Live EQI: Copom subir Selic em 1 pp era esperado, falta saber o teto

José Azevedo
Jornalista especializado em economia.
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O Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa Selic, a taxa oficial de juros do Brasil, em um ponto percentual nesta quarta-feira (22), de 5,25% para 6,25%. Essa movimentação do Banco Central já era esperada pela maioria dos analistas do mercado financeiro.

“As dúvidas seguem sendo se na próxima reunião o Banco Central manterá essa alta de 1% ou acelerará para 1,5%, por exemplo. Além disso, há uma incógnita ainda sobre será o teto da Selic”, afirmou Alexandre Viotto head de câmbio da EQI Investimentos, em live transmitida na noite de hoje.

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O fato de a inflação, até então, não ter desacelerado – apesar de o BC ter iniciado o ciclo de alta há cerca de seis meses – ainda deixa certa confusão no ar. O IPCA em agosto, por exemplo, avançou 0,87%, maior alta para um intervalo do tipo dos últimos 21 anos. 

“O mercado esperava inflação de 3,5% para 2022. Agora já cresceu para 4,5%. Há um sentimento de que a Selic não está segurando suficientemente a inflação e, com isso, a régua foi para cima”, afirmou Denys Wiese, sócio-fundador da EQI Investimentos. “É importante que o BC consiga frear o aumento de juros, que é necessário, mas negativo”, completou.

A alta da Selic traz alguns resultados negativos para a economia: o Produto Interno Bruto (PIB), por exemplo, tende a crescer menos – o que já vem sendo notado nas expectativas das instituições financeiras. “Fica mais caro, por exemplo, o empresariado tomar crédito. Você freia a economia para barrar preços”, completou Wiese. 

O teto da Selic estava em 8% há um mês e, agora, muitas casas já trabalham com a projeção de 9% ainda neste ano. Os contratos futuros para daqui dois ou três anos já trabalham com algo nos dois dígitos. 

Dólar não deve ter grandes oscilações

Apesar da alta de juros no Brasil tender a atrair maior investimento externo, com fluxo positivo de dólares, o head de dólar da EQI não acredita que a moeda brasileira se fortalecerá ante a americana. 

“Não acho que nas próximas semanas teremos grande movimentação no câmbio fora o que estamos vendo”, afirmou Viotto. “Deve continuar no intervalo de R$ 5,10 para R$ 5,50, se nada acontecer em Brasília. Parece um intervalo grande, mas a volatilidade está muito alta”, completou. 

Apesar de o Banco Central ter elevado a Selic por aqui, a fala do presidente do Federal Reserve Jerome Powell pode acabar por anular a tendência de fluxo de entrada de dólares. 

O Banco Central americano manteve a taxa de juros inalterada por lá, o que também era esperado. Na coletiva após a divulgação, entretanto, Powell surpreendeu o mercado, afirmando que o tapering pode começar ainda neste ano, com o Fed parando de comprar tantos bonds, e que a alta de juros deve começar já a partir do fim de 2022 – o mercado esperava que a movimentação começasse apenas em 2023. 

“As falas reduzem a animação para os ativos de risco no Brasil e nos países emergentes, além de valorizar o dólar. Juros maiores nos EUA atraem um fluxo de investimentos para lá”, explicou Wiese. “Ao mesmo tempo, o Fed joga com essa afirmação. Eles também não querer uma elevação da taxa para logo, pois ela vai sair muito cara. Cada 1% de juros para cima nos EUA, significa 1% mais gastos com uma dívida que já é gigantesca”.

O esperado, então, é que o tapering e a elevação de juros não venham de forma agressiva. Os Estados Unidos, talvez, deixem a inflação “correr um pouco mais”. 

Ibovespa continua sem gatilhos

Para o mercado de renda variável brasileiro, a alteração da taxa Selic, muito provavelmente, já estava precificada. Nem mesmo bancos ou varejistas, setores mais expostos às oscilações de crédito, devem registrar grandes alterações. 

“Os bancos veem seus spreads aumentarem quando a Selic sobe, mas há a questão do IOF, que deve pesar”, explicou Denys. “Já as varejistas, apesar da reabertura, o crédito mais caro também inibe ganhos”, completou.

A bolsa está, então, para os especialistas da EQI, sem um trigger. “Ibovespa um ano atrás não tinha concorrência, com o juros a 2%. A pressão era apenas para subir. Agora o cenário é diferente, o que não significa que não estou otimista. É um bom investimento pensando em dois ou três anos para frente”, completou o sócio-fundador. 

Para o mercado de Fundos Imobiliários, o cenário, segundo os especialistas, também é de neutralidade – apesar da alta do juros, que tende a derrubar os FIIs, o esperado é que a reabertura econômica diminua a vacância, principalmente dos de lajes imobiliárias e dos shoppings, o que anula a tendência de baixa. 

 

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