BTG (BPAC11): perspectiva resiliente e valuation atraente para Carrefour (CRFB3)

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Divulgação/ Carrefour

Após fortes resultados em 2020, o Carrefour (CRFB3) registrou um impacto negativo das vendas de itens não alimentares no segundo trimestre de 2021, de acordo com relatório do BTG Pactual (BPAC11).

O crescimento do SSS (efeitos ex-calendário) em seu segmento de alimentos foi de 3,4%, levando a um crescimento de vendas de 11% a/a (3,4% abaixo da projeção).

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Na bandeira Atacadão, o SSS cresceu 10,2% (a estimativa era de 12%).

Como resultado, as vendas do Atacadão cresceram 20% a/a (4% abaixo do esperado), impulsionadas por 19 inaugurações de lojas no período (17 conversões do Makro).

Na divisão de varejo, impactada pela menor inflação de alimentos no período (15% nos últimos 12 meses vs. 17,6% no 1T21 e 21,1% no 4T20) e uma base comparativa mais forte no 2T20, especialmente no segmento não alimentar, o Carrefour apresentou queda de SSS (vendas nas mesmas lojas) de 11,4%, com o SSS da categoria alimentar crescendo 0,5% a/a e o segmento não alimentar caindo 24% a/a.

Em relação ao 2T19, as vendas no varejo cresceram 13% a/a. Em sua plataforma digital, o CRFB registrou GMV de e-commerce de R$ 730 milhões, queda de 21% a/a, devido a uma queda de 31% a/a no segmento não alimentar.

Desalavancagem operacional e preços competitivos

A margem bruta consolidada do Carrefour foi de 20,4%, queda de 110bps a/a e 10bps acima da projeção do BTG, com menor rentabilidade na operação de atacarejo, parcialmente compensada por maiores receitas no Banco Carrefour (CSF).

A margem bruta do Atacadão foi de 14,8% (-80 bps a/a), devido a uma aceleração nas aberturas de lojas e preços mais competitivos, enquanto a margem EBITDA foi de 6,9% (-120 bps a/a).

A margem bruta da divisão Varejo (incluindo o ecommerce) foi de 24,7% (-50 bps a/a), refletindo o novo programa de fidelidade, e a margem EBITDA foi de 6,5% a/a (-160bps a/a), impactada pela desalavancagem operacional nesta divisão nesse período.

O EBITDA consolidado de Carrefour atingiu R$ 1,4 bilhão (+ 23% a/a e 3% acima da estimativa), com margem EBITDA de 7,8% (+ 80 bps a/a), e o lucro líquido ajustado foi de R$ 566 milhões (queda de 17% a/a e 3% acima do projetado).

Banco Carrefour se destacou graças ao crescimento mais rápido em novos empréstimos

Em sua divisão de financiamento ao consumo (CSF), o Carrefour registrou um crescimento de 50% a/a no faturamento para R$ 11,8 bilhões, impulsionado pelo Cartão Atacadão (+ 61% a/a) e 43% no faturamento do cartão de crédito do Carrefour.

Como resultado, a carteira de crédito cresceu 18% a/a para R$ 13,7 bilhões.

Pela primeira vez desde 2T20, as receitas de intermediação cresceram (+ 16% a/a), melhorando em relação aos trimestres anteriores (-9% a/a no 1T21, -13% no 4T20 e -19% no 3T20), e o BTG espera que a melhoria t/t deva persistir.

Por sua vez, o EBITDA foi de R$ 248 milhões (+ 35% a/a), enquanto o lucro líquido foi de R$ 120 milhões (+ 36% a/a).

Recomendação do BTG

Os números mais fracos do que o esperado em suas operações de varejo + atacarejo foram mais do que compensados por um forte desempenho na divisão de financiamento ao consumidor do Carrefour, diz o BTG.

Os números resilientes, apesar de uma base comparativa mais forte, juntamente com um valuation atraente (14x P/L 2022E) e o potencial da fusão com o Grupo BIG (que deve expandir o alcance do CRFB e fechar gaps de produtividade/margem) são a base da visão positiva sobre o nome.

Assim, a recomendação é de compra até um preço teto de R$ 27.

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