Recuperação econômica: oportunidades e riscos para os investimentos

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.

Crédito: Money Week

Em cenário de tentativa de recuperação econômica pós-pandemia, como andam as oportunidades e riscos para os investimentos?

Para falar sobre isso, a Money Week recebeu a economista-chefe do Traders Club – TC, Fernanda Mansano. Ela falou sobre perspectivas de retomada econômica e sobre o papel da renda fixa nesse contexto. A seguir, confira alguns pontos da conversa.

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Recuperação econômica: mudanças do cenário

Em relação ao cenário macro, houve aumento da inflação principalmente a partir de 2021, tendo chegado já a dois dígitos. Nesse sentido, Fernanda relembra a interrupção do ciclo de baixa da Selic em março desse ano.

“O investidor que, até então, tinha o horizonte de médio e longo prazo, viu rapidamente uma mudança de rumo na economia, em menos de um ano. No entanto, percebemos atualmente um cenário de recuperação econômica. Logicamente, a alta de preços ainda é um problema, mas ocorre de forma generalizada. Ou seja, não é só o Brasil, mas vários países estão nessa situação”, destaca a economista.

Para a economista, é importante que o investidor esteja acompanhando essa mudança macroeconômica. Dessa forma, conseguirá entender para onde o país caminha para direcionar melhor os seus investimentos.

Juros x inflação

Para a boa administração da carteira, Fernanda fala sobre a importância de o investidor acompanhar as taxas de juros e a inflação. Isso porque ambos andarão sempre juntos. Ou seja, se há uma inflação maior, certamente é esperado que os juros também sejam maiores.

Em relação ao próximo ano, segundo a economista, a expectativa é de que a alta da Selic estabilize. O choque de juros desse ano acaba sendo repassado para a economia, de forma que será possível começar a ver a inflação diminuir.

Expectativas de retomada do crescimento no Brasil

Embora o período crítico da pandemia já tenha passado, é importante que o investidor entenda que ainda não há crescendo.

“Nesse sentido, ainda existem gaps no mercado de trabalho. Isso porque ele é o último a começar a reagir, o que acontece somente depois alguns fatores, como investimentos das empresas e retomada das vendas no varejo, por exemplo”, afirma a economista.

Apesar da recuperação econômica já estar acontecendo, a inflação ainda acompanha esse cenário. Inclusive, tem-se falado bastante sobre estagflação ultimamente, que é o declínio da atividade econômica em meio à inflação.

“Sem dúvida, a estagflação é muito preocupante para o cenário econômico. No entanto, de acordo com nossas projeções, acreditamos que em 2022 o Brasil continue crescendo. Isso porque o mercado de trabalho, embora ainda frágil, já mostra alguma recuperação. Certamente, isso está relacionado à reabertura de empresas e à retomada de atividades, principalmente as ligadas a serviços. Além disso, há também o setor da construção civil, que não chegou a parar”, observa Fernanda.

No entanto, embora a TC acredite na recuperação do país para o próximo ano, é preciso ficar de olho no cenário econômico internacional. Nesse sentido, Fernanda chama atenção para a desaceleração da China, segunda economia do mundo e forte parceira comercial do Brasil.

Como fica a renda fixa nesse cenário econômico?

A dinâmica da renda fixa está muito relacionada aos indicadores macroeconômicos, em especial à Selic. Dessa forma, uma Selic maior proporciona mais rentabilidade a esses investimentos.

Para Fernanda, é muito importante que o investidor conheça alternativas de renda fixa fora da poupança. Ou seja, com as mesmas características de segurança e liquidez, porém mais rentáveis.

Nesse sentido, Fernanda alerta para a necessidade de prestar atenção no rendimento real do investimento, e não na taxa nominal. Isso porque Selic e inflação estão em alta. Clique aqui, e entenda como calcular a taxa de juros real dos investimentos.