FOMC: saiba mais sobre o comitê de juros da economia norte-americana

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.
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Foto: fed, reunião FOMC

Nos últimos tempos, a expectativa do tapering (retirada de estímulos financeiros) nos Estados Unidos tem preocupado os mercados no mundo todo.

Por isso, há sempre muita expectativa em relação às reuniões do FOMC – o Federal Open Market Committee – o COPOM norte-americano.

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Assim como o Comitê de Política Monetária brasileiro, o FOMC atua como um braço direito do Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA. Isso porque ambos deliberam sobre política monetária, que envolve também a definição da taxa de juros do país.

A seguir, saiba mais sobre a estrutura e o funcionamento do Federal Open Market Committee.

O que faz o FOMC?

Esse comitê é considerado o órgão mais importante do Fed. Isso porque é ele que delibera sobre a política monetária e taxas de juros da economia norte-americana.

Da mesma forma que o COPOM, o FOMC possui oito reuniões anuais regulares. No entanto, podem ocorrer tantos encontros quantos forem necessários, a depender do momento e das demandas da economia.

A principal função do FOMC é definir a taxa de juros norte-americana de curto prazo. Ao todo, o comitê possui 12 membros votantes, que são o presidente do Fed, sete membros do Conselho de Governadores e quatro dos onze presidentes dos demais Reserve Banks, todos com mandatos rotativos.

Funcionamento das reuniões

As reuniões do FOMC são restritas aos seus participantes. Por causa dessa confidencialidade, acabam gerando muita expectativa e especulação no mercado norte-americano e, também, no resto do mundo.

Durante essas reuniões, os membros debatem sobre perspectivas da economia, tanto no mercado local quanto global. Para tomar as decisões, são avaliados diversos fatores, como níveis de emprego e produção, perspectivas de inflação, tendências de preços e salários, políticas fiscais, câmbio e outros aspectos macroeconômicos.

Após o compartilhamento de opiniões, feitas por meio de apresentações orais, os membros votam sobre a política monetária a ser adotada. Normalmente, a publicação das atas do FOMC ocorre logo após a respectiva reunião. Nessas atas, constam os motivos pelos quais as decisões foram tomadas para embasar a política monetária do país. Da mesma forma que acontece nas reuniões do COPOM, o relatório do FOMC traz a taxa de juros que ficará vigente, pelo menos, até a próxima reunião do comitê.

E por que o mundo tem andado de olho no FOMC nos últimos tempos?

Em agosto de 2021, a inflação norte-americana acumulou alta de 5,3% nos últimos 12 meses. De acordo com especialistas, a perspectiva é de que os preços continuem subindo no país, ao menos até meados de 2022.

Apesar de ser considerada transitória, a inflação tem preocupado a Casa Branca e o Departamento do Tesouro. Nesse sentido, o custo dos aluguéis é um dos principais pontos de atenção, pois pode influenciar fortemente os preços de forma geral.

No final de agosto, Jerome Powell, presidente do Fed, chegou a afirmar que, mesmo com a retirada de estímulos, não haveria aumento de juros no país.

Porém, apesar dessa intenção, não se pode garantir o país consiga controlar a inflação com a chegada do tapering. Dessa forma, se os preços continuarem em alta, possivelmente haverá aumento dos juros nos Estados Unidos.

Quando os juros de economias fortes como a norte-americana sobem, invariavelmente há uma migração de dinheiro para esses países. Isso por causa de seus fundamentos econômicos, que são mais fortes do que os de países como o Brasil. Consequentemente, moedas como a nossa acabam sofrendo depreciação, o que pode pressionar mais ainda a inflação.

Em relação à próxima reunião do FOMC, programada para 21 e 22 de setembro, há expectativa de que o Fed anuncie a redução gradual das compras de títulos.

A princípio, não há indícios que uma alta de juros ocorra antes disso. Embora os membros do FOMC afirmem que não há nenhuma ligação entre a redução de estímulos e o aumento dos juros, o mercado já começa a se preparar para essa possibilidade.

 

 

 

 

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