Fed: crise na saúde ainda impacta “fortemente a atividade econômica”

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)

O Fomc (Federal Open Market Committee, ou Comitê Federal de Mercado Aberto do Federal Reserve) divulgou, nesta quarta (19), a ata da última reunião do comitê, realizada em 28 e 29 de julho.

No último dia 29 de julho, o Fed anunciou a manutenção das taxas de juros entre entre zero e 0,25%. A decisão foi tomada de maneira unânime.

Nesta quarta, o Fed explicou que a crise sanitária causada pela Covid-19 ainda vai impactar fortemente a atividade econômica.

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Os EUA tiveram nas últimas semanas aumento de casos de contaminação do novo coronavírus.

“Emprego e a inflação terão riscos consideráveis para as perspectivas econômicas no médio prazo”, aponta a ata do comitê nesta quarta-feira (19).

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O comitê sugere que o apoio a medidas fiscais e linhas de crédito será fundamental na retomada econômica.

Os dirigentes concordam que incertezas econômicas permanecem extremamente elevadas, com risco de novos períodos de quarentena para conter a disseminação do vírus até o final de 2020.

O comitê considerou que, num cenário pessimista, o PIB voltará a se contrair e desemprego, a crescer.

Por isso recomenda ajustes estratégicos na política monetária e manter medidas agressivas de estímulo na economia.

Nesse quadro, a recuperação tem trajetória incerta.

Efeitos substanciais

Diz a ata do comitê ” O surto de coronavírus e as medidas tomadas para conter sua disseminação continuaram a ter efeitos substanciais sobre a atividade econômica nos Estados Unidos e no exterior.”

Acrescenta: “As informações disponíveis no momento da reunião de 28 e 29 de julho sugeriam que a atividade econômica dos EUA havia se recuperado em maio e junho, após quedas acentuadas em março e abril.”

E pondera: “Medido trimestralmente, no entanto, parecia que o produto interno bruto (PIB) real havia diminuído a uma taxa historicamente rápida no segundo trimestre.”

O Fomc completa: “As condições do mercado de trabalho melhoraram consideravelmente em junho, mas as melhorias em maio e junho foram modestas em relação à deterioração substancial observada em março e abril.”

A Ata do Fed lembrou que as empresas não financeiras têm endividamento alto, com alto risco de insolvência. Assinalou que os investimentos não foram retomados.

Bancos

O comitê demonstrou preocupação desta vez com o sistema bancário.

Os dirigentes afirmaram que estão apreensivos com as instituições financeiras. Apesar da estabilidade dos últimos meses, o Fomc pondera que o cenário pode mudar caso a pandemia se mantenha com altas taxas.

O comitê mencionou ainda a dívida pública — de US$ 26,6 trilhões, elevada na pandemia em cerca de US$ 3 trilhões, em razão das medidas do governo federal e do Congresso para socorrer a economia.

O aumento da emissão de títulos do Tesouro e de moeda “pode prejudicar 0 mercado” a médio e longo prazo.

Mas o comitê recomenda recompra de títulos e monitorar de perto a estratégia para ajustá-la se for necessário.

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Real

A Ata do Fed também cita a depreciação do real, lembrando que houve perda de quase 5% entre a reunião de junho e julho

“Isso ocorreu em meio aos contínuos cortes de juros pelo BC do Brasil, escalada do coronavírus e turbulências políticas”, assinalou o comitê.

O dólar deu um salto para R$ 5,53 na divulgação da ata do Fed, em reação praticamente isolada entre os emergentes, enquanto os juros futuros estressaram às máximas.

Após o leilão do Banco Central brasileiro, o dólar reduziu a alta para R$ 5,51 e há pouco subia 0,97%, a R$ 5,5195.

Reação do mercado

As bolsas reagiram com cautela à ata do Fomc: o índice Dow Jones avançou 0,05% logo após a divulgação da ata.

O S&P 500 recuou 0,02% e o Nasdaq está estável, em 0,01%.

No fechamento de Nova York, os índices acabaram caíndo: Dow Jones acabou fechando em queda de 0,31%, aos 27.692,88 pontos. O S&P 500 teve recuo de 0,44%, aos 3.374,85 pontos. O Nasdaq teve perdas de 0,57%, aos 11.146,46 pontos

No Brasil, o dólar fechou em alta de 1,16%, cotado a R$ 5,5302, O Ibovespa encerrou o pregão em queda de 1,19%, aos 100.853,72 pontos.

Taxas de juros

O Fomc justificou manter as taxas de juros perto do zero dizendo que a atividade econômica e emprego melhoraram nos últimos meses nos Estados Unidos, mas permanecem em patamares mais baixos dos registrados antes da pandemia.

O Fed acrescentou que os rumos da economia dependerão do novo coronavírus. Os números da pandemia vêm aumentando nas últimas três semanas, com altas em metade dos estados.

O comitê informou também que continuará comprando pelo menos US$ 120 bilhões em treasuries (títulos do Tesouro norte-americano) e títulos lastreados em hipotecas todos os meses para estabilizar os mercados financeiros.

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Petróleo cai levemente com alerta do Fed

Os preços do petróleo vinham operando em alta, após estoques recuarem 1,6 milhão na semana passada nos Estados Unidos — bem abaixo das projeções de queda de 2,67 milhões de barris.

A Ata do Federal Reserve, porém, tirou o fôlego dos preços.

O documento informou que os dirigentes da instituição viram estoques de petróleo ainda em excesso e enfatizaram que o setor de energia enfrentará desafios em razão da crise econômica.

Dessa forma, o petróleo tipo Brent para outubro encerrou com recuo 0,20%, a US$ 45,37 o barril.

Já o o WTI para outubro ficou estável (-0,01%), a US$ 43,11 o barril.

Projeções

Em virtude do impacto na pandemia, o comitê estima, para este ano, recuo de 6,5% no PIB.

Mas a autoridade monetária prevê crescimento do PIB de 5% em 2021 e de 3,5% em 2022.

A instituição declarou que vai manter ritmo de compras de títulos do Tesouro a US$ 80 bilhões por mês — esse valor, segundo o comitê, poderá ter elevação de acordo com critério da instituição.

O Fed afirma que espera inflação de 0,80% este ano. Para 2021, a projeção é de 1,6%; e de 1,7% em 2022 – o que mantém a meta abaixo de de 2%.

O comitê diz que prevê, para 2020, taxa de desemprego de 9,3% este ano. Em 2021, esse índice deve ser de 6,5%. Em  2022, o Fed projeta taxa de  5,5%.

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