Fed vê melhora na economia, mas manterá “suporte monetário”

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)

Crédito: Divulgação

O Fed (Federal Reserve, o banco central americano) divulgou nesta quarta (7) a ata do  Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto, na sigla em inglês), formado por dirigentes da instituição.

O Fed observou que a economia mostrou indicativos de melhora e vê perspectiva de retomada, mas que é preciso manter suporte monetário até que as taxas se estabeleçam em patamares mais confortáveis.

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O documento é um registro da última reunião do Fed, entre 16 e 17 de março, que manteve as tacas de juros estáveis, perto do zero. Os integrantes do comitê fizeram uma análise otimista da economia americana, o que embasou a decisão.

Segundo o Fed, os indicadores de atividade e emprego aumentaram recentemente, mas os dirigentes ponderaram que a crise provocada pela pandemia de covid-19 continua causando dificuldades econômicas.

Diz o Fed: “A trajetória da economia depende significativamente do curso do vírus e da vacinação, já que a crise continua a apresentar riscos consideráveis para as perspectivas econômicas.”

O comitê afirma ainda que “levará algum tempo até que progressos substanciais em direção às metas de pleno emprego e estabilidade de preços sejam realizados”;

Mais: “As compras de ativos continuarão no menos no ritmo atual até então”, reforça o documento.

Por isso, o Fed aguarda por uma retomada mais sustentável, antes de decidir por mudança na política monetária.

A adesão à “orientação baseada em resultados” é uma promessa de que o Fed esperará até que a economia mostre “progresso adicional substancial” em direção às metas duplas de pleno emprego e inflação, que gira em torno de 2%, lembrou a CNBC em texto sobre o ata desta quarta.

Inflação, emprego e crise

O país avançou consideravelmente na imunização e o número de diagnósticos de Covid caiu. Mesmo assim, os membros concordaram em empenhar toda gama de ferramentas para apoiar economia.

O objetivo é atingir uma inflação moderadamente acima de 2% por algum tempo, sinalizaram os membros do Fed.

Por esse motivo, as compras de ativos vão ser mantidas e ajudarão a a “promover condições financeiras acomodatícias”. O Fed propõe manter ritmo mensal de US$ 120 bilhões em compras de títulos.

Os integrantes do Fomc lembraram que o mercado de trabalho está em níveis abaixo daqueles consistentes com pleno emprego.

Consideram que o crescimento de empregos nos EUA não está nos patamares ideais. O principal indicador de emprego, no entanto, disparou em março no ritmo mais rápido desde agosto de 2020, conforme informou o Departamento do Trabalho americano, na última sexta-feira (2). O país criou 916 mil empregos no mês, enquanto a taxa de desemprego caiu para 6%.

O resultado do payroll ficou acima da expectativa do mercado, que projetava a abertura de 675 mil postos de trabalho. Já o nível de desemprego ficou em linha com o consenso de mercado.

Os dirigentes esperam ganhos de emprego nos próximos meses, com apoio fiscal. Com o com arrefecimento da pandemia, dirigentes elevaram previsões para PIB dos EUA,

O Fed destacou melhora nas perspectivas econômicas com pacote fiscal do governo americano.

Reação do mercado

A primeira reação à ata do Fed foi de otimismo cauteloso. As bolsas em NY ganham algum fôlego — embora sem muita consistência.

O S&P 500 avança 0,17%, o Nasdaq cai (-0,06%) e Dow Jones mostra leve queda (-0,09%).

Com a leve melhora das bolsas em Nova York depois da ata do Fed, o Ibovespa chegou à máxima intraday (118.3030 pontos), mas já voltou e desacelerar para 0,28%, aos 117.830 pontos.

No câmbio, o dólar, que operava na faixa de R$ 5,60 antes do documento do Fed, também diminuiu a euforia e encosta na máxima do dia (R$ 5,638), cotado a R$ 5,634 (+0,63%).

Análise do BTG Pactual (BPAC11)

O comitê manteve o discurso dovish, analisa o BTG Pactual (BPAC11), afirmando que a meta de inflação média no longo prazo é de 2% e que para alcançar esse patamar o Fed aceitará uma taxa moderadamente acima desse valor por algum tempo.

Mesmo com um aumento esperado da inflação é provável que não apertem suas condições monetárias até que vejam um progresso substancial na economia e, principalmente, no mercado de trabalho, diz o BTG.

Adicionalmente, a autoridade monetária afirmou que a melhora nos indicadores de atividade e emprego nos últimos meses não é suficiente para dizer que a covid-19 não seguirá causando dificuldades econômicas, ressaltando que os setores mais afetados pela pandemia continuam fragilizados.

Com isso em mente, os dirigentes afirmaram que o Fed está comprometido em utilizar todos os seus instrumentos para apoiar a economia.

DXY: leve alta

De acordo com a equipe Macro Research do BTG Pactual digital, formada pelos economistas Álvaro Frasson, Leonardo Paiva e Luiza Paparounis, vale enfatizar que, na segunda-feira, o PMI e o ISM do setor de serviços apresentaram resultados acima das expectativas, mostrando otimismo dos agentes de mercado sobre a reabertura da economia por consequência do avanço no cronograma de vacinação.

Após a ata do comitê sem muitas mudanças no discurso, o DXY, indicador que compara a força da moeda americana contra uma cesta de moedas relevantes internacionalmente, apresentou reversão de tendência, passando a apresentar leve alta.

Os juros das treasuries de 10 anos, que chegaram a alcançar o patamar de 1,63% antes do comunicado, reduziram a amplitude da queda, voltando ao patamar de 1,65%.

 

 

 

 

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