Poupança tem saída recorde de recursos, no total de R$ 18,1 bi, em janeiro

Paulo Amaral
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Crédito: Freepik

A Caderneta de Poupança, aplicação mais procurada pelos brasileiros no ano passado, e que estabeleceu uma série de recordes, começou 2021 com um número não muito positivo, segundo o Banco Central.

De acordo com os dados divulgados nesta quinta-feira pelo BC, os saques somaram R$ 263,002 bilhões em janeiro, e superaram os depósitos, que foram de R$ 244,908 bilhões, resultando em uma retirada líquida de R$ 18,153 bilhões entre os dias 1 e 31 de janeiro.

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Isso configurou a maior retirada mensal de recursos desde o início da série histórica, em janeiro de 1995, superando a de janeiro do ano passado, que era de R$ 12,356 bilhões.

Em entrevista para o portal G1, William Baghdassarian, professor de Finanças do Ibmec-DF, William Baghdassarian, atrelou o cenário negativo da Poupança a “fatores estruturais”.

“A gente esperaria alguma coisa como R$ 12,5 bilhões a 13 bilhões [de saída líquida em janeiro deste ano]. Essa retirada a mais é certamente explicada pelo fim do auxílio emergencial e pelas condições de emprego que a gente tem”, pontuou.

“Pessoas desempregadas ou subocupadas ainda representam um volume grande da massa de trabalhadores”, completou o professor.

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Volume total da Poupança

O mau desempenho da Poupança em janeiro impactou no estoque total da aplicação, que fechou dezembro de 2020 com recorde histórico: R$ 1,035 trilhão.

Agora, com o saldo negativo, ele passou para R$ 1,019 trilhão ao término de janeiro de 2021.

Nessa conta, além dos depósitos e saques, também são levados em consideração os rendimentos creditados nas contas dos poupadores.

Entre 1 e 31 de janeiro, segundo o Banco Central, os rendimentos somaram R$ 1,652 bilhão.

A fuga da Poupança pode estar ligada também à taxa Selic, que segue mantida em 2% ao ano, e influencia diretamente no rendimento da aplicação.

Segundo regulamentação em vigor do Banco Central, há corte no rendimento da Poupança sempre que a taxa Selic estiver abaixo de 8,5% ao ano.

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Nesse cenário, a Poupança tem seu rendimento anual limitado a 70% da Selic mais a Taxa Referencial, calculada pelo BC.

Hoje, com a Selic a 2% ao ano, a Poupança rende 1,4% em 12 meses mais a Taxa Referencial. Com isso, tem perdido sistematicamente para a inflação, como foi em 2020, período em que registrou a pior rentabilidade dos últimos 18 anos.

 

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