Construtoras confirmam recuperação operacional no 1º trimestre

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Com recordes e resultados históricos, as construtoras de capital aberto mostraram se recuperar com força após um ano de pandemia. Conforme as prévias operacionais do primeiro trimestre de 2021, há bons sinais para o resto de 2021.

Entre os resultados já divulgado pelas empresas, é possível observar que boa parte delas tiveram resultados supreendentes na comparação anual nas prévias operacionais. Para algumas, os valores de vendas líquidas ficam acima de 200% a mais em relação ao primeiro trimestre de 2020.

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Entretanto, ainda menos dos números do quarto trimestre, um período com a economia mais aquecida e com mais perspectiva de melhora.

Momento atual

O momento do mercado imobiliário é um pequeno boom, iniciado em 2020. A razão principal é a queda na taxa de juros Selic, acompanhada pelo aumento do crédito imobiliário.

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Após meses em 2%, a Selic subiu para 2,75% em março. Para o mercado financeiro, a expectativa é que a Selic encerre 2021 em 5,25% ao ano, no fim de 2022, a estimativa é de 6% ao ano. Especialistas acreditam que o crédito imobiliário vai acompanhar a taxa gradativamente.

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Durante o FII Summit, evento realizado pela EuQueroInvestir e Clube FII, um dos debates era sobre o setor de construção. Os palestrantes concordam que o atual é favorável para investimentos no setor de construção, o que apareceu nas prévias operacionais.

“2020 foi um ano de surpresas positivas. No início, vimos que as vendas travaram (com a pandemia), e com os estandes parados. Mas as vendas seguiram fortes, porque a demanda seguiu aquecida. Houve uma recuperação em ‘V’”, afirmou o sócio responsável pela área imobiliária do BTG Pactual, Gustavo Cambaúva.

Conforme Cambaúva, apesar de um período de pausa nas vendas entre março e maio, logo depois veio a forte recuperação. “Acabou que o ano de 2020 fechou, principalmente em São Paulo, como um dos melhores anos da história”, completou.

Prévias operacionais das construtoras

Mitre (MTRE3)

A construtora Mitre (MTRE3) mostra que vendas líquidas somaram R$ 82,8 milhões, um desempenho 145,3% superior ao mesmo trimestre de 2020. Entretanto, em comparação ao quarto trimestre do ano, houve uma queda de 70,80%.

Já as Vendas sobre Oferta no trimestre foi de 18,7%, comparado a 46,9% no quarto trimestre de 2020 e 21,6% um ano antes.

Apesar de não ter sido divulgada a quantidade de empreendimentos lançados no período nas prévias operacionais, sabe-se que o número total dos distratos é de R$ 27,9 milhões. Foi uma diferença de 14,70% na mesma época de 2020 e -17,60% no quarto trimestre.

Cury (CURY3)

A Cury (CURY3) informou que as vendas líquidas no primeiro trimestre de 2021 atingiram R$ 590,4 milhões, alta de 147,1% sobre a base anual. 

O indicador de Vendas Sobre Oferta (VSO) nas prévias operacionais aponta que, o acumulado dos últimos 12 meses foi de 68,9%. No primeiro trimestre de 2021, a VSO foi de 43,5%. Já no quarto trimestre, foi de 35,10%.

Foram 6 empreendimentos feitos no trimestre, assim como no último de 2020. Em comparação a 2 na mesma época do ano anterior. Em relação aos distratos, foram R$ 43,1 milhões no primeiro trimestre, com diferença de 6,70% no início de 2020.

Cyrela (CYRE3)

De acordo com a Cyrela (CYRE3), as vendas líquidas do período totalizaram R$ 1,03 bilhão. Foi uma alta de 21,9% ante primeiro trimestre de 2020, mas uma queda de 44,60% sobre o quarto trimestre, reforçando a tendência de números fortes do final do ano. 

A Cyrela lançou 6 empreendimentos no trimestre, valor bem abaixo dos 25 do quarto trimestre de 2020. O VGV foi de R$ 292 milhões, -88,10% sobre o trimestre anterior.

Ainda mais, o VSO dos últimos 12 meses foi de 52,8%, acima do número comparado ao mesmo trimestre do ano anterior, de 51,1%, conforme as prévias operacionais.

