CDI e Selic: entenda o significado e as diferenças

Cristiane Donini
Socióloga, pesquisadora na área de Economia Comportamental e Psicologia Econômica.
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Crédito: Reprodução/Unsplash

É bastante natural que o investidor se sinta um pouco confuso com as inúmeras siglas existentes no mercado financeiro. 

Os termos CDI e Selic fazem parte desse rol de siglas e, certamente, estão entre as mais vistas no noticiário econômico e nas informações sobre rentabilidade de produtos financeiros ou taxas de juros de empréstimos. 

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Mas, você sabe o que significam essas duas siglas e como elas influenciam na sua vida cotidiana?

Continue a leitura e entenda as diferenças entre CDI e Selic.

CDI e Selic são indexadores econômicos

Antes de detalhar o significado desses dois termos, acho importante que você entenda que ambos servem de referência para estabelecer a rentabilidade de investimentos pós-fixados, taxas de juros de empréstimos e também para o reajuste de contratos. 

Compreendendo isso, ficará mais fácil para você analisar as diferenças entre os investimentos de renda fixa, e entender como será calculado o seu ganho em cada um deles.

O que é CDI?

CDI é a abreviação de Certificado de Depósito Interbancário. Trata-se de um título emitido por um banco como garantia de empréstimo tomado junto a outro banco. 

Estes empréstimos entre bancos ocorrem para garantir a estabilidade do sistema financeiro. Por determinação do Banco Central, instituições financeiras não podem terminar o dia com o caixa negativo. 

Sendo assim, se ao final do dia um banco teve mais retiradas do que entradas de dinheiro, pega dinheiro emprestado junto a outro banco que tenha encerrado o dia com sobra de caixa. 

Esses empréstimos são de apenas um dia e têm taxa de juros prefixada – a taxa DI – que é baseada na média dos juros cobrados nessas transações entre bancos.

A variação da taxa é diária, contudo, ela é normalmente expressa com o um percentual anualizado. 

A relação do CDI com os investimentos 

Como vimos, o CDI, além de um certificado de transação entre bancos, é também um indexador da economia. 

Certamente você já viu no seu banco ou na plataforma da corretora, investimentos de renda fixa pós-fixados, cujo rendimento é um percentual do CDI. 

Se tomarmos como exemplo um CDB cujo rendimento seja 100% do CDI, significa que seu ganho bruto será de 5,15%, que é a atual taxa do CDI. 

Vários investimentos têm rentabilidade indexada pelo CDI, entre eles, os CDBs, LCI, LCA, LC, Fundos DI. 

  • Muitas siglas? Não se preocupe, você pode saber mais sobre investimentos em renda fixa aqui.

Além de indexador de rentabilidade, o CDI também é usado como referência para avaliação de performance de fundos de renda fixa e multimercados. 

A taxa do CDI tem correlação com a taxa Selic. Os valores são sempre bem próximos e a taxa do CDI é sempre um pouco inferior. 

O que é a taxa Selic?

A Selic é a taxa básica de juros da economia. Assim como o CDI, ela também é um indexador. Ou seja, influencia as demais taxas de juros, inclusive o próprio CDI. 

O termo Selic é a sigla de Sistema de Liquidação e Custódia, que é onde são registradas todas as negociações realizadas com títulos públicos federais. 

A Selic é a referência do governo para tomar recursos emprestados para custear suas despesas. 

E quem empresta dinheiro ao governo? Todas as pessoas físicas ou jurídicas que compram e vendem títulos do Tesouro Direto.

Além de funcionar como referência para o rendimento das aplicações em títulos do Tesouro, a Selic também é um importante instrumento do Banco Central para controle da inflação e estabilização da economia.

O Copom (Comitê de Política Monetária) se reúne a cada 45 dias para definir a taxa Selic. Essa definição resulta dos estudos sobre a atividade econômica brasileira e os níveis de inflação. 

A taxa definida pelo COPOM baliza o mercado para transações financeiras como um todo. 

O papel da taxa básica de juros na economia

Quando a inflação está alta e os preços estão subindo muito, o Copom sobe a taxa Selic para conter a alta da inflação. 

Selic alta, significa juros maiores para empréstimos e financiamentos. Isso desestimula o consumo das famílias e reduz a demanda por bens e serviços. Com isso, os preços diminuem, reduzindo a inflação. 

Inversamente, quando a inflação está baixa, o Copom tende a reduzir a taxa Selic. Dessa forma, os financiamentos ficam mais baratos, levando as empresa a buscar crédito para investir em seus negócios. A facilidade do crédito também faz com que pessoas físicas consumam mais, movimentando a economia. 

Resumindo, o Banco Central tem a Selic como instrumento para estimular ou desestimular a atividade econômica, e assim manter a inflação sob controle. 

Como a taxa de juros influi nos investimentos de renda fixa?

Vários investimentos de renda fixa, como títulos públicos, poupança e títulos privados pós-fixados como CDB, LCI, LCA, entre outros, são impactados diretamente pela taxa Selic.

Como vimos, esses ativos são indexados pelo CDI, que por sua vez é atrelado à Selic. Assim, a variação da Selic interfere na rentabilidade que você irá receber no vencimento de cada aplicação. 

Se você pretende investir em renda fixa, é fundamental acompanhar as variações da Selic para melhor identificar quais aplicações são mais adequadas às suas metas de rentabilidade.

A diferença ente Selic e CDI

De forma simplificada, podemos dizer que o CDI é o balizador dos empréstimos privados entre bancos. São títulos emitidos em garantia pelo próprio banco tomador do empréstimo. 

A média das taxas desses títulos é usada como indexador na remuneração dos investimentos em renda fixa. 

A Selic, por sua vez, é a referência utilizada nos empréstimos entre bancos, tendo como garantia os títulos públicos que o banco tomador de empréstimo tenha em carteira. 

Ambas as taxas têm atuações bem similares enquanto indexadores dos juros de investimentos em renda fixa. 

Sendo assim, manter-se atento à tendência da Selic e do CDI irá te ajudar a fazer melhores escolhas e evitar perda de rentabilidade em suas aplicações financeiras. 

Conte sempre com a ajuda de um assessor de investimentos para entender quais as aplicações mais alinhadas às suas necessidades. 

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