Varejo alimentar sofre impacto de inflação e forte base de comparação

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Crédito: Reprodução/Internet

Além da forte base de comparação, as empresas do varejo alimentar sofreram ao longo do segundo trimestre deste ano com os efeitos da alta dos preços dos alimentos.

Se há um ano, por conta da pandemia da Covid-19, houve um aumento do volume de vendas, com as pessoas ficando em casa – e com o orçamento reforçado pelo auxílio-emergencial –, agora há o efeito inverso.

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Com a alta dos preços, se reduz o poder de compra, o que leva os consumidores a adquirirem menos itens ou produtos de uma mesma categoria, mas com tíquete médio mais baixo.

Dessa forma, enquanto no 2º trimestre do ano passado, houve aumento do abastecimento das famílias, diminuição do funcionamento de bares e restaurantes e maior alimentação em casa por conta do home office, agora, estes fatores jogam ao contrário – no efeito comparativo.

Além disso, a alta do dólar e aumento nos preços das commodities nos mercados internacionais também tiveram sua parcela na conjuntura total.

Apesar deste cenário, a divulgação dos balanços do segundo trimestre das principais empresas de varejo alimentar não trouxe tantas surpresas para os investidores.

Como esperado, o grande destaque do período foi o segmento de “atacarejo”, a combinação de varejo ao atacado, especialmente para a Assaí (ASAI3).

Já os formatos de supermercados e hipermercados sofreram mais.

Confira os resultados e análises do segundo trimestre do Carrefour (CRFB3), Assaí (ASAI3) e GPA (PCAR3).

Reajustes de preços e inflação

O presidente da rede Assaí, Belmiro de Figueiredo Gomes, ressaltou em teleconferência após a divulgação dos resultados trimestrais a forte alta de preços neste ano.

“Vimos estabilidade dos preços em relação ao primeiro trimestre. O nível de aumento de preço chegou no limite do bolso do consumidor. O que houve no segundo trimestre foi movimentação de uma categoria para outra”, afirmou.

Conforme Gomes, as commodities perderam força diante da elevação de preço. “A gente percebe no consumidor um ‘tradedown’ [substituição por itens mais baratos] dentro das próprias categorias de produtos”, acrescentou.

Por outro lado, o segundo semestre de 2021 deve apontar manutenção dos preços. De acordo com Wlamir dos Anjos, diretor comercial da Assaí, o grupo tem uma expectativa diferente do que aconteceu até agora. “Uma manutenção nos preços de mercadoria e se tiver elevação, uma pequena taxa”, disse.

O Banco Inter informa que acredita na tendência de reversão prevista para o semestre, principalmente com a trajetória da elevação da Taxa Selic, que terá um possível aumento ainda nesta quarta-feira (4), e a queda do dólar.

A combinação de fatores, entretanto, somadas às margens apertadas e larga competição inerentes ao setor, sugerem que o caminho das companhias de varejo alimentar não permaneça sem dificuldades.

Mas para o Banco Inter, Assaí, Carrefour e GPA têm outros pilares de longo prazo. Há a expansão do atacarejo, potencial de consolidação e, após o crescimento durante a pandemia, a estratégia digital.

A Eleven Financial Research espera que com a desaceleração da alta na inflação alimentar, ao menos um dos fatores que pressionam os resultados do setor deve aos poucos se reduzir.

Ou seja, haverá compensação, mesmo que parcialmente, da existência de uma base de comparação difícil também ao longo do segundo semestre de 2021, em especial para os players de supermercados e hipermercados.

Assaí (ASAI3) lucra 62% a mais no balanço

A Assai (ASAI3) registrou um lucro líquido de R$ 305 milhões no balanço do segundo trimestre de 2022. Os números representam uma alta de 62% sobre o mesmo período de 2020, com lucro de R$ 188 milhões. Já no semestre, o lucro líquido aumentou 81,1%, atingindo R$ 545 milhões.

O resultado financeiro líquido da companhia no trimestre totalizou uma despesa de R$ 145 milhões, representando 1,4% da receita líquida. No semestre, a despesa financeira líquida atingiu R$ 279 milhões, queda de 3,1% na comparação ano a ano.

BTG Pactual (BPAC11): Assaí (ASAI3) tem forte desempenho operacional no 2TRI21

Mesmo com uma base de comparação difícil, o Assaí reportou forte desempenho operacional no 2TRI21, de acordo com relatório do BTG Pactual (BPAC11). Assim como nos trimestres anteriores, a companhia apresentou sólidos números operacionais trimestrais, em linha com as estimativas do BTG.

