FII Summit: a importância da liderança feminina no setor imobiliário

Paulo Amaral
Jornalismo é meu sobrenome: 20 anos de estrada, com passagens por grandes veículos da mídia nacional: Portal R7, UOL Carros, HuffPost Brasil, Gazeta Esportiva.com, Agora São Paulo, PSN.com e Editora Escala, entre outros.
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Cofundadora do movimento Mulheres do Imobiliário, Elisa Tawil foi uma das boas atrações do segundo dia do FII Summit, com um tema mais do que atual.

A executiva destacou os muitos pontos que às vezes passam despercebidos sobre a importância da liderança feminina no setor imobiliário e nas empresas de um modo geral. E explicou o porquê criou o movimento, em 2019.

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“Nossa prioridade é falar sobre equidade e sobre liderança feminina. Os três pilares principais são apoio, networking e capacitação. Nesses pilares são feitos os nossos programas e os nossos projetos”, comentou.

“O objetivo é reconhecer o espaço que conquistamos até aqui, reforçando nosso papel e importância no setor, nos unindo em uma rede de apoio recíproca para propagar, apoiar e capacitar”, complementou Elisa.

Liderança feminina em números

Elisa demonstrou, com números, o porquê a participação cada vez maior de mulheres em um mercado tradicionalmente voltado para o universo masculino é boa para elas e, também, para as empresas que apostarem suas fichas na equidade.

“Por que falar sobre mulheres em um evento sobre Fundos Imobiliários? A resposta é simples: Segundo dados da Mc Kinsey, companhias que possuem ao menos uma mulher em seu time de executivos são mais lucrativas. Isso porque essas empresas têm 50% mais chance de aumentar a rentabilidade e 22% de crescer a média da margem Ebitda”, explicou.

De acordo com os dados apresentados por Elisa Tawil, há ainda mais ganhos nas empresas que apostam em mulheres como líderes. “A mentalidade de inovação é seis vezes maior nas empresas com equidade de gênero, e o aumento de mulheres no quadro de executivos traz maior lucratividade e inovação”.

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Cenário no Brasil é ruim

FII Summit

Os números positivos, a princípio, não parecem ter empolgado boa parte das empresas no Brasil. De acordo com a cofundadora do movimento Mulheres do Imobiliário, que nasceu em 2019, o País apresentou, em 2020, o pior cenário dos últimos 30 anos para o universo de trabalho feminino.

“Infelizmente a participação das mulheres ficou abaixo dos 50% entre abril e julho do ano passado, a menor faixa em 30 anos. Nunca tivemos um número tão ruim na participação de mulheres no mercado de trabalho, e isso é um ponto de alerta para nós”, comentou, chamando a atenção de todas as que estavam ligadas nessa edição do FII Summit.

Igualdade x Equidade: destaque no FII Summit

A chave para entender e corrigir o que está de errado no mercado está em duas palavras, segundo Elisa: Igualdade e equidade. “Igualdade não é a mesma coisa de equidade. Equidade é saber que cada um de nós tem necessidades diferentes. Se eu der a mesma cadeira para todo mundo, não enxergaremos a mesma coisa”, pontuou.

“Tem que ser adequada à necessidade. E a necessidade da mulher no setor de fundos é a cadeira mais alta. Precisam oferecer um caminho mais rápido, mais baixo, pois nossa cadeira ficou muito baixa”, comparou.

Durante sua apresentação no painel do FII Summit 2021, Elisa Tawil citou duas vezes a empresa Bloomberg como exemplo a ser seguido. No caso da equidade x igualdade, a explicação foi creditada ao próprio presidente da rede.

“Peter Grauer, presidente da Bloomberg, já avisou que as empresas que fornecem ambiente inclusivo e apoiam o equilíbrio entre a vida profissional e os arranjos de trabalho flexíveis acabarão tendo sucesso em reter uma força de trabalho talentosa e ganhando vantagem competitiva em um ambiente de negócios que foi significativamente alterado, possivelmente para sempre”, pontuou.

“Quando a gente vê uma empresa como a Bloomberg colocando o Gender Equality Index, equidade e diversidade, mostra que as empresas que estão olhando para resultados, rentabilidade e resultados estão se importando. Vocês sabem, mais do que eu, que temos agora uma sigla composta por três letras, que significa Governança Sócio-Ambiental (ESG). É algo que vai nortear muito os fundos no presente e no futuro. Esse aspecto e essa diretriz estão sendo guiadas pelos principais líderes que conduzem os mercados de investimentos”, completou.

FII Summit revela “mulheres decisoras”

Elisa fechou sua participação no FII Summit abordando especificamente a presença das mulheres no setor imobiliário para afirmar, baseada em números coletados em muitas das pesquisas feitas pelo órgão que comanda. Segundo ela, não há dúvidas: as mulheres são decisoras (tomam a decisão) na hora de escolher imóveis.

“A ideia da pesquisa foi a de identificar o impacto da mulher na busca pelo imóvel. Trouxe dados para que possam perceber que a presença feminina e a participação das mulheres, dentro e fora das empresas, faz toda a diferença nos nossos negócios”, comentou.

“Entre as entrevistadas, 87% disseram que sim, que são as maiores decisoras, mas não são as mais procuradas na hora da negociação. Temos uma grande influência, sabemos que influenciamos, mas, na hora da compra, quem é chamado é o homem. É hora de começar a pensar em mudar esses vieses inconscientes do nosso setor”, alertou.

Segundo a pesquisa, 15% das mulheres disseram que os homens não ajudaram em nada na escolha de um imóvel, enquanto 6,8% dos homens disseram o contrário. Fundos Imobiliários trabalham com compra e locação de imóveis, então, têm que olhar como a mulher, que é decisora, pode se posicionar ou interferir na hora do negócio”.

De acordo com Elisa, durante a pesquisa, feita com mais de 800 mulheres do setor em todo o Brasil, elas têm uma média de 14,1 anos trabalhando no mercado imobiliário, ou seja, já encararam duas grandes crises desde 2007. “Isso mostra que trazem grande bagagem e, por isso, podem se destacar sim em um momento difícil como o que estamos passando”, concluiu.

Quer saber mais sobre o tema, clique aqui e se inscreva no FII Summit. O evento, totalmente online e gratuito, segue até quinta-feira, 15 de abril.

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