Fed mantém juros estáveis e aumenta projeções para PIB e inflação

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)

Crédito: Fed/Divulgação

O Fed (Federal Reserve, o banco central americano) manteve nesta quarta (17) as taxas de juros estáveis, entre 0% e 0,25% ao ano.

A decisão do Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto, na sigla em inglês), formado por dirigentes do Fed, era aguardada pelo mercado — que esperava pelo comunicado da instituição, sobretudo sobre as projeções de inflação e das perspectivas da retomada da economia.

A decisão do Fed foi unânime. Os dirigentes projetam juros estáveis até pelo menos 2023 e veem melhora na economia. O comitê aumentou projeção do Produto Interno Bruto (PIB) e a de inflação a patamares baixos, mas acima de 2%.

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A previsão de alta, segundo o Fomc, pode chegar a 2,2% em 2021. A revisão se deu por causa da estimativa de elevação das despesas de consumo pessoal com  aprovação do pacote de US$ 1,9 bi aprovado pelo Congresso.

O Fed mencionou que a atividade econômica mostra sinais de recuperação e estímulo fiscal e citou também os índices de emprego.

Fed eleva previsão para o PIB

O comitê elevou a projeção para PIB (Produto Interno Bruto) em 2021 nos EUA de 4,2% para 6,5%.

No comunicado, o Fed lembrou que continuará a aumentar a carteira de Treasuries em ao menos US$ 80 bilhões por mês.

O cenário nos EUA é mais promissor no país: desde que Joe Biden assumiu, prometendo acelerar o programa de imunização no país, foram vacainadas mais de 73 milhões de pessoas.

Apesar da melhora no quadro, o Fed observa que crise de saúde ainda apresenta riscos consideráveis para as perspectivas econômicas.

Crise sanitária e projeção de juros

“Crise de saúde pública continua pesando sobre a atividade, inflação e emprego”, analisa o Fed.

Todos os dirigentes projetam juro entre zero e 0,25% ainda este ano. “Nossa meta é atingir inflação moderadamente acima de 2% por algum tempo”, acrescenta o comunicado.

Para 2022, 14 dirigentes projetam juro entre zero e 0,25%. “Esperamos manter postura acomodatícia na política monetária até metas cumpridas”, explicou o comunicado da instituição.

No entanto, três dirigentes esperam juro entre 0,25% e 0,50% em 2022 e um dirigente, entre 0,50% e 0,75%.

“Comitê está preparado para ajustar política monetária conforme apropriado”, lembrou o Fed.

Os dirigentes discordam a respeito dos juros em 2023 e no longo prazo. Onze dirigentes esperam juro entre zero e 0,25% em 2023; três esperam entre 0,75% e 1% e dois projetam entre 1% e 1,25%.

O ajuste para a inflação se mantém em 2% (o que significa um número dentro da meta), sugerindo que os juros permanecerão estáveis durante longo tempo ainda

Reação do mercado

As bolsas receberam o comunicado com algum otimismo: após a decisão do Fed, o Dow Jones fechou em alta de 0,58%. O S&P 500 avançou 0,29% e o Nasdaq, +0,40%

O Ibovespa fechou em alta de 2,06%, aos 116.44,20 pontos.

Após registrar a máxima de R$ 5,6825, o dólar fechou a R$ 5,5861 (-0,59%), com o contrato para abril em baixa de 0,68% (R$ 5,5885).

A autoridade monetária não mudou a projeção para inflação dos EUA no longo prazo, ficando em 2,0%.

Os rendimentos dos Treasuries sobem: o T-bond de 30 anos renovou máxima, a 2,448%. O de 2 anos caiu a 0,137% e o de 10 anos sobe 1,659%.

O Fed lembrou que compra de ativos se mantém em pelo menos US $ 120 bilhões em títulos por mês.

Powell: trajetória da economia depende do curso do vírus

Em entrevista após i anúncio do comunicado, o presidente do Fed Jerome Powell repetiu o que vinha declarando nos últimos comunicados da instituição: “Continuaremos oferecendo apoio à economia enquanto for necessário”

“Trajetória da economia continua a depender do curso do vírus”, afirmou. “Casos estão em baixa e a vacinação representa esperança.”

Mas ele ponderou: “Projeções da economia foram revisadas para cima, mas a recuperação continua incompleta. Economia ainda tem déficit de 9,5 milhões de empregos, comparado com o começo de 2020.”

Powell reforçou: “Inflação segue abaixo de nossa meta de 2%. Podemos ter aceleração da inflação com recuperação dos gastos, mas aumento de preços deve ser temporário.”

