Gasolina sobe mais de 31% no ano; entenda por que os combustíveis estão tão caros

Redação EuQueroInvestir
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Arquivo / Revista Quatro Rodas

O brasileiro tem sofrido muito com a crise causada pela pandemia. Um dos aspectos mais fortes nesse sentido tem sido a alta no preço dos combustíveis. Isso pode ser denotado pelo aumento das buscas no Google sobre como economizar os gastos com essa importante variável do orçamento familiar da nação.

O IPCA, indicador oficial de inflação divulgado nesta quinta (9) pelo IBGE, também apontou para o tamanho do problema. A inflação está em 9,68% em 12 meses e de 5,67 no ano, sendo puxada por energia, transportes e alimentos. No ano, a alta da gasolina passa de 31,09%.

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Este artigo mostra em maiores detalhes as razões pelas quais houve tanto aumento. Ao ler o texto, você entenderá como os fatores internacionais atingem nosso país. Saberá que existem fatores internos que contribuem (e muito) para esse aumento. Ao final, verá que até o etanol não foge dessa matemática inflacionária.

Aproveite o conteúdo e tenha uma boa leitura!

Quais foram os motivos que levaram à alta de preços nos combustíveis?

Acompanhe uma análise de vários tópicos que levam ao entendimento da alta recente de preços dos combustíveis no Brasil.

Política de preços

Um aspecto importante que deve ser observado em relação ao aumento de preço dos combustíveis é a política de formação de preços adotada pelo Brasil. Nesse sentido, vale destacar a mudança ocorrida no ano de 2016, em pleno governo Temer.

Até então, o controle de preços se dava de maneira direta. Dessa forma, caso o governo atuante resolvesse alterar o preço dos combustíveis “na caneta”, assim o poderia fazer, como ocorreu de fato.

A ideia por trás desse tipo de manobra reside no fato de que o combustível tem grande peso na formação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo — IPCA — o principal indicador da inflação. Ainda que não seja um custo direto da cesta, o combustível tem forte impacto nos itens considerados, como transporte e alimentação.

Portanto, a manipulação dessa variável permitia artificializar a inflação, passando a impressão que seu valor é menor que o realmente registrado. Além de ser um prejuízo ao consumidor, esse tipo de artimanha levou a Petrobrás a assumir grandes prejuízos.

Com a mudança colocada em prática, os preços passaram a seguir a variação cotada no mercado internacional. Assim, se o preço lá fora cai, aqui também deve seguir o mesmo caminho. Da mesma forma como acontece quando a cotação sobe.

Mercado internacional

Com a mudança para a nova política de preços, convém analisar o cenário internacional, já que vem daí uma grande parcela na composição do valor dos combustíveis no Brasil.

O primeiro ponto se concentra no binômio oferta/demanda. Nesse sentido, a crise ocasionada pela pandemia teve forte impacto nos mercados internacionais. Muito por conta do isolamento social, a demanda por combustíveis apresentou queda acentuada.

Nesse cenário, várias refinarias ao redor do mundo tiveram suas operações suspensas, ao passo que as atividades ainda não retornaram aos patamares pré crise até hoje. Consequentemente, há uma menor oferta do produto e com a retomada da atividade econômica, o preço do bem sofre pressão por ter uma menor oferta no momento.

Outro ponto de grande importância foi a decisão da OPEP+ em reduzir a produção de petróleo. O grupo é formado pela Arábia Saudita e Rússia, além de outros países árabes. Para se ter uma ideia do impacto da decisão, o nível de produção atual está abaixo do patamar de cinco anos atrás.

Câmbio

E a sucessão de motivos que contribuem para essa “tempestade” só ganha mais adeptos. O próximo da lista é o câmbio, que também impacta na elevação ou diminuição dos preços dos combustíveis.

Para entender essa relação, basta voltar ao fato de que a política de preços passou por mudanças em 2016. Como o preço acompanhado passou a ser aquele praticado no mercado internacional, há de se considerar a relação real-dólar.

