Tapering: quais os impactos para a economia brasileira

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.
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Crédito: Pixabay

Nos últimos tempos, o receio do tapering nos Estados Unidos tem mexido com os ânimos das economias no mundo inteiro.

Por aqui, há receio de que a retirada de estímulos financeiros da economia norte-americana impacte o mercado financeiro brasileiro.

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No link abaixo, saiba mais sobre o que é e quais os efeitos do tapering.

Tapering: o que é e como isso afeta a economia e os investimentos (euqueroinvestir.com)

A possível alta de juros nos EUA não favorece economias emergentes. Com juros mais altos, os investidores acabam migrando o capital para países com melhores fundamentos econômicos.

Nesse sentido, a depender da intensidade e de quanto tempo duram essas altas, problemas como depreciação da moeda e mais inflação se tornam mais graves em economias como a brasileira.

Quando ocorrerá o tapering?

Há meses já se fala no início da retirada dos estímulos financeiros que inundaram a economia norte-americana desde o início da pandemia. Inclusive, a expectativa é de que o Fed anuncie a redução gradual das compras de títulos na próxima reunião do FOMC, agendada para 21 e 22 de setembro.

Apesar da COVID-19, ao que tudo indica, a economia norte-americana já dá sólidos sinais de recuperação. Por isso, é bem possível que, em breve, esses estímulos de fato comecem a reduzir.

Confira a evolução de alguns indicadores econômicos dos EUA:

Relatório JOLTs

Segundo o último relatório JOLTs (Job Openings), foram gerados 10,9 milhões de novos postos de trabalho em julho nos EUA. O número veio superior ao de junho, que registrou 10 milhões de novos empregos.

Se considerarmos o período de julho de 2020 até julho desse ano, o acumulado do saldo líquido de empregos foi de 7 milhões. Ou seja, 72,6 milhões de contratações contra R$ 65,6 milhões de demissões no período.

Payroll

De acordo com o payroll dos EUA, divulgado no início de setembro, foram criados 235 mil empregos. Nesse sentido, número veio bem abaixo do esperado pelo mercado, que era de 750 mil vagas de emprego fora do setor agrícola.

No entanto, a taxa de desemprego ficou em 5,2%, abaixo dos 5,4% de julho e em linha com as expectativas.

Seguro-desemprego

Na segunda semana de setembro, os Estados Unidos registraram 322 mil pedidos de seguro-desemprego. Isso representa 20 mil pedidos a mais do que na semana anterior. Porém, a média móvel de quatro semanas demonstrou diminuição de 4.250 face a média revisada última semana. Essa é a média mais baixa desde março do ano passado, quando a quantidade de pedidos era de 225,5 mil.

Ou seja, mesmo que hoje a média de pedidos esteja superior à do ano passado, a tendência é de queda. Isso significa que as empresas estão retendo os trabalhadores, mesmo com as incertezas da variante delta.

Inflação

Por um lado, o governo norte-americano afirma que não há intenção de aumento de juros no país. Por outro, a inflação segue em escalada, tendo acumulado alta de 5,3% nos últimos 12 meses. Segundo especialistas, a perspectiva é de que essa tendência permaneça, no mínimo, por boa parte de 2022.

Recentemente, a Casa Branca declarou que, apesar de ser considerada transitória, a inflação tem preocupado o Departamento do Tesouro. Um dos pontos de atenção é o custo dos aluguéis, que disparou e pode influenciar a alta dos preços de forma geral.

Para Elias Wigger, assessor de investimentos e sócio daEQI Investimentos, “com juros externos altos, veremos dinheiro migrando para países com melhores fundamentos econômicos. Se isso acontecer, teremos depreciação do real e mais pressão inflacionária por aqui, e o cenário pode realmente ficar preocupante”.

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