IPCA sobe 1,16% e chega 10,25% em 12 meses, puxado por energia e combustíveis

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/CEEE

O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), indicador oficial de inflação do país divulgado nesta sexta-feira (8) pelo IBGE, teve alta de 1,16% em setembro, a maior para o mês desde 1994.

O resultado é superior aos 0,87% de agosto, mas ficou abaixo da expectativa de alta de 1,25%. Com isso, o indicador acumula altas de 6,90% no ano e de 10,25% nos últimos 12 meses. Energia elétrica e combustíveis são os principais responsáveis pela alta de preços.

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Energia elétrica puxa alta do IPCA

Oito dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados subiram em setembro, com destaque para habitação (2,56%), que foi puxado pelo aumento de 6,47% na conta de energia elétrica.

Em setembro, passou a valer a bandeira tarifária “escassez hídrica”, que acrescenta R$ 14,20 na conta de luz a cada 100 kWh consumidos. No mês anterior, vigorou a bandeira vermelha patamar 2, em que o acréscimo é menor, R$ 9,49. Além disso, houve reajustes tarifários em Belém, Vitória e São Luís.

“Essa bandeira foi acionada por conta da crise hídrica. A falta de chuvas tem prejudicado os reservatórios das usinas hidrelétricas, que são a principal fonte de energia elétrica no país. Com isso, foi necessário acionar as termelétricas, que têm um custo maior de geração de energia. Assim, a energia elétrica teve de longe o maior impacto individual no índice no mês, com 0,31 ponto percentual, acumulando alta de 28,82% em 12 meses”, explica o gerente do IPCA, Pedro Kislanov.

Os preços do gás de botijão (3,91%) também continuaram subindo em setembro. “A gente tem observado uma sequência de aumentos do GLP (gás liquefeito de petróleo) nas refinarias pela Petrobras. Há ainda os reajustes aplicados pelas distribuidoras. Com isso, o preço para o consumidor final tem aumentado a cada mês. Já foram 16 altas consecutivas. Em 12 meses, o gás acumula aumentos de 34,67%”, detalha Kislanov.

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IPCA: gasolina e etanol seguem impactando

O grupo dos transportes (1,82%) acelerou, mais uma vez, por conta dos combustíveis, que subiram 2,43%, influenciados, pela gasolina (2,32%) e o etanol (3,79%). Em 12 meses, a gasolina já aumentou 39,60% e o etanol, 64,77%. Também subiram no mês o gás veicular (0,68%) e o óleo diesel (0,67%).

As passagens aéreas (28,19%) tiveram a maior alta entre os itens não alimentícios no mês, após queda de 10,69% em agosto, registrando o terceiro maior impacto individual no índice geral. Os preços dos transportes por aplicativo avançaram 9,18% em setembro, e já tinham subido 3,06% no mês anterior.

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Alimentação no domicílio desacelera

Alimentação e bebidas (1,02%) tiveram uma leve desaceleração em relação a agosto (1,39%) por conta do recuo das carnes (-0,21%), após sete meses consecutivos de alta, o que acabou puxando a alimentação no domicílio para baixo (1,19%), frente ao resultado de 1,63% no mês anterior.

“Essa queda das carnes pode estar relacionada à redução das exportações para a China. No início do mês, houve casos do mal da vaca louca na produção brasileira. Com a suspensão das exportações, aumentou a oferta de carne no mercado interno, o que pode ter reduzido o preço”, explica Pedro Kislanov.

Também recuaram os preços da cebola (-6,43%), do pão francês (-2,00%) e do arroz (-0,97%).

Por outro lado, o IPCA continua registrando altas expressivas na alimentação dentro do domicílio. É o caso das frutas (5,39%), que contribuíram com 0,05 p.p. no índice de setembro, do café moído (5,50%), do frango inteiro (4,50%) e do frango em pedaços (4,42%).

“O frango tem subido bastante por conta da alta do custo da ração animal. Ele também é impactado pela alta da energia elétrica. Por ser um substituto das carnes, o preço do frango costuma subir com a maior demanda”, explica o gerente do IPCA.

Também aumentaram em setembro os preços da batata-doce (20,02%), da batata-inglesa (6,33%), do tomate (5,69%) e do queijo (2,89%).

A alimentação fora do domicílio desacelerou, passando de 0,76% em agosto para 0,59% em setembro. O principal fator foi o recuo do lanche (-0,35%), que havia subido 1,33% no mês anterior. A refeição teve alta de 0,94%, acima do 0,57% observado em agosto. Além disso, os preços da cerveja (1,32%) e do refrigerante e água mineral (1,41%) também subiram em setembro.

Os grupos habitação, transporte e alimentação e bebidas contribuíram com cerca de 86% do resultado de setembro (1 p.p. do total de 1,16).  Os demais ficaram entre a queda de 0,01% em educação e a alta de 0,90% em artigos de residência.

Rio Branco registral maior alta de preços

O aumento dos preços ocorreu em todas as áreas pesquisadas em setembro. O maior índice foi registrado em Rio Branco (1,56%), influenciado pelas altas nos preços da energia elétrica (6,09%) e do automóvel novo (3,57%). Já o menor resultado ocorreu em Brasília (0,79%), por conta da queda nos preços da gasolina (-0,81%) e do seguro de veículo (-3,36%).

Projeção para o IPCA do Banco Central

Na última semana, Banco Central divulgou seu Relatório Trimestral de Inflação (RI), no qual revisou de 5,80% para 8,50% a projeção para o IPCA de 2021.

Para 2022, a expectativa para a inflação subiu de 3,50% para 3,70%. Mas, na visão do mercado captada pelo Focus, a inflação já chega a 8,45% em 2021 e a 4,12% no ano que vem.

A Selic é projetada em 8,25% em 2021 e em 8,50% em 2022 para o Banco Central. Enquanto o PIB esperado é de 4,7% em 2021 e de 2,1% no próximo ano.

Projeção do Focus

Já segundo o Boletim Focus, também do Banco Central, mas que capta as expectativas do mercado, o IPCA deve fechar o ano em 8,51%, na vigésima sexta alta consecutiva. Há quatro semanas, a projeção era de 7,58%.

Para 2022, a projeção é de 4,14%. Em 2023, 3,25% e, em 2024, 3%.

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