Cases da Bolsa: saiba como calcular o lucro por ação de uma empresa

Redação EuQueroInvestir
Colaborador do Torcedores

Crédito: Pixabay

O LPA (lucro por ação), muito utilizado na análise fundamentalista, ajuda a encontrar as ações mais lucrativas da bolsa de valores. Portanto, se você já investe, ou pretende começar a investir em empresas, precisa conhecer esse indicador.

Ele será um dos temas abordados no evento Cases da Bolsa, daEQI Investimentos.

Simule seus investimentos com um especialista e confira as melhores opções de acordo com seu perfil

A seguir, entenda como calcular e utilizar o LPA para escolher as ações com os melhores potenciais de retorno da bolsa. Continue a leitura!

O que é o LPA (lucro por ação)?

Um dos grandes desafios de quem deseja montar uma carteira de ações é justamente escolher os títulos que proporcionem as melhores rentabilidades. Mas, para isso, não basta somente comparar o lucro das empresas. É necessário saber também o quanto cada ação da companhia representa desse resultado.

Nesse sentido, o LPA pode ser muito útil. Como o próprio nome indica, ele demonstra a parcela de lucro líquido que cada título da empresa representa. Para chegar ao LPA, é preciso dividir o lucro líquido do exercício pelo total de ações que a companhia possui em circulação.

A sua fórmula é a seguinte:

LPA = Lucro líquido / n° de ações em circulação

Componentes da fórmula do LPA

O lucro líquido corresponde à última linha do Demonstrativo de Resultados do Exercício (DRE) da empresa. Já o número de ações em circulação pode ser obtido no site da B3. Ao acessar o perfil de cada empresa listada na bolsa, é possível ver o quadro “ações em circulação no mercado”.

Importância do LPA

O indicador de lucro por ação é um dos mais importantes para que se possa determinar o preço justo das ações de uma empresa. Isso porque ele “divide” o lucro da companhia pela quantidade de ações em circulação. Dessa forma, pode-se ter uma noção mais clara do quanto cada ação pode proporcionar de ganho para o investidor.

Para entendermos melhor esse conceito, vejamos um exemplo.

Suponha que a empresa A tenha tido lucro líquido de R$ 20 milhões em um determinado ano. Nessa ocasião, ela tinha 4 milhões de ações em circulação no mercado. Já a empresa B, que lucrou R$ 30 milhões no mesmo exercício, possuía 9 milhões de títulos sendo negociados por investidores.

Dessa forma, temos que o lucro por ação de A e B é o seguinte:

LPA empresa A: R$ 20 milhões / 4 milhões de ações = R$ 5 por ação

LPA empresa B: R$ 30 milhões / 9 milhões de ações = R$ 3,33 por ação

Perceba que, mesmo com lucro líquido menor, a empresa A acaba sendo mais rentável para o acionista do que a B. Isso porque o resultado da companhia ficou menos diluído. O motivo foi a quantidade menor de ações em circulação que possui.

Por isso, analisar somente o lucro total de uma empresa não é o suficiente para determinar o potencial de rentabilidade que os seus títulos podem oferecer. Essa avaliação deve sempre levar em consideração a relação do lucro líquido com a quantidade de ações nas mãos dos investidores. Somente dessa forma se poderá saber o quanto a ação poderá proporcionar de lucro a cada investidor.

LPA e o direito de subscrição

Quando falamos em LPA, um aspecto importante que deve ser considerado é a emissão de novas ações por parte da companhia. Como vimos no exemplo acima, quanto mais títulos da empresa estiverem circulando no mercado, mais diluídos serão os seus resultados nas mãos dos acionistas.

Por isso, quando decide fazer uma nova emissão de ações, a companhia dá aos atuais investidores o direito de preferência na aquisição desses novos títulos. Esse processo se chama direito de subscrição, e serve para garantir que a participação do acionista mais antigo não seja diluída com a entrada dos novos.

Neste artigo, saiba mais sobre como funciona e qual a importância do direito de subscrição para o acionista.

Pontos importantes na análise do lucro por ação

Assim como qualquer indicador financeiro, o LPA tem suas peculiaridades e alguns pontos que exigem especial atenção do investidor. A seguir, vejamos quais são eles:

Comparação entre empresas do mesmo setor

Quando utilizamos o LPA como indicador, é importante que estejamos comparando empresas do mesmo setor de atuação e de portes semelhantes. Caso contrário, é possível que a análise apresente distorções. Se isso acontecer, a avaliação do correto potencial de retorno do investimento poderá ficar prejudicada.

Recente emissão de ações

Digamos que, no exemplo anterior, a empresa B tenha feito uma recente emissão de ações. O motivo foi a captação de recursos que serão investidos no aumento da produção. Nessa situação, é possível que os recursos investidos ainda não tenham surtido o efeito desejado na atividade operacional. Essa pode ser a razão de seu LPA ser inferior do que o da empresa A. Logo, não dá para avaliar uma ação somente pela análise isolada desse indicador.

Avaliação de anos anteriores

O ideal é analisar sempre uma série histórica do LPA, e não somente último indicador. Isso porque, ao analisar exercícios passados, o investidor consegue ter uma ideia do quanto a ação já rendeu antes e, dessa forma, poderá avaliar melhor o seu potencial de retorno.

Resultados não recorrentes

É comum que, em determinados exercícios, as empresas tenham resultados não recorrentes, ou seja, sem relação com a sua atividade operacional. Pode ser uma receita extra pela venda de um imóvel, ou o recebimento de um crédito tributário. Ou, ainda, um gasto inesperado com algum sinistro ou multa, por exemplo.

Nessas ocasiões, o resultado do exercício será impactado para mais ou para menos, e isso influenciará o LPA do período. Por isso, é importante conhecer todos os fatores que influenciaram no resultado. Dessa forma, você poderá evitar uma avaliação incorreta do indicador.

Rentabilidade e endividamento

Por fim, cabe lembrar que o LPA não considera pontos importantes, como o endividamento e eficiência operacional, ou seja, a capacidade que a empresa tem de gerar resultado por meio do capital próprio. Nesse sentido, há indicadores que devem ser associados à análise, como a relação dívida líquida/Ebitda e o ROE (retorno sobre o patrimônio líquido), por exemplo.

Conclusão sobre o LPA

Apesar de auxiliar os investidores a descobrirem ações com bom potencial de retorno, o LPA não deve ser utilizado isoladamente nas análises. No entanto, associado a outros indicadores, ele é uma das ferramentas importantes utilizadas no valuation de uma empresa. Essa metodologia reúne diversas técnicas da análise fundamentalista. Sua função é abordar diversos aspectos que servirão para avaliar as companhias e determinar o preço de suas ações.

Quer saber mais sobre o valuation? Então, acesse o link abaixo, e saiba tudo sobre como fazer avaliação de empresas!

Cases da Bolsa

Aprenda análise fundamentalista de ações na prática, com maiores cases já criados na B3