FII: conheça os 20 fundos imobiliários mais rentáveis de 2020

Giovanna Castro
Jornalista formada pela UNESP.
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Crédito: Foto: Reprodução

A crise do coronavírus atingiu diretamente os fundos imobiliários. Alguns registram queda de até 60% na rentabilidade em 2020. Mas em alguns segmentos a queda não foi tão brusca ou houve até crescimento.

Um levantamento exclusivo da fintech Smart Brain, que oferece serviços de consolidação de investimentos, aponta quais foram os 20 Fundos Imobiliários que tiveram melhor rentabilidade em 2020.

Segundo Caio Ventura, analista de Fundos Imobiliários da Guide Investimentos, os fundos que tiveram capacidade de manter um nível de distribuição de dividendos atrativo, ou acima da média, foram os que conseguiram ancorar melhor seus cotistas e o valor da cota. Em destaque, os fundos de recebíveis imobiliários high yield.

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AQLL11 foi o fundo imobiliário que entregou melhor rentabilidade em 2020

O fundo imobiliário que entregou maior rentabilidade em 2020 foi o Áquilla (AQL11), com alta de 33,33% até outubro. Trata-se de um fundo diversificado, com uma composição de carteira que vai de cotas de outros FIIs, certificados recebíveis imobiliários (CRIs) e até imóveis físicos.

Em segundo lugar, temos o fundo BRL Prop (BPRP11), com 29,42% de retorno ao ano até outubro. Ele está focado nos direitos reais para a construção de um empreendimento em Arujá, na Grande São Paulo.

O terceiro do ranking é do fundo Hospital Nossa Sra. de Lourdes (NSLU11), que manteve rentabilidade de 25,33% ao ano. Focado na área hospitalar, também sofreu pouco com a crise causada pela Covid-19.

Já os outros FIIs da lista da Smart Brain permaneceram com rentabilidade abaixo de 20%. O assessor de investimentos da EQI, Elias Wiggers, alertou que nenhum fundo imobiliário teve uma boa rentabilidade de fato em 2020. Trata-se de uma lista dos fundos que conseguiram manter rendimentos estáveis ou “menos piores”. Os que tiveram um aumento, foram por questões de valorização.

“A única pessoa que ganhou dinheiro com FIIs nessa crise foi quem comprou um fundo ‘certo’, no ‘segmento certo’, na parte de baixo da curva, lá em abril, quando estava todo mundo desesperado. Ninguém sabia o que ia acontecer e então o investidor pode ter acertado ao comprar um fundo de logística, por exemplo, que foi um segmento que conseguiu se recuperar bem. Mas, não dá para analisar o setor como sendo bom. Ele apenas foi menos pior e se recuperou mais rápido em relação à crise”, comentou.

Confira o ranking dos 20 Fundos Imobiliários que apresentaram melhor rentabilidade em 2020:

Fundos imobiliários em 2020 com maior rentabilidade

Fonte: Smart Brain

Entre os fundos que se mantiveram estáveis, mas sem grandes resultados, está o GGRC11. Ele acumulou alta de 5,77% ao ano e ficou em décimo primeiro lugar. Segundo João Vitor Freitas, analista da Toro Investimentos, o fundo manteve seus resultados porque seus gestores estavam dispostos a negociar com seus inquilinos durante a pandemia. Dessa forma, conseguiu manter a distribuição de dividendos ao longo do ano, além de estar com a taxa de vacância zerada.

Freitas destacou ainda um fundo que muitas vezes é considerado “parado”, mas está se destacando no ano por sua solidez: o HGPO11. “Com a gestão passiva de 2 imóveis muito bem localizados, o mercado viu a importância de uma localização Premium em períodos de crise. O fundo vem performando muito bem, com pagamentos de dividendos pouco voláteis. E que inclusive já foram reajustados pra cima por 2 vezes esse ano”, comentou.

Assim, um fundo mais estável pode não entregar uma rentabilidade tão alta, mas assegura investidores mais conservadores, que não querem correr muitos riscos de oscilação.

Boom do e-commerce favorece FIIs de logística

Com a quarentena, e o consequente boom do e-commerce, o segmento logístico ganhou força e a atenção dos investidores. Na contramão, fundos de alguns setores específicos, como shoppings, que ficaram fechados por meses e lajes corporativas, que tiveram o impacto do home office, sofreram mais.

Elias Wiggers mencionou que no caso dos FIIs de logística, se não houve aumento da renda mensal dos acionistas, ela pelo menos se manteve estável. Assim, o valor da cota também se manteve. Ou aumentou, em alguns casos, por conta dessa expectativa de aumento das vendas online.

Muitas dessas empresas mais do que dobraram o seu faturamento. Muitas pessoas que nunca tinham comprado pela internet, passaram a comprar. Assim, foi necessário até mesmo alugar novos galpões para ampliar o estoque, por exemplo. E esse movimento de venda online tende a continuar mesmo pós-pandemia.

Mercado imobiliário em compasso de espera

Para Wiggers, o mercado de Fundos Imobiliários em 2020 está em compasso de espera. O setor ainda não se recuperou de níveis pré-pandemia e depende de resultados e expectativas melhores do da economia.

“Neste momento, eu diria que o setor de Fundos Imobiliários está lateralizado, como chamamos. Temos uma ou outra oportunidade pontual, alguns setores mais destacados, mas, na média, quando olhamos os Fundos Imobiliários como um todo, o índice ainda não voltou a níveis pré-pandemia. E provavelmente não vão voltar enquanto não tivermos uma sinalização mais positiva dos agentes econômicos de que as pessoas estão voltando a consumir”, comentou.

Em março, as incertezas da pandemia provocaram uma queda acentuada nos preços de FIIs, levando a perdas de 30% do valor. Alguns tiveram desvalorização de até 50%.

Foi a partir de abril que os fundos começaram a apresentar uma lenta recuperação, que ainda está em andamento.

Nesse contexto, os fundos de tijolo, aqueles que possuem imóveis físicos, vêm passando por um movimento de renegociação dos contratos de locação e dívida por parte dos inquilinos dos imóveis. Muitas das lojas e empresas que não entregaram imóveis, reduziram o espaço alugado. Assim, é preciso observar atentamente a que passo estão essas negociações para prever um panorama futuro.

Há boas oportunidades de investimento em Fundos Imobiliários em 2020?

É verdade que o momento não é o melhor para os Fundos Imobiliários em 2020. Mas, Wiggers lembra que, ao apostar na compra de fundos mais afetados, é possível colher os frutos de uma boa valorização.

Nesse ponto, é importante que o investidor se atente a segmentos que estão em baixa agora mas, provavelmente, retomarão seus negócios após uma vacina ou melhora mais significativa na situação da pandemia e da economia em geral.

Os shoppings centers e os hotéis, por exemplo, são negócios que tendem a crescer novamente no pós-pandemia. Muitos, inclusive, já estão se recuperando aos poucos.

Já o segmento de lajes corporativas ainda é incerto. Afinal, muitas empresas já demonstram que não pretendem voltar a ter escritórios presenciais mesmo depois da crise.

Além disso, o assessor da EQI recomenda apostar na diversificação. Ou seja, montar uma carteira de vários ativos, segmentando por diferentes setores (sem pulverização), diminuindo os risco.

Alocar capital em FoF (Fund of Funds) também pode ser uma boa opção. Por serem fundos que aplicam em outros fundos, eles conseguem apostar em diferentes segmentos. E até variar esses segmentos conforme a situação do mercado.