Sendo assim, uma pressão crescente na moeda também contribui para a escalada de preços. E foi exatamente isso que aconteceu, pois houve uma grande valorização do dólar frente ao real com a deflagração da economia.

Como o preço do barril brent de petróleo (usado como referência na negociação da commoditie) é cotado em dólar, um apreciação no câmbio resulta em um aumento natural dos preços.

Daí vem a consequência do novo padrão de preços, indicando que a elevação no preço do insumo precisa ser repassada a toda a cadeia de produção. Do contrário, a estatal seria prejudicada ao absorver prejuízos e a inflação seria artificializada.

Mercado doméstico

Para fazer uma análise completa acerca dos motivos que elevaram o preço dos combustíveis, convém pontuar como o mercado doméstico se organiza do Brasil. Isso tem uma relação muito íntima com a fixação dos valores cobrados.

Nesse sentido, é vital perceber que estamos falando de um mercado monopolizado, e isso é péssimo para os consumidores. A Petrobrás é responsável por cerca de 80% de todo o combustível que circula no país, com apenas 20% sendo originário de importação direta.

Na prática, isso significa que um aumento de preços nas refinarias impacta diretamente o preço nas bombas de combustíveis. Afinal de contas, não há concorrência para isso.

Outro fator de grande relevância é a existência de uma espécie de oligopólio na distribuição do combustível pelo país. No Brasil, contamos com não mais de 4 distribuidoras, o que é sem sentido dado as dimensões do país.

Por fim, temos a carga tributária incidente que eleva os preços a níveis astronômicos. Existem contribuições demais e algumas fortemente questionáveis, como a CIDE.

Outro ponto é o ICMS cobrado pelos estados, que tem uma base de cálculo completamente absurda: ela presume qual será o valor final e calcula o imposto. Ou seja, a alíquota não é cobrada sobre o valor do produto em si, mas por aquilo que imagina-se que ele valerá na bomba.

Como fica o etanol em toda essa discussão?

Você que está lendo este artigo pode pensar que a solução para toda essa problemática seria abandonar a gasolina e abastecer seu carro com etanol, não é mesmo? Pois é, mas (infelizmente) não é bem assim…

Em primeiro lugar, existe o fato de que parte do etanol distribuído nos postos de gasolina contém um percentual de gasolina. Então existe influência vinda do preço do petróleo também.

Outro ponto que precisa ser considerado é a relação oferta e demanda, e não só aquela relacionada ao preço dos combustíveis em si, mas também ao preço do açúcar. Sim, isso mesmo, aquele composto branco e doce que está em praticamente todos os lares.

Ocorre que a mesma planta industrial que fabrica o etanol também é responsável pela produção de açúcar. A maioria das usinas tem o controle sobre qual produto fabricar.

Como as commodities sofreram escalada nos preços, a produção se voltou ao açúcar. Com isso, o etanol foi deixado um pouco de lado e isso alterou a oferta do produto.

Ao mesmo tempo, houve uma corrida em busca do combustível e novamente a relação oferta e demanda se faz presente. Só que de forma dupla agora.

Como há menos etanol o preço aumenta. Além disso, a maior procura também faz pressão nos preços. É o mix perfeito para a elevação no valor do produto e a alternativa esperada para a gasolina acaba não se concretizando.

O aumento de preços dos combustíveis é uma realidade na vida do brasileiro. Infelizmente, essa foi mais uma consequência ruim obtida com a crise causada pelo pandemia. Até mesmo a alternativa nacional do etanol sofreu impactos. Com isso, não há como fugir do efeito encarecedor dos produtos, refletidos pela alta da inflação. Agora a solução é se manter firme e aguardar que uma situação mais estável se apresente, pois a vacinação avança cada vez mais no Brasil e no mundo.

Com Ronaldo

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