Como começar a investir em ações?

Karin Barros
Jornalista com atuação nos dois principais jornais impressos da Grande Florianópolis por quase 10 anos. Costumo dizer que sou viciada em informação, por isso me encantei com a economia, que une tudo de alguma forma sempre. Atualmente também vivo intensamente o mundo da assessoria de imprensa e do PR.
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Crédito: Reprodução/QuoteInspector.com

Investir na bolsa virou algo cada vez mais acessível à população geral. Isso porque diversas financeiras e analistas têm buscado por meio de redes sociais e blogs desmistificar o assunto.

O que para muitos parecia um mistério, para outros se tornou uma renda real.

O número de investidores pessoa física com registro na B3 cresceu 42% em relação ao mesmo período no ano passado. 

Esse crescimento, segundo estudos da B3 divulgados no início deste mês, tem se tornado constante desde 2019.

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Nos últimos 12 meses, houve um aumento de 800 mil investidores pessoa física no mercado de capitais.

Isso já representa 16% do total de recursos investido em equities na B3.

As mais procuradas

O estudo da B3 apontou que em setembro 10 empresas contavam com o maior número de pessoas físicas na base acionária. São elas: Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Itaúsa, Magazine Luiza, Sanepar, Petrobras, Oi, Taesa e Via Varejo.

Por esse viés, é possível detalhar quais produtos chamam mais atenção do brasileiro na hora de procurar um ticket.

Para iniciar

Para iniciar na bolsa, é importante estudar algumas das principais informações de uma empresa, como os últimos balanços financeiros, o histórico dos preços das suas ações na Bolsa, se ela paga dividendos aos acionistas e quais foram os valores das últimas distribuições de lucros.

Todos esses dados podem ser encontrados no site de relações com investidores da companhia, e são amplamente divulgados pela mídia.

Além disso, não é à toa que as empresas com maior base acionária de pessoa física chegaram nesse patamar.

É por empresas que fazem parte do seu universo que o investidor iniciante é indicado a começar.

O setor acaba sendo muito mais tangível para qualquer um, pois consumimos dele, sabemos como é o dia a dia e o modelo de negócios dessas empresas.

Analistas recomendam ainda setores como energia, grandes bancos e commodities, pois são mais consolidados, podendo ter uma experiência mais positiva de início.

Estar preparado para a volatilidade do mercado, ter reserva financeira e uma assessoria como aEQI Investimentos, que auxilie nos primeiros investimentos são pontos importantes também.

Análise fundamentalista de ações

A análise fundamentalista não se resume à visão contábil de uma empresa. Seus estudos também direcionam para informações de noticiários referentes à área de atuação da instituição.

Vários fatores externos compõem essa análise, como por exemplo:

  • Fatores econômicos;
  • Fatores naturais;
  • Políticos;
  • Diplomáticos.

Deu para perceber que a análise fundamentalista se torna muito ampla se colocado esse conjunto de dados no papel.  Por isso, vamos apresentar alguns indicadores de ordem fundamentalista que ajudarão a enxergar o mercado financeiro de uma forma mais sólida.

VPA (Valor Patrimonial da Ação)

É importante dizer que o preço de um ativo no pregão não necessariamente reflete o valor “real” do ativo.

A explicação é simples: muitas vezes o preço do papel sofre alterações devido a especulações positivas ou negativas. Além disso, um boato pode mudar completamente o preço da ação. Põe nessa conta também eventuais projeções da ação.

Como dissemos, a análise fundamentalista mira projetar o valor patrimonial desse ativo.

A partir disso, vamos explicar o que é Valor Patrimonial por Ação (VPA).

Em resumo, o VPA é um indicador do valor patrimonial líquido da empresa. Ou seja, a ideia desse indicador é verificar se o preço praticado no mercado está batendo com o valor patrimonial.

Desta forma, com base no resultado apresentado usando o VPA, o trader analisará se um determinado ativo está com o preço abaixo do mercado ou se está acima do mercado.

