Baixo retorno com CDI? Conheça fundos multimercados que rendem mais de 200% do indicador

Giovanna Castro
Jornalista formada pela UNESP.
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Crédito: Foto: Advantus Media Inc. and QuoteInspector.com

A rentabilidade dos fundos multimercados foi diretamente afetada pela queda da taxa de juros dos últimos meses. Afinal, muitos desses fundos têm ativos de renda fixa em suas carteiras. Por isso, eles têm rendimento diretamente atrelado à taxa de Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI).

Com a taxa básica de juros Selic na mínima histórica (2% ao ano), os padrões de comparação de rendimentos em renda fixa de multimercados mudaram. Os especialistas começaram a indicar que rendimentos positivos seriam aqueles acima de 200% do CDI.

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Por exemplo, o CDI rendeu 2,75% no ano de 2020. Isso significa que, com rentabilidade a 200%, o rendimento foi de 8,25%. Esse valor, para o consultor e professor titular de finanças da FGV, William Eid Junior, é considerado um bom rendimento em qualquer situação.

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Fundos multimercados rendem mais de 200% do CDI em 2020

No levantamento da consultoria Economática sobre os 20 melhores fundos multimercados de 2020, todos apresentaram rendimento superior a 200% do CDI. No gráfico abaixo, a penúltima coluna mostra o retorno anual dos fundos.

Como indicado pelo professor Eid Junior, todos aqueles que apresentam número superior a 8,25% renderam mais que 200% do CDI. E os números vão de 10,41% no vigésimo fundo, a 53,12% no primeiro fundo com maior rentabilidade.

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Melhores fundos multimercados de 2020

Fonte: Economática

Entre os fundos que apresentaram melhor performance, destacam-se os fundos que estão relacionados ao ouro, um dos ativos que mais teve valorização em 2020 por conta da pandemia.

Com a crise, os investidores buscaram esse ativo de proteção de patrimônio, historicamente visto como um dos mais seguros do mercado. Assim, o preço do ouro subiu e, consequentemente, os dos fundos de ouro.

Além disso, os fundos com ativos no exterior, que estão expostos ao dólar, também acompanharam a subida da moeda. No entanto, segundo Elias Eiggers, assessor de investimentos da EQI, esses fundos provavelmente cairão um pouco em 2021.

Isso porque, com a retomada das economias, os investidores devem voltar a diversificar suas aplicações. Com essa maior confiança, a entrada novamente de capital estrangeiro em países emergentes deve fazer com que o dólar caia um pouco. No caso do ouro, a demanda diminui e então o valor do ativo também.

Expectativa do mercado para 2021

Na visão de Wiggers, as expectativas para 2021 são de um retorno do capital aos países emergentes. Confiante de que as economias comecem a voltar a crescer e os países emergentes a produzir, o mercado vê a possibilidade de um dólar mais enfraquecido, e consequente valorização das outras moedas.

“Deve haver uma valorização da nossa moeda. Além disso, com a retomada de crescimento a nível mundial, estamos prevendo um novo ciclo de commodities, como o do início dos anos 2000 até a crise de 2008. Temos indicadores apontando nesse sentido. E com certeza o ouro também deve perder valor na medida em que as economias globais voltem a funcionar”, comentou o especialista.

Dessa forma, a tendência é de que os melhores fundos multimercados de 2021 sejam os globais, e não mais aqueles atrelados a ouro e dólar.

Como funcionam os fundos multimercados

Fundos multimercados são fundos que têm maior liberdade para investir em diversas classes de ativos, no Brasil e no exterior. Em geral cobram 2% de taxa de administração mais 20% de taxa de performance. Não são considerados baratos, aponta Eid Junior, mas, se trouxerem um bom retorno para o investidor, podem ser muito compensadores.

Podem fazer parte desse grupo ações de diversos segmentos, como também títulos de renda fixa, câmbio, derivativos, commodities e contratos no exterior.

Essa escolha dos ativos comprados pelo fundo é feita de acordo com a estratégia e definição do fundo. Tudo é feito por um gestor ou uma equipe de gestores. E eles podem levar em conta diversos fatores, para diferentes objetivos do investidor.

Alguns fundos têm como objetivo o prazo de retorno, por exemplo. Ou seja, os gestores de um fundo com foco em curto prazo escolhem ativos que prometem ter valorização rápida com um movimento de mercado. Enquanto os fundos voltados para o longo prazo apostam em ações que têm bom dividend yield e títulos de renda fixa, trazendo uma segurança um pouco maior e gerando frutos para o investidor ao longo do tempo.

Como fazer um bom investimento em fundos multimercados?

Investimentos em fundos multimercados são indicados para investidores de perfil moderado a agressivo. “Em geral, o investidor conservador não deve se expor a esses fundos. A menos que seja uma parte muito pouco relevante do patrimônio, limitando-se a 5% no máximo”, comenta Wiggers.

Além de atender ao perfil de investidor indicado, é importante se atentar a avaliações pontuais na hora de escolher em qual fundo multimercados aplicar.

“Observar a rentabilidade desses fundos de 24 meses ou mais, prestando atenção na regularidade desses rendimentos. Como vimos, questões da economia macro podem afetar em determinadas épocas. Então, é preciso fazer uma análise mais minuciosa para saber se, no longo prazo, esses fundos têm capacidade de, mesmo com possíveis quedas, se recuperarem bem”, explica o especialista.

Dessa forma, não se deve apenas olhar para os fundos que estão bem no momento. Por exemplo, esses fundos relacionados a ouro foram bem em 2020, mas espera-se que o ouro caia um pouco agora em 2021. Se o investidor comprar apenas com essa visão momentânea superficial, pode ter perdas e vir a se frustrar.

Assim, o mais indicado é tentar buscar, dentro do seu objetivo, aqueles fundos que têm uma estratégia alinhada com o que você procura. Você precisa de um investimento de curto, médio ou longo prazo, por exemplo?

Além disso, é sempre indicada a diversificação de carteira. Para Wiggers, não se deve apostar todos os seus recursos em um só gestor. Afinal, o bom fundo de hoje pode não ser o bom fundo de amanhã.

“Essa diversificação pode acontecer dentro do próprio segmento. Apostar em mais de um fundo multimercado, mas não pulverizar. Ter 2 ou 3 fundos na sua carteira, com estratégias diferentes, para sentir as respostas e comparar os gestores é o ideal”, aconselhou.