Como investir em criptomoedas sem comprá-las diretamente?

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.

Crédito: Pixabay

Você sabia que há formas de investir em criptomoedas sem precisar adquirir diretamente esses ativos?

Atualmente, existem na bolsa brasileira dois ETFs (Exchange Traded Funds) que investem em criptoativos: o HASH11 e o QBTC11. Portanto, se você é um entusiasta do mundo cripto, ou se está começando a conhecer esse universo, continue a leitura e saiba mais a respeito.

Vantagens de investir em criptomoedas sem comprá-las diretamente

Para o investidor menos experiente, ou que ainda tem algum receito do mundo cripto, há algumas vantagens de investir nesses ativos sem precisar comprá-los diretamente. Vejamos algumas delas a seguir.

1 – Para investir direto, é importante conhecer os fundamentos das criptomoedas

Engana-se quem pensa que o mundo dos criptoativos é todo igual. Apesar de serem investimentos de altíssima volatilidade (com exceção das stablecoins), as criptomoedas possuem muitas diferenças entre si. Logo, para minimizar os riscos e fazer a escolha certa, é preciso conhecer os fundamentos nos quais estão baseados esses ativos.

Normalmente, esses fundamentos estão registrados no white paper da criptomoeda. Nesse sentido, o documento serve como um guia, que explica de que forma o ativo foi criado, qual a sua aplicabilidade, entre outros aspectos.

Algumas das criptmoedas de maior capitalização de mercado, como o bitcoin (BTC) e o cardano (ADA), por exemplo, possuem os seus aspectos técnicos detalhados em white papers. Logicamente, isso não as torna menos voláteis ou arriscadas. No entanto, quando se conhece os seus fundamentos, o investimento se torna mais transparente.

2 – Mais segurança

De forma geral, as exchanges (corretoras de criptoativos) possuem sofisticados sistemas de segurança. No entanto, não são tão raros os ataques cibernéticos a essas instituições, pois o anonimato e a descentralização das transações, de certa forma, motivam a atuação de hackers.

Em outras palavras, se a sua conta bancária sofrer um ataque de hackers, existem mecanismos para que você seja ressarcido e para que os criminosos sejam encontrados. Porém, em um sistema financeiro descentralizado, não há nenhuma autoridade que garanta a segurança das transações. Logo, se a sua carteira de criptomoedas sofrer um ataque cibernético, você não terá a quem recorrer.

Uma sugestão para proteger a carteira de criptomoedas são as wallets, dispositivos físicos que podem ser tanto ligados à internet quanto utilizados off-line. Porém as wallets mais seguras possuem custos, e, dependendo do volume de criptos a serem guardadas, pode não valer a pena o investimento.

3 – Menores custos

Por fim, quem deseja comprar criptmoedas diretamente precisa prestar muita atenção às taxas cobradas pelas exchanges. Nesse sentido, há diversos custos envolvidos, como taxas de ordens, depósitos, saques, transferências, entre outros. E esses custos variam bastante entre as corretoras, logo, é importante pesquisa-los, pois dependendo do caso esses gastos podem comprometer a rentabilidade do investimento.

Nesse sentido, normalmente é mais barato adquirir ativos atrelados a criptomoedas. Isso porque você terá, basicamente, as taxas normais de alguns fundos de investimentos, como veremos a seguir.

E como investir indiretamente em criptomoedas?

Na bolsa brasileira, existem dois ETFs (Exchange Traded Funds) que investem em criptomoedas: o HASH11 e o QBTC11. Veja como cada um deles funciona.

HASH11

Lançado em abril de 2021, o HASH11 é hoje o segundo maior ETF da bolsa brasileira. Nesse sentido, o fundo tem como referência o Nasdaq Crypto Index (NCI), índice que busca representar as principais criptomoedas do mercado.

Atualmente, o NCI é formado por oito criptomoedas: bitcoin, ethereum, litecoin, bitcoin cash, chainlink, uniswap, filecoin e stellar. Nesse sentido, a participação mais expressiva no fundo fica por conta do bitcoin, que representa mais de 60% do índice.

A cada três meses, é feito um rebalanceamento do índice. Isso significa que, periodicamente, novas criptomoedas podem entrar, ao passo que outras poderão deixar de compor o NCI.

O HASH11 é um ETF de ETFs. Ou seja, ele investe em criptomoedas por meio de cotas de outro fundo, o HDEX.BH (Hashdex Nasdaq Crypto Index). Por sua vez, o HDEX.BH é um fundo listado na Bermuda Stock Exchange (Ilhas Cayman).

Perfil do HASH11

O HASH11 tem como gestora a Hashdex e é administrado pela Genial Investimentos. Em relação aos custos, possui taxa de administração de 1,3%, já considerando o fundo de índice-alvo.

Atualmente, o HASH11 possui um patrimônio superior a R$ 1,5 bilhão, distribuído entre cerca de 118 mil cotistas.

QBTC11

Diferentemente do HASH11, que investe em várias criptomoedas, o único ativo-alvo do QBTC11 é o bitcoin. Esse ETF foi lançado na B3 em junho de 2021, e é o segundo ETF de bitcoin do mundo, depois do QBTCC, do Canadá.

O QBTC11 tem lastro em bitcoins físicos, armazenados em custodiantes. O objetivo desse ETF é replicar o índice da CME CF Bitcoin Reference Rate.  Já o índice é negociado pelo Chicago Mercantile Exchange Group, a maior bolsa de derivativos do mundo.

Perfil do QBTC11

O QBTC11 tem a gestão da QR Capital e o seu coordenador líder é o BTG Pactual. Quanto aos custos, é cobrada taxa de administração de 0,75%, e não há taxa de performance.

O fundo é destinado ao público em geral. Em 16 de julho, o patrimônio líquido do QBTC11 era de R$ 118,2 milhões.

Novidades à vista: QETH11, o ETF da plataforma Ethereum

Ao que tudo indica, o mercado dos criptoativos continuará aquecido nos próximos meses. Recentemente, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aprovou a criação de mais um ETF de criptoativos. Dessa vez, o fundo terá como benchmark o ether, criptomoeda negociada na plataforma Ethereum, e se chamará QETH11.

O ether é a segunda maior criptomoeda do mundo. Em relação ao bitcoin, o seu grande diferencial é a adaptabilidade e flexibilidade de suas aplicações. Um exemplo disso são os “contratos inteligentes”, também baseados no blockchain, tecnologia totalmente descentralizada. No entanto, esses contratos podem agregar outras funcionalidades, como recebimentos e pagamentos, por exemplo.

O índice de referência do QETH11 será o CME CF Ether Reference Rate, e a administradora será a Vortx.

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Atingir um patrimônio de R$ 100 mil é para poucos, o que amplia o desafio de busca pelas melhores aplicações para multiplicá-lo.