Forward guidance: conheça essa ferramenta de política monetária

Giovanna Castro
Jornalista formada pela UNESP.
1

Crédito: Forward guidance pode afetar diretamente a política econômica -Foto: Reprodução/ Fachada do Ministério da economia na Esplanada dos Ministérios

O termo Forward Guidance começou a aparecer nas atas do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, quando são detalhadas as decisões sobre a taxa de juros básica da economia, a taxa Selic.

Mas você sabe o que ele significa?

Em português, Forward Guidance (FG) quer dizer prescrição futura. É uma ferramenta de política monetária usada pelo Banco Central com o fim de sinalizar a taxa de juros de determinado período e guiar a economia de forma que a expectativa seja atendida.

BDRs| Aprenda mais sobre essa classe de Ativos

O objetivo é evitar surpresas que desestabilize o mercado e afete preços dos ativos. Afinal de contas, a confiança na economia tende a afetar diretamente as transações financeiras.

Ao apresentar uma noção detalhada dos rumos da economia por meio da Forward Guidance, os governos permitem que empresas e famílias passam tomar decisões financeiras com mais confiança. Também influenciam os investidores, que têm uma noção melhor sobre quais ativos estão mais favoráveis.

Além da taxa de juros prevista, o BC também apresenta as estratégias que serão adotadas para garantir que suas metas sejam cumpridas. A autarquia ainda lista os possíveis acontecimentos capazes de fazer com que essa abordagem mude. Assim, uma previsão mais completa sobre a política econômica é divulgada.

O instrumento pode ser adotado de quatro diferentes formas, independentes ou combinadas. Assim sendo, pode anunciar o estado de coisas que o BC busca, o período pelo qual atuará em determinada direção, os valores numéricos que perseguirá e/ou as condições qualitativas que deseja.

Cenários econômicos previstos pelo BC

Na ata do Copom de setembro, o plano de política econômica divulgado indicava a intenção de não aumentar a taxa Selic no longo prazo. No entanto, essa “promessa” só vale se a inflação do cenário básico para 2021 e 2022 se mantiver suficientemente abaixo da meta.

Essa medida fica condicionada também à manutenção do regime fiscal e o cumprimento do teto de gastos. Afinal, uma mudança nesse regime causaria alterações significativas à taxa de juros estrutural da economia.

Agora em outubro, representantes do comitê têm afirmado que pode haver uma flexibilização das condições fiscais, informou o Valor.

Essa flexibilização implicaria em desrespeito à regra do teto de gastos e, consequentemente, o BC sairia do projeto Forward Guidance. Caso isso se confirme, a tendência é que, como resultado, a taxa de juros não se mantenha estável e a confiança pública seja abalada.

História do Foward Guidance

O Foward Guidance foi oficializado como instrumento de política monetária no Japão, em 2007, sendo seguido pelo Banco Central norte-americano (Fed), pelo Banco da Inglaterra (BoE) e pelo Banco Central Europeu (BCE). Ele foi pensado inicialmente como um mecanismo adicional de política monetária em relação ao “zero lower bound” das taxas básicas.

No Brasil, os primeiros sinais de relatórios mais detalhados, mesmo que sem o nome Foward Guidance, foram vistos em 2013.

Nos Estados Unidos, o FG é uma das medidas mais usadas pelo Fed desde a Grande Recessão para influenciar o mercado. Ela serve para comunicar a população sobre a intenção de manter as taxas de juros baixas, melhorar a disponibilidade de crédito e estimular a economia do país.