Powell reforça: não haverá redução da compra de títulos

“Almejamos inflação acima de 2% por um tempo para compensar períodos anteriores”, explicou. “Manteremos juros baixos até atingirmos objetivos de emprego e inflação.”

O presidente do Fed acrescentou: “Nosso forward guidance permitirá que política monetária siga acomodatícia durante a crise.”

Em resumo, Powell não endossou as preocupações do mercado com as pressões inflacionárias, refletidas na curva de juros dos Treasuries.

Segundo ele, a posição do Fed continua sem redução da compra de títulos e não cogita subir os juros nos próximos dois ou três anos.

Powell disse ainda que as “métricas mostram que política monetária continua apropriada.”

Análise do BTG Pactual

O Fomc optou por manter a taxa de juros estável no intervalo entre 0% e 0,25% e afirmou que continuará a aumentar a carteira de tresuries em pelo menos US$ 80 bilhões por mês.

O comitê elevou sua projeção do PIB para 2021 de 4,2% para 6,5%, com as estimativas para 2022 e 2023 praticamente inalteradas, e manteve a meta de inflação média no longo prazo em 2%.

O time Macro Research do BTG Pactual digital destaca que, para alcançar esse patamar, o Fed aceitará uma taxa moderadamente acima desse valor de inflação por algum tempo, dado que o crescimento do nível de preços esteve bastante baixo durante o auge da crise sanitária no país.

O presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou que a política monetária é apropriada para o momento e permanecerá em nível estimulativo, enquanto a economia precisar de apoio para retomar a trajetória de crescimento.

Além disso, também afirmou que não é o momento de começar a discutir a retirada de estímulos monetários e que avisarão com antecedência quando chegar o momento de isso ocorrer.

Após a apresentação da decisão do FOMC e a fala do Powell confirmando que os juros não devem subir tão cedo, o DXY, indicador que compara a força da moeda americana contra uma cesta de moedas fortes internacionalmente, apresentou forte reversão de tendência, passando a cair.

Os juros das treasuries de 10 anos, que chegaram a alcançar o topo do dia antes do anúncio, passaram a desacelerar a alta. Não obstante, durante o comunicado de Powell, a volatilidade das treasuries permaneceu acentuada, o que deve se manter nas próximas semanas.

Emprego

O Fed reduziu a projeção para taxa de desemprego este ano, de 5% para 4,5%. Para 2022, segundo o cimitê, o desemprego cai de 4,2% para 3,9% e para 2023, de 3,7% para 3,5%

No longo prazo, o Fed revisou a taxa de desemprego de 4,1% para 4%.

Os pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos caíram em 4 mil na primeira semana de março. No total, foram feitos 211 mil pedidos. A informação foi divulgada na última quinta-feira (12), pelo Departamento de Trabalho dos Estados Unidos.

De acordo com reportagem da Reuters, a queda foi inesperada diante da crise do coronavírus. E o número de auxílios deve subir nas próximas semanas, quando as empresas possivelmente devem diminuir a produção por falta de suprimentos e também devido à quarentena em que muitos devem entrar nos próximos dias.

O payroll, folha de pagamentos não-agrícolas oficial dos Estados Unidos, surpreendeu e apontou a criação de 379 mil postos de trabalho em fevereiro. A projeção era de criação de 182 mil vagas em fevereiro e 166 mil de janeiro (corrigido dos 49 mil).

A taxa de desemprego caiu a 6,2%, ante leitura anterior de 6,3%

Economia recebeu estímulos

Congresso norte-americano referendou a decisão do Senado e, na última quarta-feira (10), aprovou o pacote de US$ 1,9 trilhão sugerido por Joe Biden  para aquecer a economia dos EUA.

Maioria na Casa, os Democratas fizeram valer os números e, com 220 votos a favor (211 contra) mandaram para a sanção do presidente da República dos Estados Unidos o maior pacote de estímulos já visto na história do país.

São vários os pontos a serem destacados na proposta aprovada pelo Congresso e agora enviada para a assinatura de Joe Biden.

Dentre eles, destacam-se o suplemento de auxílio-desemprego de US$ 300 por semana e programas que tornam milhões de pessoas elegíveis ao seguro-desemprego até 6 de setembro. O plano também torna os primeiros US $ 10.200 em benefícios de desempregados isentos de impostos.

A conta envia US$ 1.400 em pagamentos diretos para a maioria dos americanos e seus dependentes. Os cheques começam a diminuir gradualmente em US$ 75.000 em renda para indivíduos e são limitados a pessoas que ganham US$ 80.000.

Outro ponto interessante é em relação ao crédito tributário infantil, que foi expandido por um ano. Com isso, ele passará a ser de US$ 3.600 para crianças menores de 6 anos e para US$ 3.000 para crianças entre 6 e 17 anos.