Número de mulheres investidoras mais do que dobra na B3

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

Dentro do universo de 3,147 milhões de pessoas físicas que estão na bolsa de valores brasileira, 2,337 milhões são homens e apenas 809,5 mil são mulheres.

Apesar de ainda serem minoria, elas vêm ganhando espaço, já que eram apenas 388.497 em janeiro. Ou seja: o número de mulheres na bolsa mais do que dobrou ao longo do ano, o que aponta uma tendência que deve passar a ser cada vez mais observada e explorada por agentes do mercado financeiro.

Isto porque são muitas as chefes de família (o montante ultrapassa os 40%, segundo o Ipea). E 66% passaram recentemente por uma importante transição financeira, conforme aponta estudo da Frankin Templeton Investments.

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Mulheres apontam falta de conhecimento sobre investimentos

Ao mesmo tempo em que elas têm mais poder aquisitivo e de decisão nos gastos, elas não têm, na própria avaliação, conhecimentos suficientes para tomar decisões de investimento.

Segundo o levantamento da Frankin Templeton, 58% das mulheres consideram que seus conhecimentos não são suficientes. E 37% acabam ficando na poupança exatamente por esta razão.

Fora tudo isso, tem ainda mais um dado que liga o alerta na necessidade de as mulheres “acordarem” para o mercado financeiro: a expectativa de vida delas é maior do que a dos homens em sete anos. Ou seja, se a intenção é ter uma aposentadoria tranquila, é bom saber, por si só e desde já, o que fazer com o dinheiro.

Em uma pesquisa realizada em setembro pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), apenas 11% dos participantes eram mulheres.

“Foi bastante impactante a diferença de volume entre participantes do sexo masculino e feminino. Isso demonstra uma concentração ainda muito forte de homens no nosso público investidor. Com certeza, temos ainda um longo caminho pela frente”, afirma Bruno Luna, da CVM.

Investidoras estão no Sudeste e no Sul

Outro dado sobre o universo das investidoras é que a faixa etária predominante é de 26 a 55 anos, segundo a B3.

Geograficamente, a maioria delas está concentrada nas regiões Sudeste e Sul. São 325 mil em São Paulo, 90 mil no Rio, 77 mil em Minas, 46 mil no Paraná, 41 mil no Rio Grande do Sul, e 34 mil em Santa Catarina.

Investidoras são mais resilientes na crise

Um outro estudo, da empresa de investimentos Vanguard, publicado pelo Financial Times em abril, mostrou que no período de maior turbulência na Bolsa, durante a pandemia, cerca de 4% das mulheres movimentaram suas carteiras, enquanto 7,5% dos homens fizeram algum tipo de mudança.

O mesmo levantamento demonstrou que isto não se deu apenas nesta crise. Historicamente, durante turbulências, elas tendem a ser 50% mais resilientes do que os homens. Foi assim durante o surto de ebola, as eleições presidenciais, a crise de dívida americana e a crise de 2008.

Gestoras de fundos também se destacam

A calma também é maior entre as gestoras mulheres. Segundo pesquisa da Hedge Fundo, que comparou gestores e gestoras de fundos durante a crise de 2008, as gestoras mulheres acumularam uma queda de 9,6% na rentabilidade dos investimentos, enquanto os homens amargaram, na média, um prejuízo de 19%.

Alguns fundos vêm se adaptando a estas constatações, caso do Vitreo Franklin W-ESG FIA BRD Nível I. Este fundo investe apenas em empresas com as melhores práticas ESG (de governança ambiental, social e corporativa) e naquelas que têm, comprovadamente, políticas internas de diversidade de gênero, com mulheres ocupando cargos de liderança e com espaços nos conselhos das companhias.

Para formar o fundo, foi levada em conta uma pesquisa da S&P Global Market Intelligence que apontou que empresas com mulheres como diretoras financeiras conseguiram um aumento de 6% no lucro após a nomeação das líderes para o cargo.

“A gente entende que o assunto ainda é um tabu e que produtos como esse ajudam a levar a pauta para a mesa dos grandes gestores. O mais legal é que esse discurso vem atrelado a resultados muito claros sobre o ganho de eficiência que esse tipo de política provoca em todo mercado”, comenta Ilana Bobrow, sócia da Vitreo Gestão.

Quem são as mulheres investidoras?

Para entender como as mulheres se sentem em relação aos investimentos, conversamos com duas assessoras acostumadas a lidar com as dúvidas e os anseios femininos quanto a investimentos.

Priscila Navarro é assessora daEQI Investimentos. Brenda Pereira Peixoto, sócia e assessora sênior na EQI. Confira os principais pontos indicados por elas, que diferenciam investidores e investidoras.

Homens ainda por trás dos investimentos femininos

Brenda aponta que as mulheres costumavam representar 18% de seus clientes. Agora, chegam a 40%. O número bate com o de Patrícia.

Apesar do aumento, diz Brenda, há ainda muitas contas no CPF de mulheres, mas administradas por homens.

“Ainda encontro muito maridos e filhos cuidando dessas contas. Também recebo muitas viúvas, que precisam assumir as finanças devido ao falecimento do parceiro”, ela conta.

O que não quer dizer que o tema não seja “coisa de mulher”: “O cenário está mudando, conforme o poder aquisitivo das mulheres aumenta. Hoje, meus dois maiores clientes em quantidade de dinheiro investido são mulheres”, revela.

Mulher precisa estar bem informada

As assessoras são unânimes em afirmar que a tomada de decisão pelo investimento leva mais tempo com as clientes mulheres. Isto porque elas precisam estar realmente certas e por dentro do tema.

“A investidora mulher gosta de ter acesso a conteúdo. Ela primeiro busca informações, se mune com dados, depois vem para a reunião”, diz Brenda.

Priscila concorda que este é um ponto que diferencia muito homens e mulheres.

“A mulher quer entender, quer ter conhecimento e segurança. Ela não faz a aplicação olhando rentabilidade apenas. Ela quer entender no que vai investir, quanto terá de imposto a pagar, qual o risco, quem é o emissor, onde estará a custódia e assim vai. O homem trabalha mais com números e resultados”, avalia.

Mulheres são mais conservadoras

Mulheres também são mais “pé no chão” nos investimentos escolhidos e focam no longo prazo.

“A mulher tende a começar nos investimentos conservadores, como os que ela já está acostumada no banco que tem conta. À medida que vai entendendo, ela vai ficando mais à vontade e mais arrojada”, diz Brenda.

“Em renda fixa, elas gostam de CDB, LCI e LCA. Na renda variável, preferem fundos imobiliários e ações de empresas sólidas, buscando o pagamento de dividendos”, revela Patrícia.

Metas variam de acordo com a fase da vida

As metas dos investimentos, elas dizem, também dependem muito da fase da vida de cada uma. Sendo que, ao ter filhos, as mulheres passam a agir com ainda mais cautela.

Patrícia aponta que segurança e planejamento de vida estão sempre no foco das investidoras. “Elas têm todo um planejamento para o seu dinheiro e não arriscam jamais um capital que podem vir a precisar”, conta. E complementa: “Elas têm que ter muita confiança e segurança no assessor. É muito mais um trabalho de relacionamento do que de investimento em si”.

 

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