FIIs: veja quais foram os melhores e os piores em 2020

Giovanna Castro
Jornalista formada pela UNESP.
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Crédito: Foto: Pikist

Os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) sofreram diretamente o impacto da pandemia do coronavírus em 2020, com shoppings fechando e empresas devolvendo lajes corporativas. Isso afetou diretamente o valor das cotas e a distribuição de rendimentos de alguns deles.

No entanto, quem comprou na baixa, lá no começo da pandemia, já pode estar colhendo frutos da valorização. Agora no final do ano, vemos um mercado imobiliário aquecido e as expectativas para 2021 são positivas.

Se você já investe em Fundos Imobiliários ou pretende começar a aplicar seu dinheiro neles, saiba quais foram os melhores e os piores FIIs em 2020.

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Melhores Fundos Imobiliários de 2020

O fundo que teve a melhor performance em 2020 foi o HCTR11, segundo levantamento da Guide Investimentos. Ele é um fundo misto, ou seja, aplica o dinheiro dos cotistas em diversas aplicações no mercado imobiliário. Por isso, conseguiu driblar as perdas da crise com a sua diversificação.

Em segundo lugar ficou IRDM11, um fundo de papel que investe principalmente em certificados de recebíveis imobiliários (CRIs). E, em terceiro, o fundo MFII11, de tijolo que investe na construção de imóveis para posteriormente vender e, assim, obter lucro.

FII melhores

FIIs com maior valorização das cotas em 2020. Fonte: Guide Investimentos

 

Os fundos que emplacaram no top 10 melhores performances de FIIs em 2020 são majoritariamente de recebíveis imobiliários (CRI). Segundo Caio Ventura, analista de Fundos Imobiliários da Guide Investimentos, isso aconteceu por que eles são mais expostos ao segmento residencial que, no caso, foi um dos setores de maior destaque no âmbito econômico nacional.

Além disso, boa parte desses recebíveis é indexada ao Índice Geral de Preços Mercado (IGP-M), conhecido como a “inflação do aluguel”. Considerando os resultados dos últimos 12 meses do índice, a alta acumulada é de mais de 24%. Isso explica parcialmente os grandes dividend yields no segmento de recebíveis high-yield, comenta o especialista.

FIIs melhor dividend yield

FIIs com melhor dividend yield em 2020. Fonte: Guide Investimentos

Destaque para os fundos de papéis

Para Elias Wiggers, assessor de investimentos da EQI, os fundos de papel tiveram grande vantagem na hora de driblar a crise. Afinal de contas, eles têm grande liquidez e facilidade para movimentos na carteira, diferentemente de fundos de tijolos. “O fundo de tijolo não consegue se desfazer de um shopping, um galpão logístico ou comprar a participação em outro imóvel com tanta facilidade”, explica.

Além disso, os fundos de papéis conseguem negociar facilmente os títulos no mercado secundário. E como esses contratos imobiliários estão atrelados ao IGP-M, que subiu muito em razão dos preços do atacado e do dólar, eles acabaram rendendo dividendos mensais bem acima da média.

Naturalmente, isso atraiu investidores e, com o aumento da demanda, o preço das cotas subiu, impulsionando a valorização anual. Principalmente porque a maioria dos investidores de FIIs busca rentabilidade e não necessariamente potencial de valorização, apesar de um fator estar atrelado ao outro.

“Fundos que estão pagando bons dividend yield acabam tendo uma performance melhor em situações de estresse de mercado como essa que vemos em 2020. Afinal, os investidores compram fundos pela sua administração, que garante rentabilidade, e não objetivamente pela valorização da cota, como acontece no ramo de ações, onde o comprador se torna sócio da empresa”, finalizou o Wiggers.

Piores performances de FIIs em 2020

Na outra ponta, quem investiu nos Fundos Imobiliários PATC11, FLMA11 e BCIA11 em 2020 acabou amargando desvalorização superior a 35%. O primeiro e o segundo, focados em edifícios corporativos, foram diretamente afetados pela adoção do home office por muitas empresas.

Já o fundo BCIA11 é um fundo de fundos de papel do Bradesco. Seus investimentos são destinados principalmente à aquisição de cotas de outros Fundos Imobiliários. Mesmo com a diversificação, ele não conseguiu se manter atrativo em 2020.

FIIs com menor valorização

FIIs com menor valorização das cotas. Fonte: Guide Investimentos

 

O assessor da Guide explica que o perfil dos ativos com piores performances em 2020 é bastante diverso. No entanto, basicamente, eles se devem a três principais causas.

A primeira causa são as restrições e regras de distanciamento social que impactam diretamente o modelo de negócio. A segunda, a queda de receita inviabilizando distribuições de proventos. E a terceira é a dificuldade de alocação dos recursos em caixa e falta de claridade na estratégia de crescimento.

Essa dificuldade de alocação de recursos em caixa foi sentida pelo QAGR11, por exemplo. Elias comenta que o fundo não tem muita clareza de onde empregar seus recursos porque os contratos que fechou no final de 2019 não foram cumpridos em 2020.

Dessa forma, a rentabilidade cai. “O fundo rendendo o CDI, que é 2% ao ano, enquanto tem fundo por aí pagando 1% ao mês. Ou seja, em dois meses é possível bater essa rentabilidade em outros fundos”, explica o assessor da EQI.

O especialista reforça ainda que os fundos que mais desvalorizaram também são os mesmos que pagaram menos dividendos. Seguindo a mesma lógica dos que mais se valorizaram.

FIIs com pior dividend yield

FIIs com pior dividend yield em 2020. Fonte: Guide Investimentos

Expectativa para o setor de FIIs em 2021

Em 2021, a manutenção da taxa de juros em patamares historicamente muito baixos deve continuar suportando o fluxo positivo para os Fundos Imobiliários. Para o investidor, nessa situação, só há duas opções para conseguir rentabilidade melhor. Ou assumir maior risco ou aplicar o dinheiro a longo prazo.

Nos Fundos Imobiliários, é possível encontrar rentabilidade de 7 a 8% ao ano. Assim, se o investidor tiver o perfil adequado e for tolerante ao nível de risco que ele apresenta, pode se dar bem nesse segmento.

“Quando comparamos dezembro do ano passado com novembro deste ano, o número de investidores de Fundos Imobiliários cresceu 75%. A combinação entre renda e baixa volatilidade tem se tornado cada vez mais popular”, comentou Caio Ventura.

Elias complementa que o ano de 2021 tem tudo para ser o que 2020 não foi. “Esperamos uma retomada da economia e o mercado ainda está apostando em um cenário de juros baixos. Naturalmente, isso vai atrair investidores para o setor”, pontuou.

 

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