Moura (MDNE3)

A Moura Dubeux (MDNE3), informou via prévia operacional que o volume de vendas líquidas para o primeiro trimestre de 2021 atingiu R$ 244 milhões, alta de 272,8% sobre o mesmo período de 2020.

O VGV da companhia foi de R$ 90 milhões, uma queda de 80% em relação ao trimestre anterior. Já o VSO foi de 21,0%, enquanto no primeiro trimestre de 2020, foi de 7,10%.

Sobre o valor de distratos, as prévias operacionais apontam que o valor no período foi de R$ 14,7 milhões, uma queda de 5,50% ante o trimestre anterior.

Direcional (DIRR3)

Para a Direcional (DIRR3), o total de vendas líquidas foi de R$ 515 milhões no primeiro trimestre de 2021, um recorde para o período. Foi um aumento de 72,8% ante mesmo período em 2020.

Os lançamentos cresceram 311% em relação ao 1T20, totalizando VGV de R$ 575 milhões.

Houve ainda Índice de Velocidade de Vendas (VSO) de 17% no trimestre e Geração de Caixa de R$ 15 milhões no 1T21, acumulando R$ 172 milhões nos últimos 12 meses.

MRV Engenharia (MRVE3)

A MRV Engenharia (MRVE3) afirmou em prévia que este foi o segundo melhor primeiro trimestre da história da companhia. As vendas líquidas da empresa caíram 3,2% na comparação anual, mas ainda continuam em valores altos: R$ 1,62 bilhão.

Além disso, também houve o maior volume de lançamentos em um primeiro trimestre da história da MRV nas prévias operacionais. No total, R$ 1,7 bilhão em VGV, 9.996 unidades, o equivalente a um aumento de 58,0% frente ao primeiro trimestre de 2020.

O VSO do trimestre ficou em 17,40%, ante 16,50% a/a. O valor dos distratos do trimestre foi  R$ 164 milhões.

Tenda (TEND3)

A prévia operacional da Tenda (TEND3) registrou vendas líquidas de R$ 703,9 milhões, alta de 60% na comparação anual. Entretanto, uma queda de 12% t/t.

Conforme a empresa, este foi o melhor primeiro trimestre da companhia em termos de lançamentos. Estes atingiram R$ 610,3 milhões, com uma alta de 269% na comparação anual, porém uma queda de 31% ante o quarto trimestre de 2020. 

Foram 10 lançamentos, dos quais seis projetos foram lançados na região metropolitana de São Paulo. 

Já sobre os distratos, o valor completo foi de R$ 108,3 milhões, alta de 82,10% sobre o trimestre mais recente. Na comparação anual, foi uma diferença de 7%.

O VSO foi de 31,50%, com pequena diferença sobre o quarto trimestre, que estava a 32,50%.

Lavvi (LAVV3)

A Lavvi (LAVV3) informou em prévia que as vendas líquidas somaram R$ 86,1 milhões neste trimestre. É uma alta de 217,9% a/a, mas uma queda de 75,7% em relação ao 4T20.

Além disso, este único primeiro trimestre de 2021 superou sozinho os nove primeiros meses do ano passado.

A VSO ficou em 71,8% no acumulado em 12 meses e 35,6% no 1T21, crescimento de 22 pontos percentuais em relação ao 1T20. Os valores mostram a alta capacidade de comercialização e giro dos estoques da companhia.

Sobre os distratos, o valor total foi de R$ 4,9 milhões, queda de 28,2% t/t e 3,9% a/a.

RNI (RDNI3)

A RNI (RDNI3) divulgou que no período do primeiro trimestre, 100% das vendas líquidas contratadas ficaram em R$ 156,68 milhões. Esse valor representa um acréscimo de 108% em relação ao mesmo trimestre de 2020.

De acordo com a empresa, os lançamentos totalizaram R$221 milhões no 1T21, 241% superior ante 1T20. A RNI alcançou R$740 milhões em lançamentos nos últimos 12 meses.

A VSO do trimestre apresentou crescimento de 8,1 p.p. vs o primeiro trimestre de 2020. Houve um pequeno recuo com relação ao quarto trimestre de 2020, devido aos 2 lançamentos realizados no final do trimestre.

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