Massa, Razia e Pereira: esporte se une aos negócios na Money Week

Paulo Amaral
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Crédito: Felipe Massa, de Mônaco, e Luiz Razia, no estúdio, durante a Money Week (Reprodução/YouTube)

A terceira edição da Money Week, encerrada na sexta-feira, contou com a presença de três caras novas no mundo dos negócios, todas vindas do esporte.

Felipe Massa, ex-piloto de Fórmula 1, Luiz Razia, que também era piloto, e hoje apresenta o programa Auto Esporte, da TV Globo, e Thiago Pereira, ex-nadador e maior medalhista da história dos Jogos Pan-Americanos, compartilharam com os inscritos no evento online sobre a experiência como investidores.

Os pontos em comum citados pelo trio para alcançar sucesso no ambiente do mercado financeiro foram, segundo todos eles, trazidos da esfera esportiva: disciplina e paciência. Muita paciência.

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Em qualquer tipo de situação, precisa ter a disciplina de analisar e entender o que está ocorrendo dentro de uma empresa. Esse é o tipo de pensamento que você tem que ter sempre”, ponderou Massa.

Vi gente perdendo muito, pois não controlou e gastou demais. É preciso entender para onde vai seu dinheiro, independentemente de ser esportista. Isso vale para qualquer tipo de situação”, complementou.

Você precisa ter disciplina e entender o nível de risco que pode ter. É a mesma coisa de uma ultrapassagem na corrida. Você avalia em milissegundo. Se você criar o método certo de ultrapassar um piloto, 70% das vezes vai dar certo. Se fugir um pouco do padrão, pode bater. É cálculo de risco”, comparou Razia.

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Thiago Pereira, que compôs o último painel do evento ao lado de Tiago Magnus, CEO da Transformação Digital, e de Juliano Custódio, fundador e CEO daEQI Investimentos, concordou com os dois ex-pilotos.

O esporte é um empreendedorismo. Uma coisa que eu trouxe do esporte foi um pouco de frieza. Em vários momentos. Isso foi muito do esporte. Tem que ter frieza, calma. Sei que as coisas não acontecem do dia da noite. Tem o tempo de maturação de cada coisa”, ponderou.

O crescimento é lento. Hoje o aluno sai da faculdade e em um ano quer que a empresa fique milionária. Quer conquistar tudo muito rápido, da noite para o dia e, quando isso não acontece, pensa que o mundo acabou”, completou o campeão de natação.

Agressivos no esporte, conservadores no mercado financeiro

Money Week

Felipe Massa e Thiago Pereira têm outros pontos em comum tanto na carreira que trilharam como esportistas, um nas pistas e outro nas piscinas, quanto na ainda embrionária no mercado financeiro.

Enquanto nas pistas Felipe Massa acelerava sua Ferrari a mais de 300 quilômetros por hora e arriscava a vida em curvas e ultrapassagens, Thiago Pereira treinava 6 a 8 horas por dia nas piscinas, suava na musculação e puxava o fôlego a cada braçada para melhorar milésimos de segundo em seus tempos na busca por recordes.

No ambiente de negócios, ambos, no entanto, adotam um estilo mais “pé no freio”, com o perdão do trocadilho. Sempre pensei em investir meu dinheiro, mas nunca fui agressivo demais. Sempre fui conservador, mas acho que depende das oportunidades, dos momentos. Agora, com juros lá embaixo, mercado de bolsa virou boa opção. Sempre fui tranquilo, mas um trabalho bem feito, de aproveitar oportunidades, pode render bem. Entender o momento te faz tirar mais”, explicou Felipe Massa, durante seu painel na Money Week.

“A gente tem que ser mais simples e não ter medo de errar. Todo mundo erra. Se errar, faz de novo, volta. Se perder, volta. A gente tem que buscar informação. Se a gente faz o planejamento patrimonial certo, guarda isso, guarda aquilo, daqui a 10 anos a gente vai ver isso. É algo importante e que falta muito para atletas do nosso País”, comentou Pereira, em discurso bastante parecido com o do ex-piloto.

Para não ficar de fora do papo, Luiz Razia, que no esporte não teve o mesmo brilho dos demais, no âmbito empresarial, ao mesmo, se mostrou “na mesma volta” dos ex-vencedores. “Dica valiosa é escolher boas empresas, que você goste e use no dia a dia. Dê uma olhadinha no balanço. Pode fazer aportes mensais. É o mais fácil e mais seguro de fazer. Quando achar que a empresa está cara demais, pode colocar no CDB, que é uma renda fixa mais segura. Quando houver uma crise, pega o dinheiro da reserva de emergência e aloca nas empresas que gosta. Muita gente aproveita esse momento de crise para ganhar. Costumam dizer que, quando tem sangue nas ruas, é hora de aportar o dinheiro”.

Boa companhia é fundamental para vencer no empreendedorismo

Money Week, Felipe Massa

Investir não é fácil para quem está começando ou não domina o mercado. Cientes disso, os experts no esporte não mostraram qualquer constrangimento em admitir que têm como ponto comum procurar ajuda especializada, de profissionais, para cuidar do dinheiro.

É importante estar com profissionais que vão te ajudar e te fazer evoluir. Acreditar nas pessoas certas e ter profissionais do seu lado pode te levar a um caminho maior do que você imagina“, comentou, revelando, na sequência, quem o ajudou a não deixar o dinheiro acumulado durante a carreira nas pistas “evaporar”, como afirmou ter visto acontecer com alguns colegas.

Entrei no Family office de uma pessoa que confio muito, que é o Rodrigo Natel. Estou dentro de um escritório muito bem organizado e que ajuda nos meus investimentos. Ajuda o dinheiro a continuar subindo. O mais importante é você sempre entender quanto você gasta e para onde está indo seu dinheiro, pois é muito fácil queimar dinheiro. Tem que confiar em pessoas e empresas sérias“.

Luiz Razia endossou as palavras do amigo e também concordou que é essencial se cercar de pessoas que entendam do assunto, embora tenha confessado que administra sozinho 100% de sua carteira.

A Fórmula 1 é como o mercado financeiro. É muito fechado. Precisa ter influência. É difícil você, como piloto, bater na porta das empresas. Eu, hoje, escolheria um bom manager”, comparou.

Thiago Pereira, que é cliente da EQI Investimentos, não deixou por menos. “O que importa é estar focado e ter uma equipe que vá te ajudar. Não sabemos tudo. Se a gente não sabe, tem que contratar quem sabe”, concluiu.

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