As perspectivas de curto prazo para o Assaí devem seguir fortes apesar da desaceleração da inflação de alimentos no país, diz o BTG, com visão estrutural positiva baseada em quatro pilares:

  • Forte histórico de execução (apresentando crescimento consistente de dois dígitos e melhora de margem nos últimos anos);
  • Alta produtividade da loja (acima dos principais pares);
  • Exposição pura ao atacarejo (formato de maior crescimento no varejo alimentar);
  • Muito espaço para entregar uma expansão consistente (o BTG espera que a área de vendas cresça 13% ao ano até 2025, enquanto a empresa deve abrir 28 lojas em 2021).

“Vemos o Assaí sendo negociado com um valuation atrativo de 13x P/L 2022 e um índice PEG de 0,8x, com as ações também definidas para se beneficiar do processo de desalavancagem da empresa nos próximos anos”, dizem os analistas.

Carrefour (CRFB3) vê lucro cair 16,8%

O Grupo Carrefour Brasil (CRFB3) lucrou de forma líquida e ajustada R$ 592 milhões no segundo trimestre de 2021, com queda de 16,8% na comparação com o mesmo período de 2020, quando R$ 712 milhões foram faturados.

A queda do lucro se deu mesmo com as vendas consolidadas crescendo 10,7% na base anual, chegando a R$ 19,5 bilhões.

“O desempenho se deu em meio a um ambiente volátil, com a pandemia da covid-19 impactando o segundo trimestre de 2021 com restrições variando em cada região do país, inflação alta (de 15,3% no setor de alimentação em domicílio em 12 meses) e uma base comparável difícil”, explicou a companhia no documento publicado após o fechamento do pregão do dia 27 de julho.

BTG Pactual (BPAC11): perspectiva resiliente e valuation atraente para Carrefour (CRFB3)

Após fortes resultados em 2020, o Carrefour (CRFB3) registrou um impacto negativo das vendas de itens não alimentares no segundo trimestre de 2021, de acordo com relatório do BTG Pactual (BPAC11).

O crescimento do SSS (efeitos ex-calendário) em seu segmento de alimentos foi de 3,4%, levando a um crescimento de vendas de 11% a/a (3,4% abaixo da projeção). Na bandeira Atacadão, o SSS cresceu 10,2% (a estimativa era de 12%). Como resultado, as vendas do Atacadão cresceram 20% a/a (4% abaixo do esperado), impulsionadas por 19 inaugurações de lojas no período (17 conversões do Makro).

Em sua divisão de financiamento ao consumo (CSF), o Carrefour registrou um crescimento de 50% a/a no faturamento para R$ 11,8 bilhões, impulsionado pelo Cartão Atacadão (+ 61% a/a) e 43% no faturamento do cartão de crédito do Carrefour. Como resultado, a carteira de crédito cresceu 18% a/a para R$ 13,7 bilhões.

GPA (PCAR3) tem queda de 95,9% no lucro

O GPA (PCAR3) entregou apenas R$ 4 milhões de lucro líquido a seus controladores no segundo trimestre de 2021, recuo de 95,9% na comparação com o mesmo período de 2020.

Segundo a companhia, no documento publicado na noite desta quarta-feira (28), o desempenho foi impacto, em parte, por novas restrições impostas para conter novos casos de covid-19.

Além disso, a comparação com o ano anterior, que mostra queda generalizada, é comprometida por conta da forte base registrada no mesmo período do ano passado – com o auxílio emergencial maior impulsionando o consumo e com as pessoas realizando estocagens, temendo desabastecimentos.

A receita líquida do GPA foi de R$ 11,8 bilhões, queda de 5,3% na base anual.

Varejo alimentar: GPA (PCAR3) tem conjunto fraco de resultados

Com receita de varejo fraca e dados de e-commerce positivos, o GPA – Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) reportou conjunto fraco de resultados no 2TRI21, conforme análise do BTG Pactual (BPAC11).

Na operação brasileira, a receita líquida ficou em R$ 6,6 bilhões, queda de 9,7% a/a e 2% abaixo da projeção, com SSS (vendas nas mesmas lojas) caindo 10,5% a/a (320 bps abaixo de da expectativa), ou -1,8% a/a ex- efeitos da Covid.

Os resultados do GPA mostraram uma tendência mais fraca de receita (mas esperada) no trimestre, com desempenho inferior ao de seus principais pares listados no Brasil, limitando assim uma potencial de valorização de curto prazo, analisa o BTG.

“Embora vejamos menos espaço para o GPA expandir sua área de vendas e margens no Brasil nos próximos anos após a cisão da CBD, o potencial positivo em nosso modelo consolidado ainda depende do valuation da soma das partes dos diversos ativos do balanço (com destaque para Almacenes Éxito e CNova)”, afirmam os analistas.

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