A Selic, que é a taxa básica de juros da economia, foi reajustada na última quarta-feira (27) para 7,75% ao ano, e esse movimento colocou ainda mais a renda fixa no radar do investidor.
Isso porque a taxa é usada como referência na renda fixa e, com ela em elevação, esse tipo de investimento se torna atrativo em relação à renda variável e poupança.
“A poupança nem é investimento. Ela está mais para uma carteira que remunera o capital aplicado ali por 30 dias”, disse Walter Manfro, sócio e coordenador de produtos estruturados da EQI Investimentos.
Ele explicou que o governo financia a habitação por meio da poupança, ou seja, o poupador está emprestando dinheiro para o governo que redireciona com juros consideravelmente baixos para o cidadão que quer comprar ou construir. Ou seja, o objetivo não é bem-remunerar o aplicador.
Manfro e Denys Wiese, economista-chefe da EQI Investimentos, participaram do painel “Oportunidade na renda fixa: maior rentabilidade com menor volatilidade”, dentro da programação da Money Week.
Renda fixa: tudo o que você precisa saber
De acordo com os executivos da EQI, dentro da renda fixa existem três tipos de rentabilidade: a pós-fixada, a pré-fixada e a híbrida.
“A pós é atrelada ao CDI e este é atrelado à Selic. Assim, se a Selic sobe, o CDI também sobe”, disseram, citando o Certificado de Depósito Interbancário.
E acrescentaram: “os pré-fixados são os mais simples de entender, até porque se movimentam menos em relação à oscilação do mercado”. Ocorre que, como o nome diz, o investidor escolhe uma taxa previamente, e já sabe quanto ela vai remunerar ao final do contrato.
“Com a pós-fixada não dá para ter essa ‘prévia’, somente depois, e a rentabilidade é totalmente dependente da flutuação da Selic e CDI”, destacaram. Por fim, a rentabilidade híbrida é um pouco dos dois.
Uma estratégia para a pós-fixada seria investir quando a taxa de juros está baixa, mas em elevação. É, basicamente, o cenário atual, pois a perspectiva do mercado é que a Selic ultrapasse os 9% dentro de pouco mais de um mês. “Já a pré-fixada é mais adequada para ambiente de juros em queda”, disseram.
Qual investimento é melhor?
Uma das perguntas mais ouvidas por corretores e assessores autônomos costuma se repetir: qual investimento é melhor? Acontece que não há uma resposta certa que feche questão acerca disso. “Isso depende do que o investidor quer”, disse Wiese.
E complementou: “também depende do perfil de investidor, do prazo que ele pretende alocar e outros fatores.”
Segundo o economista, nem todo investimento é bom o tempo todo, por todo o tempo, pois, via de regra, os ativos vão se comportando de acordo com o cenário econômico.
Também disse que existem momentos em que o CDI pode performar melhor e, em outros momentos, o ouro, o dólar e outros mais. Wiese mostrou isso na prática, com ajuda de gráficos analisando períodos específicos.
Em um ponto, contudo, o economista foi enfático: “os investimentos vão se alternando entre qual é o melhor e qual é o pior, mas, quem quer ter pouca oscilação deve focar na renda-fixa”.
Isso porque, disse, a renda fixa agora está em um bom momento justamente pela elevação da Selic, que deve prosseguir.
Tipos de investimento em renda fixa
Os especialistas da EQI Investimentos elencaram os tipos de investimentos em renda fixa que o investidor deve conhecer, seja para aumentar o patrimônio, seja para rebalancear a carteira ou qualquer outra razão. Boa parte deles são garantidos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
O FGC assegura que, em caso de quebra de alguma instituição, todo investidor seja restituído no valor de seu investimento desde que até R$ 250 mil. Ou seja, quem tem mais do que esse montante deve sempre tomar o cuidado de dividir suas alocações para se certificar de estar dentro dessa norma.
- Tesouro Direto
Trata-se de um título emitido pelo governo para captar recursos no mercado. Neste “veículo de investimento”, as aplicações podem ser taxas prefixadas (Tesouro Prefixado e Tesouro Prefixado com Juros Semestrais), pós-fixadas (Tesouro Selic) ou híbridas, atreladas à inflação (Tesouro IPCA+ e Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais). Um dos benefícios é a isenção de impostos, entretanto, existe a taxa de custódia.
- CDB
Os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) são um instrumento de captação de recursos utilizado pelos bancos, sendo que os títulos mais comuns são pós-fixados que oferecem como remuneração um percentual de algum índice de referência de renda fixa – normalmente, a taxa do CDI. Eles são tributados pelo IR seguindo a tabela regressiva (de 22,5% a 15%).
- LCI e LCA
Estas são letras de crédito que funcionam de forma semelhante à dos CDBs, mas estão vinculadas com alguma atividade de crédito relacionada ao setor imobiliário (LCI) ou do agronegócio (LCA). As mais comuns são as pós-fixadas, que geralmente oferecem remuneração inferior a dos CDBs. Também são isentas de imposto de renda.
- Debêntures
Estas são usadas pelas empresas para financiar grandes projetos e, assim, costumam ter um vencimento mais longo, de cinco a dez anos. Essa modalidade pode ter retornos pré-fixados, pós-fixados ou híbridos. Porém, o investidor deve saber que há cobrança de IR, com alíquotas que variam de 22,5% a 15%, exceto para debêntures incentivadas, utilizadas para captar recursos de grandes obras de infraestrutura no país. Outro ponto: não é coberta pelo FGC.






