia recessiva do jeito que está”, diz.

Nesse sentido, a opinião é a mesma do economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez. Ele acredita em Selic a 2% ao ano por todo 2021 e afirma que ela é necessária. “O ambiente econômico ainda requer estímulos e a inflação deve se manter abaixo da meta, apesar dos repiques recentes”, avalia.

Dessa forma, ele acredita que alta atual da inflação é pontual e não se repetirá graças à retirada do auxílio emergencial, sem chances de ser renovado. “Não há espaço orçamentário para isso”, diz.

Sobre a retirada do forward guidance, ele acredita que isso se dá mais pelo horizonte de longo prazo, mirando 2022, do que para mudanças imediatas na Selic.

Outro grupo aponta Selic em tendência de alta

Segundo o último Boletim Focus, levantamento coletado pelo Banco Central junto às principais instituições financeiras, a taxa deve chegar a 3,25% ao ano até dezembro. Já em relatórios de bancos e casas de análise, as apostas chegam a Selic em até 5%.

No entanto, Massaro lembra que o Focus é uma apenas uma indicação de cenário futuro. Ou seja, nunca deve ser utilizado pelo investidor como fonte única para a tomada de decisão.

“Os números do relatório Focus representam uma percepção. Na verdade, são um termômetro de percepção do mercado. Não é o que vai acontecer. É esperado em uma economia saudável que as taxas de juros futuros estejam mais altas que as atuais, como temos hoje”, pondera.

Apostas sugerem taxa acima da projeção do Focus

Ainda assim, são muitas as apostas na subida da Selic. Para Pedro Galdi, analista de investimentos da Mirae Asset, o aumento da Selic deve vir a partir da próxima reunião do Copom, em março. “Se o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo – indicador oficial de inflação do país) não recuar, o Banco Central deve aumentar a taxa sim”, avalia.

Já o UBS prevê Selic a 4% até o final do ano. “Antes, a inflação estava muito abaixo da meta, principalmente durante a pandemia. O que aconteceu de uns dois ou três meses para cá foi que a economia mostrou mais sinais de aceleração, a inflação em tempo real, do dia a dia, subiu mais que o esperado e, principalmente, as expectativas de inflação para frente começaram a subir um pouco e a diminuir a diferença em relação à meta oficial. As expectativas para 2022 estão na meta e as de 2021 começaram a ficar mais próximas”,  disse o analista do banco, Fabio Ramos.

Paulo Filipe de Souza, sócio e assessor da EQI Investimentos, também visualiza uma subida da taxa Selic. “Devido à aceleração da economia e a problemas na cadeia logística, os preços subiram muito. E começaram a aparecer apostas para aumento de juros. O Banco Central diz que não precisa, mas o mercado aposta que alta pode vir”, diz.

Como ficam os investimentos se a Selic subir?

Como resultado deste movimento de alta, Souza explica que os investimentos que se valorizaram pela curva de juros podem sentir mais.

“Títulos que antes pagavam IPCA+ 4% ou 3% devem sofrer uma possível mudança. E o CDI volta a aparecer nas indicações”, explica.

Assim, o Certificado de Depósito Interbancário (CDI) – título emitido por bancos – volta a ganhar relevância. Este é o cenário para ele mesmo que a Selic ainda esteja extremamente baixa caso alcance os 3,25% do Focus.

E com a Selic a 2%?

No momento atual, com Selic mantida a 2%, entretanto, o investidor não deve perder de vista a pressão inflacionária. Por conta disso, os ativos atrelados ao IPCA e os que têm vencimento de curto prazo são as principais apostas.

Além de opção de diversificação, os ativos atrelados ao IPCA funcionam como proteção do poder de compra.

Como a Selic afeta os investimentos?

A Selic é o principal instrumento de política monetária utilizado pelo BC para controlar a inflação.

Quando o Copom reduz a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato. O que incentiva a produção e o consumo, mas reduz o controle da inflação.

Em sentido contrário, quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, seu objetivo é conter a demanda aquecida. Isso causa reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Taxa é a mais baixa da história

A taxa atual, de 2% ao ano, é a mais baixa já registrada na série histórica, que teve início em 1999. E representa a nona redução de um ciclo de cortes da Selic.

Em termos comparativos, em agosto de 2016, a taxa básica era de 14,25%. No passado mais distante, em maro de 1999, chegou a 45% ao ano.

Evolução da Selic em 10 anos