Copom eleva taxa Selic para 6,25% e antevê outro ajuste de 1 pp

Felipe Moreira
Editor na EuQueroInvestir, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional.
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Crédito: Agência Brasil/Divulgação

Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) anunciou nesta quarta-feira (22) que irá elevar a a taxa Selic de 5,25% para 6,25% ao ano. Para a próxima reunião, o Copom antevê outro ajuste da mesma magnitude.

Em meio ao aumento da inflação, o BC subiu novamente os juros básicos da economia.

O mercado aguardava pelo aumento da Selic. Dessa forma, a decisão de hoje não surpreendeu os analistas financeiros. Esperava-se em média uma elevação para 6,25% ao ano justamente pelo cenário de aumento de inflação.

Como justificativa para a decisão, o Copom citou, além da pressão inflacionária, sinais de recuperação da economia — mas alertou para o risco fiscal e incertezas em relação aos rumos da pandemia.

A decisão do comitê foi unânime. De acordo com Comitê, essa decisão reflete seu cenário básico e um balanço de riscos de variância maior do que a usual para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para as metas no horizonte relevante, que inclui o ano-calendário de 2022 e, em grau menor, o de 2023.

No cenário externo, o Copom observou dois fatores adicionais de risco para o crescimento das economias emergentes.

Primeiro, reduções nas projeções de crescimento das economias asiáticas, refletindo a evolução da variante Delta da Covid-19.

Segundo, o aperto das condições monetárias em diversas economias emergentes, em reação a surpresas inflacionárias recentes. No entanto, os estímulos monetários de longa duração e a reabertura das principais economias ainda sustentam um ambiente favorável para países emergentes.

Copom sinaliza novo aumento da Selic de 1,00, para 7,25%

Para a próxima reunião, o Copom antevê outro ajuste de 1 ponto percentual. O Comitê enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar o cumprimento da meta de inflação e dependerão da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação para o horizonte relevante da política monetária.

Selic: ciclo de altas

Desde julho de 2015, a Selic sofreu uma série de reduções, indo de 14,25% para o 2%. As medidas sempre serviram para estimular a economia, já que quanto menor a taxa básica de juros, mais acesso a crédito barato tem as empresas e as famílias, com incentivo ao consumo e à produção.

Mas, na reunião de março de 2021, o Copom promoveu a primeira alta da taxa de juros em seis anos, depois de ela se manter sete meses em 2%, a mais baixa já registrada. Novamente, em maio, veio mais um ajuste de 0,75 ponto porcentual. E em junho, a repetição dos 0,75. Já em agosto, a alta foi de 1 p.p.

Como ficam os investimentos com Selic em alta?

O Banco Central atua diariamente por meio de operações de mercado aberto – comprando e vendendo títulos públicos federais – para manter a taxa de juros próxima ao valor definido na reunião.

Quando o Copom aumenta a Selic, a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Com a Selic na casa dos 6%, quem busca rentabilidade ainda deve focar na renda variável.

A renda fixa segue sendo indicada para a reserva de emergência e para o investidor altamente conservador, que realmente só quer proteger o dinheiro e não está muito preocupado com o retorno.

No entanto, com as projeções de alta da Selic até 8% ainda este ano, o investidor passa a novamente olhar com bons olhos a renda fixa. E ele deve ficar atento a dois aspectos. Os papéis atrelados à Selic ganham destaque. Mas também os ligados ao IPCA, indicador oficial de inflação.

Vale lembrar, no entanto, que uma carteira equilibrada não foca apenas em um tipo de ativo. Os papéis do Tesouro Direto e o CDI voltam a ser atrativos, sim. Mas é preciso “distribuir os ovos em mais cestas”, como estratégia de defesa e diversificação, equilibrando o desempenho dos ativos.

Por que a Selic afeta os investimentos?

A Selic é o principal instrumento de política monetária utilizado pelo BC para controlar a inflação.

Quando o Copom reduz a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato. O que incentiva a produção e o consumo, mas reduz o controle da inflação.

Em sentido contrário, quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, seu objetivo é conter a demanda aquecida. Isso causa reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Saber sobre a taxa Selic é importante porque a taxa funciona como um norte para montar uma boa carteira de investimentos.

A regra é: com a taxa de juros baixa, os rendimentos da renda fixa deixam de ser tão atrativos. Por outro lado, com taxa de juros alta, a renda fixa volta a ganhar destaque.

Crédito mais caro

A elevação da taxa Selic ajuda a controlar a inflação. Isso porque juros maiores encarecem o crédito e desestimulam a produção e o consumo. Por outro lado, taxas mais altas dificultam a recuperação da economia. No último Relatório de Inflação, o Banco Central projetava crescimento de 5,30% para a economia em 2021. A projeção pode ser revisada nos próximos relatórios, que saem no fim de cada trimestre.

O mercado projeta crescimento maior. Segundo a última edição do boletim Focus, os analistas econômicos preveem expansão de 5,30% do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos pelo país) neste ano.

A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Ao reduzir os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação. Para cortar a Selic, a autoridade monetária precisa estar segura de que os preços estão sob controle e não correm risco de subir.