Dividend Yield

Outro indicador de análise fundamentalista, o Dividend Yield (DY), mede o rendimento de uma empresa de acordo com os dividendos pagos.

Dividend Yeld pode ser traduzido por Rendimentos de Dividendos. Esse indicador é importante para buscar empresas que apresentam melhor relação no pagamento de proventos por ação.

O cálculo DY é feito da seguinte forma: pega-se os dividendos pagos por ação, divide-se pelo valor atual da ação e multiplica-se por 100.

Pense numa empresa que oferece R$ 3 de dividendo por ação. A ação está custando R$ 50.

Desta forma, o cálculo será: (3÷50) x 100 = 6%.

Em outras palavras, o Dividend Yield informa que cada ação dessa empresa está oferecendo 6% de retorno em dividendos.

Fatos externos impactam o valor das ações

A análise fundamentalista mistura informações de dentro da empresa e fora dela.

Vamos pegar o exemplo da Petrobrás. Levando em consideração seu histórico recente, a petroleira levou três tombos homéricos por razões externas.

O primeiro deles veio no começo de 2020, com a pandemia do Covid-19, que afetou todo o mercado financeiro.

A segunda bomba aconteceu em março de 2020 por causa da crise econômica e diplomática envolvendo a Rússia e Arábia Saudita.

Os dois países não se acertaram e prometeram continuar produzindo petróleo, muito mais do que era necessário naquele momento de pandemia. Por essa razão, o petróleo encalhou, gerando uma enorme desvalorização do preço do petróleo pelo mundo.

Por fim, a mais recente pancada ocorreu em fevereiro, quando o presidente Jair Bolsonaro demitiu o então presidente da Petrobrás, Roberto Castello Branco. Em seu lugar, foi nomeado o general Joaquim Silva e Luna. Com isso, a ação da empresa despencou.

Antes da troca, a PETR4 custava R$ 27,33. Depois da troca de comando, o papel fechou em R$ 21,67.

Logicamente que é difícil antever notícias como essas, mas o investidor fundamentalista visa:

  • Encontrar oportunidades de negociação a partir do monitoramento das informações;
  • Se proteger/minimizar prejuízos a partir do monitoramento das informações.

Análise técnica de ações

A análise gráfica compreende estudos de projeções e tendências das ações. Geralmente, os preços dos ativos são reflexos de comportamentos anteriores do papel, tais como:

  • volume de negociação;
  • riscos;
  • liquidez;
  • notícias.

Portanto, uma das funções da análise gráfica é justamente rastrear e ilustrar esses “indícios” que poderão determinar o preço de um ativo.

Saiba que o mercado costuma respeitar topos e fundos. Por essa razão, vale entender no gráfico quais são os preços-alvo de suporte e resistência. E quando ocorre de um papel romper o suporte ou resistência, pode ser uma confirmação de tendência. Neste caso, a análise gráfica serviu para mapear o ativo.

Dentro da análise técnica existem diversas ferramentas que auxiliam na identificação e mensuração dessas projeções e tendências. Juntas, essas técnicas poderão se complementar, trazendo informações mais precisas sobre determinados ativos do pregão.

Perfil de investidor

Segundo a B3, o perfil de gênero dos investidores em equities (ações, FII, ETF e BDRs) mudou pouco ao longo dos anos, apesar da entrada de mulheres nos últimos períodos.

A proporção entre homens e mulheres se mantém praticamente constante ao longo dos anos, sendo uma média de 70% homens e 30% mulheres até o 3TRI deste ano.

O número de investidores homens que entram em equities historicamente é maior do que o número de mulheres e essa distância tem diminuído ainda de maneira muito tímida.

Por outro lado, as mulheres apresentam valor mediano do primeiro investimento maior do que o dos homens, sendo R$ 242 eles e R$ 385 elas.

Apesar do maior número de investidores vir do sudeste, e crescendo, o Norte e Nordeste apresentaram bons números no mês de setembro deste ano em relação aos três anteriores.

O Sul fica em segundo lugar, com um aumento de 397% em relação a 2018. 

A idade desses novos investidores fica entre 25 e 39 anos.