Copom decide elevar taxa Selic de 2,75% para 3,5% ao ano

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)
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Crédito: Agência Brasil/Divulgação

Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu nesta quarta (5) que irá aumentar a taxa Selic de 2,75% ao ano para 3,5%. A decisão foi por unanimidade.

Como ficam os investimentos com Selic a 3,5%?

A elevação da taxa pode continuar: o Copom diz que prevê novo aumento de 75 pontos-base para a Selic na próxima reunião.

“O Comitê antevê a continuação do processo de normalização parcial do estímulo monetário com outro ajuste da mesma magnitude. O Copom ressalta que essa visão continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação”, diz o texto do comunicado.

Neste momento, prossegue o Copom, o cenário básico indica ser apropriada uma normalização parcial da taxa de juros, com a manutenção de algum estímulo monetário ao longo do processo de recuperação econômica.

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O comitê enfatiza, entretanto, que não há compromisso com essa posição e que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar o cumprimento da meta de inflação.

Para 2021, a meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3,75%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 2,25% e o superior é 5,25%.

“As expectativas de inflação para 2021, 2022 e 2023 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 5,0%, 3,6% e 3,25%, respectivamente”, ressalta o Copom.

Copom: decisão era aguardada

A aposta majoritária no mercado era de que a taxa iria subir nesse patamar de 0,75 pp.

Depois de aumentar os juros pela primeira vez em seis anos na última reunião, em março, era esperado que o Copom repetisse a dose na terceira reunião do ano para definir a Selic. Com a alta da inflação nos últimos meses, a previsão das instituições financeiras era de que a Selic deveria subir.

“As diversas medidas de inflação subjacente apresentam-se no topo do intervalo compatível com o cumprimento da meta para a inflação”, explica o Copom no comunicado desta quarta.

“O Comitê entende que essa decisão reflete seu cenário básico e um balanço de riscos de variância maior do que a usual para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante, que inclui o ano-calendário de 2022”, prossegue o Copom.

“Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de estabilização de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”, lembra o comunicado.

Atividade econômica: evolução positiva, apesar da inflação

O comitê faz uma análise da conjuntura da economia no comunicado: “Em relação à atividade econômica brasileira, indicadores recentes mostram uma evolução mais positiva do que o esperado, apesar da intensidade da segunda onda da pandemia estar maior do que o antecipado.”

O comunicado pondera: “Prospectivamente, a incerteza sobre o ritmo de crescimento da economia ainda permanece acima da usual, mas aos poucos deve ir retornando à normalidade.”

O Copom reitera que perseverar no processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira é essencial para permitir a recuperação sustentável da economia.

Pontua, ainda, que questionamentos sobre a continuidade das reformas e alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas podem elevar a taxa de juros estrutural da economia.

O processo de recuperação econômica dos efeitos da pandemia pode ser mais lento do que o estimado, produzindo trajetória de inflação abaixo do esperado.

Por outro lado, novos prolongamentos das políticas fiscais de resposta à pandemia que piorem a trajetória fiscal do país, ou frustrações em relação à continuidade das reformas, podem pressionar ainda mais os prêmios de risco do país.

O risco fiscal elevado, observa o Copom, segue criando uma assimetria altista no balanço de riscos, ou seja, com trajetórias para a inflação acima do projetado no horizonte relevante para a política monetária.

Alta das commodities

O Copom também menciona a alta das commodities: com exceção do petróleo, a tendência deve continuar impactando preços de alimentos e bens industriais. Outra preocupação inflacionária de curto prazo são as bandeiras tarifárias de energia. A avaliação do Copom é de que os choques são temporários, mas o Comitê segue atento à sua evolução.

O comunicado cita ainda medidas de estímulo de alguns países e o avanço da vacinação, que podem levar a uma recuperação mais consistente da atividade econômica ao longo do ano no cenário externo.

A ociosidade e as mensagens dos principais bancos centrais indicam que os estímulos terão longa duração, mas os questionamentos sobre riscos inflacionários nessas economias podem tornar o ambiente desafiador para os emergentes.

Copom e Selic: previsões

A expectativa de alta da Selic estava no boletim Focus, pesquisa divulgada toda semana pelo BC. Para o final de 2021, o mercado prevê que a taxa estará em 5,5% ao ano.

Divergências nas casas existem em relação para onde vai a Selic até dezembro deste ano. As apostas vão de 4,5% até 6,5% na pesquisa do Valor. Para o BTG Pactual (BPAC11), por exemplo, a Selic termina o ano em 5,5%.

Para a reunião de hoje, o mercado queria captar mensagens exatamente sobre a trajetória da Selic até o final do ano. Isso porque, se aproximando dos 6%, o Copom estaria abandonando uma política estimulativa. Ela foi adotada até aqui em decorrência da pandemia, mas retornaria ao que seria uma normalização dos juros.

Selic: por que as variações

Com a decisão de hoje (5), a Selic continua em um ciclo de alta, após passar seis anos sem ser elevada. De julho de 2015 a outubro de 2016, a taxa permaneceu em 14,25% ao ano. Depois disso, o Copom voltou a reduzir os juros básicos da economia até que a taxa chegasse a 6,5% ao ano, em março de 2018.

Em julho de 2019, a Selic voltou a ser reduzida até alcançar 2% ao ano em agosto de 2020, influenciada pela contração econômica gerada pela pandemia de covid-19. Esse era o menor nível da série histórica iniciada em 1986.

A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas da economia.

Ela também é o principal instrumento do Banco Central para manter a inflação sob controle. O BC atua diariamente por meio de operações de mercado aberto – comprando e vendendo títulos públicos federais – para manter a taxa de juros próxima ao valor definido na reunião.

Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Entretanto, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

Ao reduzir a Selic, a tendência é de que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica. Entretanto, as taxas de juros do crédito não caem na mesma proporção da Selic, pois a Selic é apenas uma parte do custo do crédito.

O Copom reúne-se a cada 45 dias. No primeiro dia do encontro, são feitas apresentações técnicas sobre a evolução e as perspectivas das economias brasileira e mundial e o comportamento do mercado financeiro. No segundo dia, os membros do Copom, formado pela diretoria do BC, analisam as possibilidades e definem a Selic.

Por que a Selic afeta os investimentos?

Quando o Copom reduz a Selic, a tendência é de que o crédito fique mais barato. O que incentiva a produção e o consumo, mas reduz o controle da inflação.

Em sentido contrário, quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, seu objetivo é conter a demanda aquecida. Isso causa reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Saber sobre a taxa Selic é importante porque a taxa funciona como um norte para montar uma boa carteira de investimentos.

A regra é: com a taxa de juros baixa, os rendimentos da renda fixa deixam de ser tão atrativos. Por outro lado, com taxa de juros alta, a renda fixa volta a ganhar destaque.

Crédito mais caro

A elevação da taxa Selic ajuda a controlar a inflação. Isso porque juros maiores encarecem o crédito e desestimulam a produção e o consumo. Por outro lado, taxas mais altas dificultam a recuperação da economia.

A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Ao reduzir os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação. Para cortar a Selic, a autoridade monetária precisa estar segura de que os preços estão sob controle e não correm risco de subir.

*Com Agência Brasil e BDM Online