Papel e celulose: alta de preços impulsiona resultados das empresas

Mitchel Diniz
Colaborador do Torcedores
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As empresas do setor de papel e celulose no segundo trimestre se beneficiaram com vendas e preços mais altos. De acordo com analistas, a demanda global segue aquecida, enquanto a oferta ainda sente os efeitos de paradas não programadas e adiadas por causa da pandemia. Os preços das fibras superaram até mesmo os patamares de 2019.

Mas a escalada das commodities também impacta os custos dessas empresas. O aumento dos preços dos combustíveis e da energia foi sentido nos resultados. Assim como a diminuição de demanda de alguns países importadores, como a China. Ainda assim, as três empresas do segmento de papel e celulose listadas na Bolsa conseguiram reverter prejuízo.

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As tendências para o próximo semestre também são positivas, segundo analistas, com o consumo global se mantendo elevado até o final do ano.

Irani (RANI3): vendas de papel ondulado ficaram acima da média do mercado

A Irani Papel e Embalagem (RANI3) foi a primeira do setor a divulgar resultados na temporada. O lucro da empresa em relação ao segundo trimestre do ano passado cresceu 342%, ou seja, mais de quatro vezes.

Em relatório, a empresa disse que houve aumento na demanda por embalagens, sobretudo dos setores de e-commerce, delivery e alimentício. O movimento impulsionou os números do período. No segmento de papel ondulado, a empresa vendeu 41 mil toneladas, um crescimento de 22% na comparação anual e acima da média do mercado. No total, a receita líquida da empresa aumentou em 67,3%, amparada também pelo câmbio favorável às exportações.

“Mantemos nossa visão de que a empresa pode reportar fortes margens ao longo de 2021, uma vez que será capaz de aumentar os preços ao cliente final”, disseram, em relatório, os analistas da XP Investimentos.

Klabin (KLBN11): empresa ganhou com volume e preço

A Klabin (KLBN11) reverteu prejuízo e registrou lucro líquido de R$ 719 milhões no segundo trimestre. No mesmo período do ano passado, o resultado havia ficado negativo em R$ 383 milhões. Já a receita líquida da empresa alcançou R$ 4,07 bilhões entre abril e junho deste ano.

A empresa ganhou com demanda e preço. Com a forte demanda por papel e celulose no mercado local e externo, a Klabin vendeu mais por valores mais altos. Por outro lado, os custos da empresa também ficaram mais pesados. O CVP (custo de produtos vendidos) da companhia aumentaram 31% no trimestre.

Ainda assim, o Banco Inter observa em relatório que as margens da empresa avançaram mesmo com a pressão dos custos. “Apesar de sofrerem as pressões dos preços mais elevados dos insumos nos mercados internacionais, [os custos] mantiveram-se sob controle”, diz a análise.

Suzano (SUZB3): Volume de vendas caiu, mas preço compensou

A Suzano (SUZB3) foi outra empresa do setor que conseguiu reverter prejuízo. A maior produtora mundial de celulose de eucalipto fechou o segundo trimestre de 2021 (2T21) com lucro líquido de R$ 10,03 bilhões. Um ano atrás, esse resultado foi negativo em R$ 2,05 bilhões.

A empresa também foi beneficiada por maiores volumes de venda de papel e preços mais altos nos mercados internacionais, tanto do papel quanto da celulose.

“O ponto negativo ficou por conta do mercado chinês, onde as negociações se tornaram mais ácidas, devido ao período sazonal do meio do ano”, diz relatório do Banco Inter.

A Suzano vendeu 2,5 toneladas de celulose no segundo trimestre, 9% menos que no mesmo período do ano passado. Mas com os preços maiores, a receita total com as vendas aumentou 21%, para R$ 8,4 bilhões. A receita do segmento de papel e embalagem somou R$ 1,3 bilhão.

A empresa também se beneficiou com a receita financeira de R$ 9,74 bilhões no período, principalmente com ganhos com variação cambial e derivativos.

“Aconteceu em função da valorização de 12% do Real frente ao Dólar de fechamento sobre a parcela da dívida em moeda estrangeira (81% da dívida total)” explicou a empresa.

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